Hello, i came back here.
I know, i'm a failer, a drunk and a junkie. I can't be helped.
I often daydream about some sort of serenity, that could perhaps be accomplished. By time, peace and maturity.
But i keep aiming to bite and destroy, secretly planning astoundly sick plans to undermine all foundations i so carefuly built. Almost as if i did it, just to destroy them later.
And i bark, i bark, and then i cuddle like a needy little kitten.
But could i do it everyday for the rest of my life?
Wouldn't i feel trapped and alone and scream my lungs out to be free?
I don't do it, but i'm capable of the most horryfing things. And i almost aim for a reason to do them, so i can express all the destruction and chaos that still silently reside inside of me.
domingo, 30 de julho de 2017
sábado, 15 de abril de 2017
Alinhamento de épocas
Sara sentou-se na cadeira cinza de seu apartamento em tons de gelo. No meio de sua pequena cozinha, apreciou em bebericadas seu café.
Sara estava triste, porque tornara-se tudo que idealizara na adolescência e infância. As conclusões que suas vitórias lhe trouxeram eram previsíveis desde seus 15 anos, época em que inegavelmente era mais emocionalmente inteligente do que agora.
Todos os dias ela prendia os cabelos macios em um rabo de cavalo, e colocava seu terninho para trabalhar. Sentia-se segura e adulta, agindo com naturalidade do modo que fingira agir com naturalidade, até se acostumar.
Começou essa dinâmica sentindo-se uma criança vestida de adulta, prestando muita atenção em tudo, com medo que descobrissem sua farsa. Agora, como toda mentira repetida várias vezes, tornou-se realidade e estava integrada: Isso mesmo, a peça foi incorporada ao sistema com sucesso e nesse processo, os pontos de questionamento de sua mente foram sendo um a um sufocados.
O dia a dia era comum, simples e límpido, ela não precisava mais sentir-se uma alienígena. Percebia agora, com bastante tédio, que o sentimento de alienígena de fato é inerente a cada pessoinha pedante desse mundo, em dado momento da vida, ao sentir-se uma parte separada do todo.
Quão previsíveis eram as fases, refletia Sara, bebendo seu café, tal como preveu tantos anos atrás. Não achava que mudaria, que se tornaria uma adulta e veja só. A sensibilidade passa, a atenção passa, a magia passa. A tranquilidade vem.
Talvez daqui a alguns anos também consiga ser uma velhinha dentro dos moldes previstos e com alguma sorte, tenha aquela conformidade com as fases da vida.
Sara levantou-se, lavou sua xícara, vestiu seu terninho e saiu de casa. Não tinha sentido em continuar romantizando aquela cena, pois agora ela era real.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
2008 parte 2
Estavam todos tão empolgados.
Fazendo apostas, contando piadas.
Nossa, mas eles estavam tão errados.
O que viria a seguir ninguém podia ter imaginado.
Rolar os dados de olhos fechados já é esperado,
Quando se tem menos de duas décadas de memórias
É muito entorpecedor errar o passo
Mas ela não sabia que no final de todas as consequências
já teria passado bem mais que só maus bocados.
Não havia como saber, em dias de bem-te-vi
Que o que então se plantava, se comeria à força, bem longe dali
Não imaginava o gosto amargo da piada estragada na boca
E sinceramente, muito menos eu previ.
Agora o que resta é o que fazer com os cacos
"Que barbaridade fez a tal menina",
Eu até apostei algum drama em poesia
Sem saber quão certeira e sanguinolenta
Seria minha pontaria.
domingo, 18 de dezembro de 2016
Repetições de um mesmo sonho
Ele trançava seus cabelos, com silenciosa atenção.
Estavam tão jovens, mesmo que já o fossem há tantos anos.
A música ambiente era nostálgica, mas não dolorosa.
Certo, talvez só um pouco.
Pela janela olhavam o fim do mundo. Poderia ser um céu de nuvens baixas, pesadas e chuvosas às quatro da tarde. Poderia ser uma noite de estrela cadente. Só eles sabiam.
Ela sorria e chorava, ao mesmo tempo, silenciosamente.
Enquanto as mãos pálidas dele trançavam seus cabelos.
Mãos pálidas de veias altas...
Meu Deus!
O ar dentro dela faltou um pouco, mas ele segurou seu ombro a encorajando a continuar a respirar fundo.
Quão funda era aquela dor que não passava nunca.
Quão longos eram os anos, quando esquartejavam lembranças.
Ele estava sentado atrás dela, trançando seus cabelos e ela não podia vê-lo.
Apenas encarava a janela e satisfazia-se com a ilusão de sua presença.
Assim, intangível aos olhos, ele lhe tocava.
"Por favor, não pare", ela dizia com um sorriso triste.
Seus olhos eram o poço sem fundo dos amores que nunca morrerão ou se realizarão.
Assim, ela pedia, delicadamente, para que o sonho não terminasse.
"Por favor, fique mais um pouco" - E ele desfazia a trança e começava novamente.
Nesse ponto o vento soprou sinistro e febril como o fora em um longínquo dia de abril.
O sonho ameaçava ruir - Ela via pelas rachaduras nas paredes.
Como previu...
Nada daquilo,
Daquelas mãos pálidas...
Jamais existiu.
Estavam tão jovens, mesmo que já o fossem há tantos anos.
A música ambiente era nostálgica, mas não dolorosa.
Certo, talvez só um pouco.
Pela janela olhavam o fim do mundo. Poderia ser um céu de nuvens baixas, pesadas e chuvosas às quatro da tarde. Poderia ser uma noite de estrela cadente. Só eles sabiam.
Ela sorria e chorava, ao mesmo tempo, silenciosamente.
Enquanto as mãos pálidas dele trançavam seus cabelos.
Mãos pálidas de veias altas...
Meu Deus!
O ar dentro dela faltou um pouco, mas ele segurou seu ombro a encorajando a continuar a respirar fundo.
Quão funda era aquela dor que não passava nunca.
Quão longos eram os anos, quando esquartejavam lembranças.
Ele estava sentado atrás dela, trançando seus cabelos e ela não podia vê-lo.
Apenas encarava a janela e satisfazia-se com a ilusão de sua presença.
Assim, intangível aos olhos, ele lhe tocava.
"Por favor, não pare", ela dizia com um sorriso triste.
Seus olhos eram o poço sem fundo dos amores que nunca morrerão ou se realizarão.
Assim, ela pedia, delicadamente, para que o sonho não terminasse.
"Por favor, fique mais um pouco" - E ele desfazia a trança e começava novamente.
Nesse ponto o vento soprou sinistro e febril como o fora em um longínquo dia de abril.
O sonho ameaçava ruir - Ela via pelas rachaduras nas paredes.
Como previu...
Nada daquilo,
Daquelas mãos pálidas...
Jamais existiu.
Epitáfio
Lá vem a brisa mais uma vez,
A mais inocente e inconsciente ventania,
Alienada de seu efeito.
E sopra nas cordas e linhas que entrelaçam os destinos dos tolos,
Modifica a geografia do todo.
E roda a roda mais uma vez.
Ah, o tédio.
Catalisador de todos os meus acidentes.
O tédio continua a me impulsionar a plantar minas em terrenos pacíficos.
A explodir ideias em ações impulsivas
Apenas para ver o estouro,
Que corrói a calmaria.
Estou esperando aqui sentada,
Levemente ansiosa, já não mais cansada.
A força ainda existe, a centelha de caos e raiva,
A fúria que nasceu em mim, que talhou minha mortalha.
Eu não quero ser doce, não quero ser pura.
Eu não quero ser calma, não quero ser sua.
Eu quero ser a loucura que não some, apenas se transmuta.
Às vezes ela adormece e se esconde
Mas nunca
Nunca muda.
A mais inocente e inconsciente ventania,
Alienada de seu efeito.
E sopra nas cordas e linhas que entrelaçam os destinos dos tolos,
Modifica a geografia do todo.
E roda a roda mais uma vez.
Ah, o tédio.
Catalisador de todos os meus acidentes.
O tédio continua a me impulsionar a plantar minas em terrenos pacíficos.
A explodir ideias em ações impulsivas
Apenas para ver o estouro,
Que corrói a calmaria.
Estou esperando aqui sentada,
Levemente ansiosa, já não mais cansada.
A força ainda existe, a centelha de caos e raiva,
A fúria que nasceu em mim, que talhou minha mortalha.
Eu não quero ser doce, não quero ser pura.
Eu não quero ser calma, não quero ser sua.
Eu quero ser a loucura que não some, apenas se transmuta.
Às vezes ela adormece e se esconde
Mas nunca
Nunca muda.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Os homens gostam mesmo é das loucas.
Às vezes fica até fácil, até aceitável, às vezes fica até crível.
Às vezes consigo acreditar que ele sente todas essas coisas, principalmente quando me abraça com tanta força e me olha com aquela urgência sem salvação, de que está tentando realmente me convencer, incompreensível, sem saber porque é tão difícil para mim ser possível tudo isso acontecer.
E ele diz que me ama, que não pode viver sem mim, e tudo que consigo pensar, racionalmente, é: Como assim?
Nada do que ele faz desmente isso, sim, ele é tão coerente, mas como isso poderia se encaixar de maneira plácida em minha mente?
Eu, que não consigo estar presa em qualquer ponto fora do extremo entre querer injetar meu amor por seus poros ou então regurgitar suas entranhas.
Enquanto isso, ele me observa, paciente e resistente.
E eu não consigo entender, o olho bem, dentro do seu olho procuro o espião que a NASA deve estar enviando para tentar me conquistar e destruir porque descobriram finalmente que eu sou inapta a viver nesse mundo então eu devo ser no mínimo um alienígena bem feio vestindo o corpo de uma menina (ainda) de vinte e poucos anos encontrada no lago com feridas no pulsos e olhos rasgados.
Então, você me abraça e segura meu corpo e eu o sinto se dissolvendo sob meus ossos porque isso é só um corpo embora as sensações que me dá sejam muito divertidas, mas ao mesmo tempo eu poderia muito bem jogá-lo em frente a um carro - e nisso penso constantemente quando volto do trabalho ao meio dia, para desespero da minha mãe - e ele iria se esvaziar e eu iria sangrar um pouco talvez e em seguida pensar que vivi uma maravilhosa visita aqui nesse planeta azul de arvorezinhas devastadas.
Mas o que sei é que por enquanto ele existe, meu corpo. Assim como você, os alienígenas e as arvorezinhas devastadas da são francisco com florzinhas roxas cor de veneno perto do municipal e você, mas isso eu já disse não é mesmo?
E o que fica de você é sua incompreensível resistência em me querer, eu tão errada ao tentar constantemente destruir e conquistar você, necessariamente nessa ordem. E odiar todas as coisas sujas que se aproximam dessa sua boquinha linda, porque ela é minha, você é meu e veja só no que você se meteu.
Porque parando para pensar, bem, você é todinho seu, não é mesmo? pergunto com rancor, enquanto, mordo meus lábios, ofendida, porque você não quis dar cada pedacinho da sua existência a meus caprichos e isso é inadmissível e ainda por cima me faz te querer ainda mais.
E como pode uma pessoa tão saudável me amar, eu pergunto, desconfiada, porque você sorri e me beija "acredita que eu amo você", de maneira tão doce que me faz ter raiva, meu querido, o que diabos você está fazendo comigo, você que poderia estar por aí vivendo uma vida pacífica e tranquila, curtindo toda sua coerência de pessoa bem resolvida (mais rancor), mas quando você me olha assim e sorri e olha que já faz mais de setecentos e trinta dias e desde o início eu já dava indícios de não ser exatamente pacífica, e quando você me olha assim e sorri, e me convence e me faz pensar que esse texto já mudou de ritmo três vezes e que eu queria estar te odiando solenemente ou então encolhidinha no seu abraço só me resta concluir, até mais ou menos coerente, mas não tanto quanto você que
Os homens gostam mesmo é das loucas.
Às vezes consigo acreditar que ele sente todas essas coisas, principalmente quando me abraça com tanta força e me olha com aquela urgência sem salvação, de que está tentando realmente me convencer, incompreensível, sem saber porque é tão difícil para mim ser possível tudo isso acontecer.
E ele diz que me ama, que não pode viver sem mim, e tudo que consigo pensar, racionalmente, é: Como assim?
Nada do que ele faz desmente isso, sim, ele é tão coerente, mas como isso poderia se encaixar de maneira plácida em minha mente?
Eu, que não consigo estar presa em qualquer ponto fora do extremo entre querer injetar meu amor por seus poros ou então regurgitar suas entranhas.
Enquanto isso, ele me observa, paciente e resistente.
E eu não consigo entender, o olho bem, dentro do seu olho procuro o espião que a NASA deve estar enviando para tentar me conquistar e destruir porque descobriram finalmente que eu sou inapta a viver nesse mundo então eu devo ser no mínimo um alienígena bem feio vestindo o corpo de uma menina (ainda) de vinte e poucos anos encontrada no lago com feridas no pulsos e olhos rasgados.
Então, você me abraça e segura meu corpo e eu o sinto se dissolvendo sob meus ossos porque isso é só um corpo embora as sensações que me dá sejam muito divertidas, mas ao mesmo tempo eu poderia muito bem jogá-lo em frente a um carro - e nisso penso constantemente quando volto do trabalho ao meio dia, para desespero da minha mãe - e ele iria se esvaziar e eu iria sangrar um pouco talvez e em seguida pensar que vivi uma maravilhosa visita aqui nesse planeta azul de arvorezinhas devastadas.
Mas o que sei é que por enquanto ele existe, meu corpo. Assim como você, os alienígenas e as arvorezinhas devastadas da são francisco com florzinhas roxas cor de veneno perto do municipal e você, mas isso eu já disse não é mesmo?
E o que fica de você é sua incompreensível resistência em me querer, eu tão errada ao tentar constantemente destruir e conquistar você, necessariamente nessa ordem. E odiar todas as coisas sujas que se aproximam dessa sua boquinha linda, porque ela é minha, você é meu e veja só no que você se meteu.
Porque parando para pensar, bem, você é todinho seu, não é mesmo? pergunto com rancor, enquanto, mordo meus lábios, ofendida, porque você não quis dar cada pedacinho da sua existência a meus caprichos e isso é inadmissível e ainda por cima me faz te querer ainda mais.
E como pode uma pessoa tão saudável me amar, eu pergunto, desconfiada, porque você sorri e me beija "acredita que eu amo você", de maneira tão doce que me faz ter raiva, meu querido, o que diabos você está fazendo comigo, você que poderia estar por aí vivendo uma vida pacífica e tranquila, curtindo toda sua coerência de pessoa bem resolvida (mais rancor), mas quando você me olha assim e sorri e olha que já faz mais de setecentos e trinta dias e desde o início eu já dava indícios de não ser exatamente pacífica, e quando você me olha assim e sorri, e me convence e me faz pensar que esse texto já mudou de ritmo três vezes e que eu queria estar te odiando solenemente ou então encolhidinha no seu abraço só me resta concluir, até mais ou menos coerente, mas não tanto quanto você que
Os homens gostam mesmo é das loucas.
domingo, 2 de outubro de 2016
Procedimento
Eu gosto de guardar debaixo da minha manga
Pelo menos três sentimentos
Que mantive guardados, pouco alimentados, monstos mal cuidados
Aptos a devorar.
Gosto de estocar lembranças,
Sempre as mais inflamantes possíveis
E falar delas com a banalidade de quem não as viveu.
Por que bem,
Neste jogo não tenho que rebuscar meu vocabulário, meu bem.
Uma a três obsessões por ano,
Uma lixeira de intenções e encantos,
Minha cabeça latejante e impaciente,
Sedente,
Do próximo grande rasgo de amor que vou fazer na minha mente.
(E depois, quem sabe, musicar dessa maneira pobre.)
Pelo menos três sentimentos
Que mantive guardados, pouco alimentados, monstos mal cuidados
Aptos a devorar.
Gosto de estocar lembranças,
Sempre as mais inflamantes possíveis
E falar delas com a banalidade de quem não as viveu.
Por que bem,
Neste jogo não tenho que rebuscar meu vocabulário, meu bem.
Uma a três obsessões por ano,
Uma lixeira de intenções e encantos,
Minha cabeça latejante e impaciente,
Sedente,
Do próximo grande rasgo de amor que vou fazer na minha mente.
(E depois, quem sabe, musicar dessa maneira pobre.)
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Quão rarefeito é o ar de cima de toda esta pedância? Ora, e eu não sei?!
Ah, minha vaidade.
Não te arde como brasa?
E machuca sua garganta quando você engole essas palavras fáceis, estupidamente falseadas e tão superficiais quanto a futilidade que criticas?
A vaidade, sim, é uma delícia. Porque eu preciso me sentir especial. Assim como cada uma das pessoas que conheço.
O comum é ordinário, e por que isso haveria de ser pejorativo, minha criança?
Não é verdade que existe uma gentil tranquilidade em aceitar nossa pequenez?
É o gosto calmo da derrota, da falha em atingir o objetivo máximo e único que é ser pioneiro em TUDO,
E a gente ri disso e tece críticas afiladíssimas com conteúdo substantivo de literatura brasileira ou russa, mas no fundo a satisfação vem do salto: Eu já estive aí.
Ah, "CRIANÇA", eu já cresci.
E veja só, lá está você de novo.
Teia de tralhas,
Labirinto cansado,
Troféu de lixo
E uma doce sensação de vitória,
Que vai aos poucos te picar em pedacinhos.
Não te arde como brasa?
E machuca sua garganta quando você engole essas palavras fáceis, estupidamente falseadas e tão superficiais quanto a futilidade que criticas?
A vaidade, sim, é uma delícia. Porque eu preciso me sentir especial. Assim como cada uma das pessoas que conheço.
O comum é ordinário, e por que isso haveria de ser pejorativo, minha criança?
Não é verdade que existe uma gentil tranquilidade em aceitar nossa pequenez?
É o gosto calmo da derrota, da falha em atingir o objetivo máximo e único que é ser pioneiro em TUDO,
E a gente ri disso e tece críticas afiladíssimas com conteúdo substantivo de literatura brasileira ou russa, mas no fundo a satisfação vem do salto: Eu já estive aí.
Ah, "CRIANÇA", eu já cresci.
E veja só, lá está você de novo.
Teia de tralhas,
Labirinto cansado,
Troféu de lixo
E uma doce sensação de vitória,
Que vai aos poucos te picar em pedacinhos.
Imagens na areia podem formar castelos indestrutíveis
Minha voz é fininha, minha respiração inaudível.
Eu gostaria de já ter aprendido todas as lições que hei de ter
Jogadas na cara
Como cartas marcadas,
Com gosto de navalhas.
Gostaria de já conter a sabedoria que preciso
Para apreciação.
Para saber viver.
Mas não tenho e sou duas:
De um lado anseio, sabendo que todo esse redemoinho se dissolverá em um tranquilo copo d'água.
Do outro desespero, esperneio com a mesma infantilidade com qual ansiava uma autoconfiança que tenho hoje e não me serve em nada.
O tanto que possuo é exatamente o que quis e meu Deus, meu Deus, cuidado com o que desejemos.
Para ficar no registro, para deixar claro, em registro de ata do karma:
Eu desejo paz em mim, eu desejo calma.
Eu me pergunto se é por isso que minhas veias pulsam e não é, eu sei, nunca foi,
Eu sempre precisei de dor e portanto a infligi em mim mesma, com a ingratidão dos que não dominam (sequer arranham) a arte da apreciação.
Mas eu desejo a calma, antes que a vida me imponha.
Eu ainda tenho a ausência de dor verdadeira,
Ainda carrego essa pureza.
Enquanto a carrego, peço e rezo com toda a fé que esnobei com arrogância, pela serenidade da qual conscientemente abdiquei.
Iludida por imagens
Arquétipos de mim mesma,
Quão perigosa é a mente de uma criança.
Eu gostaria de já ter aprendido todas as lições que hei de ter
Jogadas na cara
Como cartas marcadas,
Com gosto de navalhas.
Gostaria de já conter a sabedoria que preciso
Para apreciação.
Para saber viver.
Mas não tenho e sou duas:
De um lado anseio, sabendo que todo esse redemoinho se dissolverá em um tranquilo copo d'água.
Do outro desespero, esperneio com a mesma infantilidade com qual ansiava uma autoconfiança que tenho hoje e não me serve em nada.
O tanto que possuo é exatamente o que quis e meu Deus, meu Deus, cuidado com o que desejemos.
Para ficar no registro, para deixar claro, em registro de ata do karma:
Eu desejo paz em mim, eu desejo calma.
Eu me pergunto se é por isso que minhas veias pulsam e não é, eu sei, nunca foi,
Eu sempre precisei de dor e portanto a infligi em mim mesma, com a ingratidão dos que não dominam (sequer arranham) a arte da apreciação.
Mas eu desejo a calma, antes que a vida me imponha.
Eu ainda tenho a ausência de dor verdadeira,
Ainda carrego essa pureza.
Enquanto a carrego, peço e rezo com toda a fé que esnobei com arrogância, pela serenidade da qual conscientemente abdiquei.
Iludida por imagens
Arquétipos de mim mesma,
Quão perigosa é a mente de uma criança.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
O tempo é feroz e come todas as coisas belas
Com meu sorriso pouco entediado, respondo suas perguntas.
Com a expressão de uma anciã cansada de ainda vinte e poucos anos.
Eu corri muito para estar aqui. Lutei muito para chegar aqui.
E isso me deu uma presunção pouco surpreendente, e aquela velha sensação do desgaste...
Verdade seja dita, respondo o que você quiser sobre mim, porque já não sou mais tão interessante.
Já não tenho fogo correndo nas veias, de raiva, de fúria, de vida.
Já não fecho os olhos e penso sonhos acordados, já não escuto barulhos na noite e na madrugada.
Na calada da noite agora é só um período. Canela se tornou meu chá preferido e a escrita, minha procrastinação.
Oh sim, veja que situação.
Eu, sempre na contramão, hoje sou vanguarda. Não mais quebrando e sim construindo muralhas.
Me desumanizando um pouco cada vez mais.
Nada de grama, céu ou animais.
Apenas meu velho sorriso polido,
Meu coração pouco surpreendido.
Mas às vezes...
Às vezes ainda se acende algo, ou sussurra no meio fio.
Às vezes ainda sinto fome, às vezes ainda sinto frio.
Sinto a vontade insana de explodir meu vazio.
Cada vez menos.
Menos e menos vezes.
Com a expressão de uma anciã cansada de ainda vinte e poucos anos.
Eu corri muito para estar aqui. Lutei muito para chegar aqui.
E isso me deu uma presunção pouco surpreendente, e aquela velha sensação do desgaste...
Verdade seja dita, respondo o que você quiser sobre mim, porque já não sou mais tão interessante.
Já não tenho fogo correndo nas veias, de raiva, de fúria, de vida.
Já não fecho os olhos e penso sonhos acordados, já não escuto barulhos na noite e na madrugada.
Na calada da noite agora é só um período. Canela se tornou meu chá preferido e a escrita, minha procrastinação.
Oh sim, veja que situação.
Eu, sempre na contramão, hoje sou vanguarda. Não mais quebrando e sim construindo muralhas.
Me desumanizando um pouco cada vez mais.
Nada de grama, céu ou animais.
Apenas meu velho sorriso polido,
Meu coração pouco surpreendido.
Mas às vezes...
Às vezes ainda se acende algo, ou sussurra no meio fio.
Às vezes ainda sinto fome, às vezes ainda sinto frio.
Sinto a vontade insana de explodir meu vazio.
Cada vez menos.
Menos e menos vezes.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Quão amáveis são as coisas que não conhecemos
Mas a verdade é que às vezes eu sinto frio por dentro,
Como se fosse só mais uma estranha perdida nessa madrugada sacana, sem casa, sem cama, sem nada.
Eu gostaria de uma coerência? Claro, claro, claro. Todo dia da semana.
Mas qual seria a graça disso?
Eu quero queimar todas as minha vontades em uma fogueira de tralhas e observar seu faiscar tranquilo.
Queria era dar o fora daqui.
Abandonar tudo o que eu preciso e assim suicidar minha fraqueza. Mas não é esse o desejo de todos os fracos?
A minha vontade de renascer é o que me mantém viva, mas ela é aliada a minha vontade de destruir.
Queria eu ser calma, queria eu ser boa, queria eu ser cândida.
Mas a quem estamos enganando?
Eu gosto mesmo é do caos que posso provocar com um leve movimento em falso. Com a movimentação das coisas, das engrenagens dos acontecimentos, corações e vontades.
Eu gosto da ideia de poder destruir tudo a qualquer segundo, da leve liberdade que isso me dá.
Mas essa é só uma de mim e ela não tem a autonomia total sobre o que eu faço.
Porque ao lado tem uma parte que chora quando se sente só e do lado alguém que apenas observa com tédio.
E não foi o tédio o catalisador de todas minhas mais estúpidas, criativas e destrutivas ideias?
Não foi o tédio que me trouxe aqui, que me deixou bizarra, sombria, cínica e sorridente?
Não foi o tédio que me fez sentir amor, dor ou rejeição?
Porque uma parte de mim é insensível ao toque,
E a outra explode todo dia.
Como se fosse só mais uma estranha perdida nessa madrugada sacana, sem casa, sem cama, sem nada.
Eu gostaria de uma coerência? Claro, claro, claro. Todo dia da semana.
Mas qual seria a graça disso?
Eu quero queimar todas as minha vontades em uma fogueira de tralhas e observar seu faiscar tranquilo.
Queria era dar o fora daqui.
Abandonar tudo o que eu preciso e assim suicidar minha fraqueza. Mas não é esse o desejo de todos os fracos?
A minha vontade de renascer é o que me mantém viva, mas ela é aliada a minha vontade de destruir.
Queria eu ser calma, queria eu ser boa, queria eu ser cândida.
Mas a quem estamos enganando?
Eu gosto mesmo é do caos que posso provocar com um leve movimento em falso. Com a movimentação das coisas, das engrenagens dos acontecimentos, corações e vontades.
Eu gosto da ideia de poder destruir tudo a qualquer segundo, da leve liberdade que isso me dá.
Mas essa é só uma de mim e ela não tem a autonomia total sobre o que eu faço.
Porque ao lado tem uma parte que chora quando se sente só e do lado alguém que apenas observa com tédio.
E não foi o tédio o catalisador de todas minhas mais estúpidas, criativas e destrutivas ideias?
Não foi o tédio que me trouxe aqui, que me deixou bizarra, sombria, cínica e sorridente?
Não foi o tédio que me fez sentir amor, dor ou rejeição?
Porque uma parte de mim é insensível ao toque,
E a outra explode todo dia.
sábado, 27 de agosto de 2016
Senhorita bomba atômica
Eles dizem "Olhe o dano que ele lhe causou",
Mas deveriam saber melhor,
Olhe para o rosto da garotinha
Explodindo numa gargalhada.
Ela correu pintando todas essas paredes de branco
Ela jogou fogo ao chão com seu senil coração
E você pensa em pegá-la, pensa em alcançá-la
Pensa em um passo a mais, em fogo, em prata e bala.
Você é gentil como um punhal, acolhedora mortalha.
Não tem marcas nas mãos, tem olhos de perspicácia.
Mas ela desvia e escorrega,
Ela é esguia e rápida.
A garotinha sorri,
Deliciosa batalha.
E quão amável foi deixar-te pensar
Que toda essa ação
Iria glorificar-te
E te levantar desse chão,
Com um presente tão doce
De indecente emoção
Um apelo tão óbvio:
Destruir coração.
E você gastou suas tintas,
Você abriu suas malas,
Você chutou sua porta,
Vandalizou sua casa
Mas quando olhou para trás,
Para o rastro que deixava,
Apenas uma listra negra
Bem na parede da sala.
Mas deveriam saber melhor,
Olhe para o rosto da garotinha
Explodindo numa gargalhada.
Ela correu pintando todas essas paredes de branco
Ela jogou fogo ao chão com seu senil coração
E você pensa em pegá-la, pensa em alcançá-la
Pensa em um passo a mais, em fogo, em prata e bala.
Você é gentil como um punhal, acolhedora mortalha.
Não tem marcas nas mãos, tem olhos de perspicácia.
Mas ela desvia e escorrega,
Ela é esguia e rápida.
A garotinha sorri,
Deliciosa batalha.
E quão amável foi deixar-te pensar
Que toda essa ação
Iria glorificar-te
E te levantar desse chão,
Com um presente tão doce
De indecente emoção
Um apelo tão óbvio:
Destruir coração.
E você gastou suas tintas,
Você abriu suas malas,
Você chutou sua porta,
Vandalizou sua casa
Mas quando olhou para trás,
Para o rastro que deixava,
Apenas uma listra negra
Bem na parede da sala.
sábado, 20 de agosto de 2016
O cansaço é apenas a sensação anterior ao total esquecimento.
É engraçado, é irônico, é um pouco bobo.
A idade é realmente bem superficial, com o passar dos anos.
Em círculos eu transitei, me iludindo por uma década com realizações com as quais sonho desde minha inocência.
Mas todas as coisas que eu toco dissolvem-se ao meu contato: Viram pó, viram partículas. Incorporam ao ar ao meu redor e enchem de novo meus pulmões, tão pequeninas como no fundo sempre foram.
Eu pensei que havia muito a conseguir, mas tudo que eu tinha que sentir já estava pulsando como uma artéria incandescente dentro de mim.
Mas eu, e como poderia ser diferente, não vi.
Eu não vi.
Eu sentei-me e esperei pelas coisas erradas: Criança preguiçosa como eu, sempre esperando afeto, futuro, revelações.
Eu, que era raivosa e vermelha e em meus dedos trazia fúria e com minhas unhas arranhava meu próprio coração.
Eu sempre estive bastante consciente da minha inaptidão em lidar com o tempo e com a doçura que me é oferecida pela natureza.
E sempre estive também, abrindo a pele de tudo que toco e extraindo seus órgãos e vísceras, os abraçando com meu corpo frágil de ossos sob a pele, tentando assim sentir qualquer angústia que me tornasse menos leprosa. Sentindo a paixão por tudo machucar minha pele e em seguida dissolver-se em nada, me trazendo essa sempre amiga, sempre retornante, sempre raposa, sensação tranquila de que tudo se torna irrelevante no final. E o que final é simplesmente algo que ocorre diante do mais inesperado e mínimo estímulo, de uma leve mudança na corrente de ar.
Será sempre assim?
Ou vou me deparar com o contrário em mim covardemente escondido?
Quantas vezes mais vou precisar matar-me dentro de mim?
A idade é realmente bem superficial, com o passar dos anos.
Em círculos eu transitei, me iludindo por uma década com realizações com as quais sonho desde minha inocência.
Mas todas as coisas que eu toco dissolvem-se ao meu contato: Viram pó, viram partículas. Incorporam ao ar ao meu redor e enchem de novo meus pulmões, tão pequeninas como no fundo sempre foram.
Eu pensei que havia muito a conseguir, mas tudo que eu tinha que sentir já estava pulsando como uma artéria incandescente dentro de mim.
Mas eu, e como poderia ser diferente, não vi.
Eu não vi.
Eu sentei-me e esperei pelas coisas erradas: Criança preguiçosa como eu, sempre esperando afeto, futuro, revelações.
Eu, que era raivosa e vermelha e em meus dedos trazia fúria e com minhas unhas arranhava meu próprio coração.
Eu sempre estive bastante consciente da minha inaptidão em lidar com o tempo e com a doçura que me é oferecida pela natureza.
E sempre estive também, abrindo a pele de tudo que toco e extraindo seus órgãos e vísceras, os abraçando com meu corpo frágil de ossos sob a pele, tentando assim sentir qualquer angústia que me tornasse menos leprosa. Sentindo a paixão por tudo machucar minha pele e em seguida dissolver-se em nada, me trazendo essa sempre amiga, sempre retornante, sempre raposa, sensação tranquila de que tudo se torna irrelevante no final. E o que final é simplesmente algo que ocorre diante do mais inesperado e mínimo estímulo, de uma leve mudança na corrente de ar.
Será sempre assim?
Ou vou me deparar com o contrário em mim covardemente escondido?
Quantas vezes mais vou precisar matar-me dentro de mim?
terça-feira, 19 de julho de 2016
This is my own carrosel
Eu tomo as coisas.
Eu tomo as coisas por completo, tomo até exauri-las, como se eu precisasse muito delas.
As tomo como se precisasse de cada gota delas, metade não é o suficiente, porque a verdade é que não preciso de nada delas então se hei de tomá-las, se hei de dançar esta dança indecente, psicologicamente vulgar, se hei de jogar a mim mesma em um tabuleiro, tenho que ter tudo.
É o meu consolo para o choro da madrugada, para a estranheza.
Mas eu sou estranha.
Eterna estranha e alienígena, com as pontas dos dedos leprosos e os olhos cheios de lágrimas, de desistências e inércias. Com meus impulsos e autodeterminações vazias
Enscancaro este cenário, cheio de coisas estranhas que não entendo.
É esquisita a textura da árvore quando passa o vento, permanece intacta, o céu ao entardecer e você.
Seja lá quem for você.
É estranho o sorriso casual, a garganta gasguita, o toque voraz.
É tão desnecessário que me faz chorar.
Porque a vida inteira eu fui estranha e tomei coisas, e forjei papéis e os rasguei depois com uma banalidade que faz aquilo de mais íntimo, escondido, de puro dentro de mim chorar.
Mas eu vou continuar tomando coisas porque eu sou essa mas também sou outras. Eu sou gentil mas também gosto da ideia de devorar pessoas.
Na prática eu sou uma otária e não tenho nada algoz em mim além das minhas próprias vontades, sensações e segredos.
E eu os guardo, às sete chaves em um diário aberto. Da minha mente e às vezes os transmito com gritos e lágrimas e palavras incoerentes e uma vida incoerente procurando um lugar.
Jogando estrelas na água.
Eu tomo as coisas por completo, tomo até exauri-las, como se eu precisasse muito delas.
As tomo como se precisasse de cada gota delas, metade não é o suficiente, porque a verdade é que não preciso de nada delas então se hei de tomá-las, se hei de dançar esta dança indecente, psicologicamente vulgar, se hei de jogar a mim mesma em um tabuleiro, tenho que ter tudo.
É o meu consolo para o choro da madrugada, para a estranheza.
Mas eu sou estranha.
Eterna estranha e alienígena, com as pontas dos dedos leprosos e os olhos cheios de lágrimas, de desistências e inércias. Com meus impulsos e autodeterminações vazias
Enscancaro este cenário, cheio de coisas estranhas que não entendo.
É esquisita a textura da árvore quando passa o vento, permanece intacta, o céu ao entardecer e você.
Seja lá quem for você.
É estranho o sorriso casual, a garganta gasguita, o toque voraz.
É tão desnecessário que me faz chorar.
Porque a vida inteira eu fui estranha e tomei coisas, e forjei papéis e os rasguei depois com uma banalidade que faz aquilo de mais íntimo, escondido, de puro dentro de mim chorar.
Mas eu vou continuar tomando coisas porque eu sou essa mas também sou outras. Eu sou gentil mas também gosto da ideia de devorar pessoas.
Na prática eu sou uma otária e não tenho nada algoz em mim além das minhas próprias vontades, sensações e segredos.
E eu os guardo, às sete chaves em um diário aberto. Da minha mente e às vezes os transmito com gritos e lágrimas e palavras incoerentes e uma vida incoerente procurando um lugar.
Jogando estrelas na água.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Meu inventário de coisas lindas
E me vem que quando você ama alguém
Ama o seu Amor
Aqueles momentinhos ordinários
Inconscientes
Se tornam impérios para sua visão,
Pequenos tesouros abstratos
Que você tenta capturar com seus olhos,
Delinear na memória
Eternizar num texto
As nuances do teu amor.
Não são as demonstrações
Não, nem falo delas aqui
São as vértices daquela pessoa.
É o jeito que ele fica com raiva em silêncio quando perde no jogo
Ou como ele sorri comendo, com os lábios em um arco fechado perfeito.
É a voz dele ao telefone com os atendentes
Ou seu sorriso aberto aos vendedores de loja
É a elegância com a qual fica em pé, distraído
E o jeito meigo que se envergonha ao ouvir isso.
É o seu andar, visto de costas, minha perfeição particular
E como eu o encontro dormindo, esparramado pela cama
Ou em um rolinho primavera de edredom.
É como facilmente adormece em meus braços
E seus lábios se entreabrem buscando respirar.
É como fica autoritário com seus assuntos preferidos
E seu riso fácil em todos os momentos necessários.
É seu fio de cabelo branco precoce do lado esquerdo
E sua barba que escolhe muito bem por onde crescer.
Eu escrevi 365 destes
E de algum modo
Todo dia se multiplicam
E eu já conheci tantos mais
Até que percebi que precisaria descrevê-lo
Em meticulosa descrição
Pois cada coisinha dele é, por ser dele, maravilhosa
Revela-se maravilhosa
Nesses meus olhos que só vêem ele.
Ama o seu Amor
Aqueles momentinhos ordinários
Inconscientes
Se tornam impérios para sua visão,
Pequenos tesouros abstratos
Que você tenta capturar com seus olhos,
Delinear na memória
Eternizar num texto
As nuances do teu amor.
Não são as demonstrações
Não, nem falo delas aqui
São as vértices daquela pessoa.
É o jeito que ele fica com raiva em silêncio quando perde no jogo
Ou como ele sorri comendo, com os lábios em um arco fechado perfeito.
É a voz dele ao telefone com os atendentes
Ou seu sorriso aberto aos vendedores de loja
É a elegância com a qual fica em pé, distraído
E o jeito meigo que se envergonha ao ouvir isso.
É o seu andar, visto de costas, minha perfeição particular
E como eu o encontro dormindo, esparramado pela cama
Ou em um rolinho primavera de edredom.
É como facilmente adormece em meus braços
E seus lábios se entreabrem buscando respirar.
É como fica autoritário com seus assuntos preferidos
E seu riso fácil em todos os momentos necessários.
É seu fio de cabelo branco precoce do lado esquerdo
E sua barba que escolhe muito bem por onde crescer.
Eu escrevi 365 destes
E de algum modo
Todo dia se multiplicam
E eu já conheci tantos mais
Até que percebi que precisaria descrevê-lo
Em meticulosa descrição
Pois cada coisinha dele é, por ser dele, maravilhosa
Revela-se maravilhosa
Nesses meus olhos que só vêem ele.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Sobre trocar farpas com seu gajo
O que ela queria da vida era ele.
Mas eita coisa de louco!
Abraço, chamego, grito, choro.
A chama sempre acesa às vezes pegava fogo.
Mas eles não conseguiam ficar longe um do outro.
Doía na pele e no peito um aperto de esmagar, a distância.
E mesmo em um dia difícil, depois de muita discordância
Só ficava a saudade, a vontade da pele, do olho, da manha.
Eles eram loucos um pelo outro, isso era visível até pra criança.
Numa hora chamego doido, na outra fúria em brasa.
Eles eram quentes como fogo, duas chamas que se completavam,
Mas iam aprendendo a acalmar-se pra ver se assim duravam
Umas três vidas todinhas, porque duas só não davam.
Ele era mais tranquilo, mas não pisasse no seu calo,
Ela tinha a língua ferina, mas seu dengo era todo pro seu gajo,
Eles se entendiam, embora se desentendessem sempre.
Mas iam aprendendo a se cuidar tão bem quanto o amor que sentem.
E uma coisa era certa, o que ela queria da vida era ele.
Seu tato, sorriso, sua mente. Seus abraços e os seus macetes.
Sem ele amor não rolava. E sem amor a vida não dava.
Então ia pegar toda sua raiva e transformar em mil beijos nele.
Mas eita coisa de louco!
Abraço, chamego, grito, choro.
A chama sempre acesa às vezes pegava fogo.
Mas eles não conseguiam ficar longe um do outro.
Doía na pele e no peito um aperto de esmagar, a distância.
E mesmo em um dia difícil, depois de muita discordância
Só ficava a saudade, a vontade da pele, do olho, da manha.
Eles eram loucos um pelo outro, isso era visível até pra criança.
Numa hora chamego doido, na outra fúria em brasa.
Eles eram quentes como fogo, duas chamas que se completavam,
Mas iam aprendendo a acalmar-se pra ver se assim duravam
Umas três vidas todinhas, porque duas só não davam.
Ele era mais tranquilo, mas não pisasse no seu calo,
Ela tinha a língua ferina, mas seu dengo era todo pro seu gajo,
Eles se entendiam, embora se desentendessem sempre.
Mas iam aprendendo a se cuidar tão bem quanto o amor que sentem.
E uma coisa era certa, o que ela queria da vida era ele.
Seu tato, sorriso, sua mente. Seus abraços e os seus macetes.
Sem ele amor não rolava. E sem amor a vida não dava.
Então ia pegar toda sua raiva e transformar em mil beijos nele.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Eles são só crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?
Eles diziam que os adultos eram máquinas, robôs mecânicos, sem alma, sem sonhos. Robôs que continham em sua programação apenas uma escada de metas frias e objetivas, sempre insatisfeitas. Sempre vazias.
Eu me preocupo, às vezes.
Estudo. Trabalho. Dinheiro. Metas. Coisas que as pessoas fazem, que também parecem atrativas. Programar uma viagem. Comprar um carro. A triste instrumentabilidade que envolve a vida.
As crianças não entendiam os adultos, como poderiam? Tem tanta coisa a fazer, a resolver. Tem tanta coisa jogada na sua cara, esfregada nas suas vontades, de um jeito cru e humilhante.
Os adultos abandonam seu direito de ser crianças, para cuidá-las. Para deixá-las mais um tempo que seja numa infância cada vez menos infância.
Mas nada disso importa, não é mesmo? Não, não é mesmo.
É preciso fazer o que se espera em certa medida, é preciso solucionar os problemas. É preciso se comprometer.
Hoje eu sou um terror, realmente algo meio alienígena para minha antiga criancinha.
Me desculpe, querida, mas você sonhava em ser eu, lembra? Antes de saber o quão exaustivo e vazio isto podia ser. Mas parecia-lhe bonita a imagem, não é mesmo? Ver-se esguia e um pouco pálida, em um blazer e porte social. Você era uma menina tão menina e com uns sonhos tão estranhos desde cedo...
Não, eu não sinto falta de ser criança. Ser criança é neurótico e inseguro. É sem controle. E ser adulto é a necessidade de controlar tudo ao seu redor e a frustração em não controlar-se, mesmo com o passar do tempo.
O que eu queria eu não tenho, eu não posso. É uma liberdade que me deixe livre de amarras das quais eu nunca estive solta. E essa liberdade eu só posso encontrar em mim mesma, em meu íntimo. Enquanto trabalho, vivo, e luto para sobreviver. Enquanto tenho uma rotina e um horário pois não posso faltar comigo mesma e com os meus. Mas por dentro - ah, o grande desafio - conservar assim mesmo aquela chama, aquela centelha.
Aquilo que te faz amar o céu, o sol, correr na grama, adorar às eventualidades, sorrir até tuas bochechas doerem.
Minha mãe estava certa, ser feliz não é difícil, é simples. Está nas coisas simples.
O difícil é conseguir sentir as coisas simples, em meio a tantos enlinhados necessários, tão mais complicados que te separam delas.
Mas vamos lá.
Eu me preocupo, às vezes.
Estudo. Trabalho. Dinheiro. Metas. Coisas que as pessoas fazem, que também parecem atrativas. Programar uma viagem. Comprar um carro. A triste instrumentabilidade que envolve a vida.
As crianças não entendiam os adultos, como poderiam? Tem tanta coisa a fazer, a resolver. Tem tanta coisa jogada na sua cara, esfregada nas suas vontades, de um jeito cru e humilhante.
Os adultos abandonam seu direito de ser crianças, para cuidá-las. Para deixá-las mais um tempo que seja numa infância cada vez menos infância.
Mas nada disso importa, não é mesmo? Não, não é mesmo.
É preciso fazer o que se espera em certa medida, é preciso solucionar os problemas. É preciso se comprometer.
Hoje eu sou um terror, realmente algo meio alienígena para minha antiga criancinha.
Me desculpe, querida, mas você sonhava em ser eu, lembra? Antes de saber o quão exaustivo e vazio isto podia ser. Mas parecia-lhe bonita a imagem, não é mesmo? Ver-se esguia e um pouco pálida, em um blazer e porte social. Você era uma menina tão menina e com uns sonhos tão estranhos desde cedo...
Não, eu não sinto falta de ser criança. Ser criança é neurótico e inseguro. É sem controle. E ser adulto é a necessidade de controlar tudo ao seu redor e a frustração em não controlar-se, mesmo com o passar do tempo.
O que eu queria eu não tenho, eu não posso. É uma liberdade que me deixe livre de amarras das quais eu nunca estive solta. E essa liberdade eu só posso encontrar em mim mesma, em meu íntimo. Enquanto trabalho, vivo, e luto para sobreviver. Enquanto tenho uma rotina e um horário pois não posso faltar comigo mesma e com os meus. Mas por dentro - ah, o grande desafio - conservar assim mesmo aquela chama, aquela centelha.
Aquilo que te faz amar o céu, o sol, correr na grama, adorar às eventualidades, sorrir até tuas bochechas doerem.
Minha mãe estava certa, ser feliz não é difícil, é simples. Está nas coisas simples.
O difícil é conseguir sentir as coisas simples, em meio a tantos enlinhados necessários, tão mais complicados que te separam delas.
Mas vamos lá.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Dossiê
Se tu pegasses
Tuas paixões. Teus desastres. Teus tesões. Tuas viagens. Tuas alucinações. E também miragens. Tuas acomodações. Tuas chantagens.
E colocasse todos, numa sala, em espelhos, em quadros, em pelo.
Se tu olhasses isso, se tu encarasse com curiosa admiração, o que tu farias?
Eu estou pegando
Minhas coisas pequeninas
Invadindo-lhes a pele. Invasiva desde menina.
Misturando meus mundos. Empilhando meus defuntos. Queimando suas latrinas.
Ah, saudades.
Tu não me pegas mais.
O que eu quero eu mesma pego.
Minha mão pálida traz.
O que eu desejo eu mordo.
Janeiro, abril ou agosto,
Com um sorriso mordaz.
Vamos lá.
Mistura essas coisas em ti.
Vamos lá.
Acorda dessa latência.
De água, silêncio e carência.
Acorda desta miragem.
Apenas o fogo e o caos
Produzem a sincera paisagem.
Tuas paixões. Teus desastres. Teus tesões. Tuas viagens. Tuas alucinações. E também miragens. Tuas acomodações. Tuas chantagens.
E colocasse todos, numa sala, em espelhos, em quadros, em pelo.
Se tu olhasses isso, se tu encarasse com curiosa admiração, o que tu farias?
Eu estou pegando
Minhas coisas pequeninas
Invadindo-lhes a pele. Invasiva desde menina.
Misturando meus mundos. Empilhando meus defuntos. Queimando suas latrinas.
Ah, saudades.
Tu não me pegas mais.
O que eu quero eu mesma pego.
Minha mão pálida traz.
O que eu desejo eu mordo.
Janeiro, abril ou agosto,
Com um sorriso mordaz.
Vamos lá.
Mistura essas coisas em ti.
Vamos lá.
Acorda dessa latência.
De água, silêncio e carência.
Acorda desta miragem.
Apenas o fogo e o caos
Produzem a sincera paisagem.
Mil reflexos em prisma de teu olhar assustado
Eu sou
Uma piada velha, um assunto antigo
Aquele que você não aguenta mais, resquício semi esquecido.
Eu sou o cigarro fumado, o teatro depois do show encerrado.
Eu sou o abatido do gado, o projétil usado do fogo de artifício.
Eu sou o que você não aguenta mais, embora não saia do peito.
A lembrança desastrosa de tudo a que veio ou a que não veio.
E por isso mesmo desencanta.
Sou tua unha lascada, doendo de vez em vez.
Aquela cicatriz antiga, que quase ninguém mais vê.
O livro que estava no topo, e agora apoia tua porta.
Sou tua lembrança rota, tua decisão torta.
Sou aquele arrependimento antigo, que te dá vergonha de infância.
O sentimento antigo de que tudo seria melhor, seria mudança.
Sou a estagnação que segura tua andança, sou no teu calcanhar a lança
Que te segura os tendões. Sou o atraso. Sou a constância.
O pior do teu olho, do nítido contraste roto.
Estou te encarando o tempo todo. Tu não sossegas desse sufoco.
Olha para mim.
Se olha no espelho.
Não, não, olha para mim.
Me olha no espelho.
Uma piada velha, um assunto antigo
Aquele que você não aguenta mais, resquício semi esquecido.
Eu sou o cigarro fumado, o teatro depois do show encerrado.
Eu sou o abatido do gado, o projétil usado do fogo de artifício.
Eu sou o que você não aguenta mais, embora não saia do peito.
A lembrança desastrosa de tudo a que veio ou a que não veio.
E por isso mesmo desencanta.
Sou tua unha lascada, doendo de vez em vez.
Aquela cicatriz antiga, que quase ninguém mais vê.
O livro que estava no topo, e agora apoia tua porta.
Sou tua lembrança rota, tua decisão torta.
Sou aquele arrependimento antigo, que te dá vergonha de infância.
O sentimento antigo de que tudo seria melhor, seria mudança.
Sou a estagnação que segura tua andança, sou no teu calcanhar a lança
Que te segura os tendões. Sou o atraso. Sou a constância.
O pior do teu olho, do nítido contraste roto.
Estou te encarando o tempo todo. Tu não sossegas desse sufoco.
Olha para mim.
Se olha no espelho.
Não, não, olha para mim.
Me olha no espelho.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Desabafo
Como eu estou? Eu estou bem, estou tranquila. E você, como está?
Estou apenas um pouco passiva agressiva. Aqueles primeiros minutos de ódio inflamando minhas veias passaram.
Estou com vontade de ser cruel. Aquela crueldade despropositada. Estou com a pele leprosa, insensível agora. Meu pior estado de espírito, no qual cometi os piores crimes da minha vida, aqueles que não conto para ninguém.
Estou assim porque não estou surpresa. Muito embora tenha inicialmente tremido de tanta mortificação.
Estou assim porque nada extraordinário aconteceu. Ainda assim minhas convicções de horas atrás de diluiram como pó no mar.
Há horas atrás estava prestes a publicar aqui palavras verticalmente opostas, diametralmente... Bom, vocês entenderam.
Eu não me importo mais com quem lê o que eu digo. Eu não me importo com as consequências dos meus atos. Eu me tornei uma coisa estranha, que eu mesmo não me importo mais decifrar.
Mas o que tem depois de tudo isso. Depois do ódio, da tristeza, da decepção, é a simples e clara aferição de que todos nós somos a mesma coisa, inútil e sem propósito.
Eu também não sou nenhuma santa. Mas eu escondo dentro de mim todos meus pensamentos sinistros e repulsivos. Isso quando não os falo aqui.
Nada daquilo é estranho, fora do comum. Nada do que aconteceu é motivo de um suicídio de um vínculo.
Ninguém me daria razão ao ouvir essa história, talvez. A história. Se eu contasse. Coisa que eu não vou fazer.
Mas a questão não é ter razão. Não no meu mundo. Nem no dos fatos. A questão é que eu sou uma monstra adorável, abusiva e completamente controladora. A verdade é que eu quero minhas coisas onde elas devem ficar e é que são, são coisas. São todas coisas e eu não sou melhor que elas, porque embora para mim eu seja o centro do meu universo, para os outros eu também sou coisas. E coisas se sujam, quebram. Os outros podem ser destroçados.
Os homens desejam as mulheres quando não são suas, por suas virtudes. Por suas curvas, sua sensualidade. Quando elas são suas, eles querem cobrir-lhes com panos e castidades. Putas na cama, santas fora dela. O clichê permanece, até nos mais feministas.
As pessoas vêem as outras do sexo que lhe interessa, como sexo ambulante, apto a fantasias. Mentem para suas parceiras sobre as traições mentais. Relacionamentos são doentes, nojentos e repulsivos. É assim que eu penso, mesmo estando em um.
O único estado perfeito é a solidão. O amor romântico - Tenho que concordar com meu amigo poeta de araque - é patético por definição. As pessoas gostam das coisas ao longe. Elas contemplam à distância. Com uma ponte - mesmo que pequena, tudo parece mais atraente, delicioso. - Essa talvez seja uma das únicas características um pouco diferenciais que eu tenho, não necessariamente positiva, mas que me leva à desilusões como a que causou este texto. Eu contemplo as coisas de pertinho e quão mais perto, mais me delicio por seus detalhes. Por isso, talvez, que mesmo que eu não quisesse, eu seria monogâmica. A aproximação intensa impossibilita o desvio do foco. Para mim ao menos.
Não obstante...
É verdade que eu talvez mude de ideia em relação a tudo isso e tantas outras coisas mais. Agora mesmo a frieza tranquila se transforma em preguiça - não menos tranquila, que pode virar ódio em um acender de palavras.
Eu não sei...
Mas por que será que me sinto tão refrescada quando sinto esse gosto delicioso de ceticidade dançando na língua? Por que meu eu indivíduo, desentrelaçado das minhas próprias necessidades, me faz sentir tão eu? Seria a solidão meu estado natural? Com certeza sim. Ah. Só não me espera terminar este texto de um jeito bonito.
Estou apenas um pouco passiva agressiva. Aqueles primeiros minutos de ódio inflamando minhas veias passaram.
Estou com vontade de ser cruel. Aquela crueldade despropositada. Estou com a pele leprosa, insensível agora. Meu pior estado de espírito, no qual cometi os piores crimes da minha vida, aqueles que não conto para ninguém.
Estou assim porque não estou surpresa. Muito embora tenha inicialmente tremido de tanta mortificação.
Estou assim porque nada extraordinário aconteceu. Ainda assim minhas convicções de horas atrás de diluiram como pó no mar.
Há horas atrás estava prestes a publicar aqui palavras verticalmente opostas, diametralmente... Bom, vocês entenderam.
Eu não me importo mais com quem lê o que eu digo. Eu não me importo com as consequências dos meus atos. Eu me tornei uma coisa estranha, que eu mesmo não me importo mais decifrar.
Mas o que tem depois de tudo isso. Depois do ódio, da tristeza, da decepção, é a simples e clara aferição de que todos nós somos a mesma coisa, inútil e sem propósito.
Eu também não sou nenhuma santa. Mas eu escondo dentro de mim todos meus pensamentos sinistros e repulsivos. Isso quando não os falo aqui.
Nada daquilo é estranho, fora do comum. Nada do que aconteceu é motivo de um suicídio de um vínculo.
Ninguém me daria razão ao ouvir essa história, talvez. A história. Se eu contasse. Coisa que eu não vou fazer.
Mas a questão não é ter razão. Não no meu mundo. Nem no dos fatos. A questão é que eu sou uma monstra adorável, abusiva e completamente controladora. A verdade é que eu quero minhas coisas onde elas devem ficar e é que são, são coisas. São todas coisas e eu não sou melhor que elas, porque embora para mim eu seja o centro do meu universo, para os outros eu também sou coisas. E coisas se sujam, quebram. Os outros podem ser destroçados.
Os homens desejam as mulheres quando não são suas, por suas virtudes. Por suas curvas, sua sensualidade. Quando elas são suas, eles querem cobrir-lhes com panos e castidades. Putas na cama, santas fora dela. O clichê permanece, até nos mais feministas.
As pessoas vêem as outras do sexo que lhe interessa, como sexo ambulante, apto a fantasias. Mentem para suas parceiras sobre as traições mentais. Relacionamentos são doentes, nojentos e repulsivos. É assim que eu penso, mesmo estando em um.
O único estado perfeito é a solidão. O amor romântico - Tenho que concordar com meu amigo poeta de araque - é patético por definição. As pessoas gostam das coisas ao longe. Elas contemplam à distância. Com uma ponte - mesmo que pequena, tudo parece mais atraente, delicioso. - Essa talvez seja uma das únicas características um pouco diferenciais que eu tenho, não necessariamente positiva, mas que me leva à desilusões como a que causou este texto. Eu contemplo as coisas de pertinho e quão mais perto, mais me delicio por seus detalhes. Por isso, talvez, que mesmo que eu não quisesse, eu seria monogâmica. A aproximação intensa impossibilita o desvio do foco. Para mim ao menos.
Não obstante...
É verdade que eu talvez mude de ideia em relação a tudo isso e tantas outras coisas mais. Agora mesmo a frieza tranquila se transforma em preguiça - não menos tranquila, que pode virar ódio em um acender de palavras.
Eu não sei...
Mas por que será que me sinto tão refrescada quando sinto esse gosto delicioso de ceticidade dançando na língua? Por que meu eu indivíduo, desentrelaçado das minhas próprias necessidades, me faz sentir tão eu? Seria a solidão meu estado natural? Com certeza sim. Ah. Só não me espera terminar este texto de um jeito bonito.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Um curioso causo
De caminhos se fez ninhos, de ninhos se fez corrente.
E serpentes - não são as mais escorregadias, nem sempre.
Os moços de olhos claros, de sorrisos raros e mãos quentes.
São os mais perigosos - bicho domesticado - são cabulosas as
coisas que sentem.
Dissera Seu João que tomasse cuidado com os sorrisos largos.
Porque as pessoas de bom coração tendem a tornar-se
metódicos carrascos.
Meu coração é quente e minhas mãos inquietas. Minhas asas
são instáveis - Por vezes não param quietas.
Mas nada mais perigoso que um rapaz gentil.
Ele te entrega a mão e o coração, te surpreende com
inocência.
Te dá a chave, a senha e combinação - Te assusta tamanha sua
alta frequência.
Inicialmente, claro. Ele te entrega um mundo. Te faz sentir
até desconfortável com tanta entrega.
Te dá a ilusão de controle e com ela o direito
De perder-se, às vezes, nesta floresta.
Para mim, bicho do mato, no entanto já vacinado, bicho
prejudicado
O ceticismo me dói como um colírio necessário
Mas como resistir a encantador relicário?
Bochechas rubras, sorriso esticado. Honestidade até no
gaguejar eventual e desajeitado. Uma delícia de presa.
E como nele não se perdê-la?
De insistência vence o gajo,
E com tanto afeto demonstrado, abate o gado.
Induz a uma morte precoce da dúvida soturna,
E te leva de pedra a água na velocidade da lua
Um causo curiosíssimo para os conhecedores de causa
Valha.
Da selvageria se fez calma
E da fuga, apego louco.
Manha, agarrado, choro. Coisa de doido.
Transformado o predador na presa
Velha nova fábula antiga da quimera
Que de quimera nunca teve nada.
Delicioso rapaz do sorriso bobo,
Agora faz o que quer com o que corre em tuas mãos.
Pratica as jogadas se assim te apraz
Ou apenas deixa levar pelo não arrependimento eficaz
Mas trata de deixar a dúvida na opção
E o que vai fazer com o que tem em teu poder
Cabe exclusivamente a tua razão.
Por que diabos não ouvi o Seu João?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
4 letters
Estive a vida inteira escrevendo sobre apego, necessidade e possessão. Sem muito sentido de lógica. Escrevi sobre ideologia cada vez que vi coisas que não existiam em pessoas, apenas para satisfazer minhas fantasias literárias, para me estimular à paixão. Mas escrever sobre o amor?
Eu não sei se já o fiz. Escrevi sobre momentos de amor. Sobre a sensação tátil daquele segundo. Não escrevi sobre como é complicado e por vezes contraditório. Não escrevi sobre o ódio que reside no amor. Não falei sobre um dia difícil, em que a pessoa amada te desencanta. Em que ela age ao reverso do que tu esperas, e como por um momento pode sentir vontade de correr para longe dela e detestá-la. Como às vezes características que tu não admiras se manifestam no teu objeto do afeto. E se o que tu sentir for efêmero, elas vão sim sobrepujar todo o resto com o tempo. Vão acumular-se e criar o sentimento de repúdio que torna tão fácil deixar alguém.
Mas e quando após um dia difícil, um dia daqueles. Em que tal como o gatinho que te arranhas quando tu tenta um carinho, a pessoa que tu amas te decepciona quando tu precisa dela. O que falar sobre como, mesmo após um dia cansativo (a pior das sensações em relacionamentos, talvez), você vê o sorriso daquela pessoa. Você a vê se emocionar com algo que não é nem teu, apenas vê seus olhos brilharem e seu sorriso crescer no rosto e a alegria tomar suas feições e tudo some. Qualquer desapontamento parece banal e distante e as lágrimas vem ao rosto, meio que sem avisar, porque é emocionante vê-lo feliz e emocionado, mesmo que não contigo. E naquele momento, quando tudo borbulha dentro de ti e não é porque está sendo amada ou afeiçoada, não naquele momento específico. Não é sobre tu a felicidade com ele. Não é sobre vocês. É porque ele está feliz, apenas, e por isso apenas tudo borbulha dentro de si e vira mágica, vira montanha russa, vira felicidade. Porque ele está feliz.
Um dia um amigo nosso, nos vendo, disse: "Olha que o mais interessante é que mais feliz que ele, que ganhou o presente, está ela, o olhando enquanto ele o recebe."
E ele estava certo.
A esse passo, acho que estou pronta para falar de amor.
Eu não sei se já o fiz. Escrevi sobre momentos de amor. Sobre a sensação tátil daquele segundo. Não escrevi sobre como é complicado e por vezes contraditório. Não escrevi sobre o ódio que reside no amor. Não falei sobre um dia difícil, em que a pessoa amada te desencanta. Em que ela age ao reverso do que tu esperas, e como por um momento pode sentir vontade de correr para longe dela e detestá-la. Como às vezes características que tu não admiras se manifestam no teu objeto do afeto. E se o que tu sentir for efêmero, elas vão sim sobrepujar todo o resto com o tempo. Vão acumular-se e criar o sentimento de repúdio que torna tão fácil deixar alguém.
Mas e quando após um dia difícil, um dia daqueles. Em que tal como o gatinho que te arranhas quando tu tenta um carinho, a pessoa que tu amas te decepciona quando tu precisa dela. O que falar sobre como, mesmo após um dia cansativo (a pior das sensações em relacionamentos, talvez), você vê o sorriso daquela pessoa. Você a vê se emocionar com algo que não é nem teu, apenas vê seus olhos brilharem e seu sorriso crescer no rosto e a alegria tomar suas feições e tudo some. Qualquer desapontamento parece banal e distante e as lágrimas vem ao rosto, meio que sem avisar, porque é emocionante vê-lo feliz e emocionado, mesmo que não contigo. E naquele momento, quando tudo borbulha dentro de ti e não é porque está sendo amada ou afeiçoada, não naquele momento específico. Não é sobre tu a felicidade com ele. Não é sobre vocês. É porque ele está feliz, apenas, e por isso apenas tudo borbulha dentro de si e vira mágica, vira montanha russa, vira felicidade. Porque ele está feliz.
Um dia um amigo nosso, nos vendo, disse: "Olha que o mais interessante é que mais feliz que ele, que ganhou o presente, está ela, o olhando enquanto ele o recebe."
E ele estava certo.
A esse passo, acho que estou pronta para falar de amor.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Pausa para repetir o óbvio
Pessoas são furacões esperando para acontecerem
Bem no meio de sua vida, em um dia de setembro, na realização de seus sonhos ou em suas próprias mentes, a todo momento.
Mas mensurando em proporções gerais, somos todos irrelevantes.
Eu, você, esse problema que está quebrando a sua cabeça, seus piores segredos e desejos mais insanos.
Fica muito fácil assim, tornar qualquer coisa aceitável. Sair de si um pouco e comer um pouco do todo. Fica fácil aceitar derrotas, insatisfações e a completa contrariedade dos fatos com nossas expectativas... sempre tão efêmeras
Eu me lembro bem da sensação de fracasso, amargando um pouquinho minha língua. Lembro dessas vezes e como elas são mais finalistas do que as vitórias. Porque o fracasso encerra um plano natimorto, encerra um ciclo. Isso, não obstante toda a autocrítica e comiseração, traz uma sensação de fechamento. "Fechando gestalts", não é mesmo?
Já a vitória é um trampolim frenético que nunca pára, nunca respira, nunca dorme. E eu sou viciada nesse trampolim desde que recebi o primeiro sinal de reconhecimento, porque explodo em mim constantemente. E quando saio um pouco, dou uma volta e olho para dentro, percebo a desnecessidade de tudo isso - ainda que saiba que voltarei em breve.
E essa vaidade toda é bem mais interna do que se possa pensar. Porque o buraco aumenta com os anos, consumindo tudo ao seu redor, exigindo perfeição e resultado, tudo em busca de respostas a perguntas que vão ecoar como um epitáfio meu.
Mas tudo isso - repito desde os 13 anos - também é passageiro, não é?
Oh Céus. A dor e a paixão. A completa tendência ao suicídio e a paz inequívoca, tão voláteis. Em mim, revezam até em minutos.
E como eu amo essa instabilidade. Como eu adoro a essa liberdade doce de saber que tudo se recicla constantemente, sendo absolutamente desnecessário para a centelha que trago em mim. Tudo se esvai, e só fica a vontade daquele exato instante. E como isso nos faz livres. E como isso nos faz frios.
Bem no meio de sua vida, em um dia de setembro, na realização de seus sonhos ou em suas próprias mentes, a todo momento.
Mas mensurando em proporções gerais, somos todos irrelevantes.
Eu, você, esse problema que está quebrando a sua cabeça, seus piores segredos e desejos mais insanos.
Fica muito fácil assim, tornar qualquer coisa aceitável. Sair de si um pouco e comer um pouco do todo. Fica fácil aceitar derrotas, insatisfações e a completa contrariedade dos fatos com nossas expectativas... sempre tão efêmeras
Eu me lembro bem da sensação de fracasso, amargando um pouquinho minha língua. Lembro dessas vezes e como elas são mais finalistas do que as vitórias. Porque o fracasso encerra um plano natimorto, encerra um ciclo. Isso, não obstante toda a autocrítica e comiseração, traz uma sensação de fechamento. "Fechando gestalts", não é mesmo?
Já a vitória é um trampolim frenético que nunca pára, nunca respira, nunca dorme. E eu sou viciada nesse trampolim desde que recebi o primeiro sinal de reconhecimento, porque explodo em mim constantemente. E quando saio um pouco, dou uma volta e olho para dentro, percebo a desnecessidade de tudo isso - ainda que saiba que voltarei em breve.
E essa vaidade toda é bem mais interna do que se possa pensar. Porque o buraco aumenta com os anos, consumindo tudo ao seu redor, exigindo perfeição e resultado, tudo em busca de respostas a perguntas que vão ecoar como um epitáfio meu.
Mas tudo isso - repito desde os 13 anos - também é passageiro, não é?
Oh Céus. A dor e a paixão. A completa tendência ao suicídio e a paz inequívoca, tão voláteis. Em mim, revezam até em minutos.
E como eu amo essa instabilidade. Como eu adoro a essa liberdade doce de saber que tudo se recicla constantemente, sendo absolutamente desnecessário para a centelha que trago em mim. Tudo se esvai, e só fica a vontade daquele exato instante. E como isso nos faz livres. E como isso nos faz frios.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Ela encarava o vidro da larga parede de vidro. Encarava os transeuntes alienados de sua existência, do lado de fora do estabelecimento. Os carros que buzinavam, um bando de pássaros sem muito equilíbrio, as árvores estáticas devido ao calor.
E com ele, o que faria?
Se perguntou.
O que faria com ele?
A pergunta era retórica, ao passo que encarava todo o ambiente sem qualquer irresignação. Afinal, estava de corpo, mente e alma, completamente dominada por aquele sentimento. Sua racionalidade não tinha desaparecido, não, nada disso. Ela estava ali, contemplando cética a vida do lado de fora daquela cafeteria. E ceticamente, tinha a consciência límpida de que estava completamente entregue àquele amor. Era uma entrega calma e tranquila, sem muito rebuliço pois não havia absolutamente nada a ser feito contra ela. Qualquer dano que lhe abatesse proveniente daquela entrega era desde então, inevitável, mesmo que previsível. Pois não sabia ser infiel a seus sentimentos. E todos eles eram do amor mais absoluto que podia existir.
E o que faria com isso? O que faria com ele?
Ora, uma voz respondeu dentro de si. Amá-lo. Amá-lo com todas as suas forças, pois é para isso que ele foi feito. Ele nasceu neste mundo, estava certa, para ser amado. Para ter derramado sobre si, centelhas de carinho e acolhimento, pois ele todo era amor e tudo o que emanava vinha translúcido e gentil. Ele era isso, amor e felicidade. E tudo que ela podia e iria fazer, era amá-lo incondicionalmente, com o mesmo amor que ele trazia ao mundo com o simples fato de existir.
E com ele, o que faria?
Se perguntou.
O que faria com ele?
A pergunta era retórica, ao passo que encarava todo o ambiente sem qualquer irresignação. Afinal, estava de corpo, mente e alma, completamente dominada por aquele sentimento. Sua racionalidade não tinha desaparecido, não, nada disso. Ela estava ali, contemplando cética a vida do lado de fora daquela cafeteria. E ceticamente, tinha a consciência límpida de que estava completamente entregue àquele amor. Era uma entrega calma e tranquila, sem muito rebuliço pois não havia absolutamente nada a ser feito contra ela. Qualquer dano que lhe abatesse proveniente daquela entrega era desde então, inevitável, mesmo que previsível. Pois não sabia ser infiel a seus sentimentos. E todos eles eram do amor mais absoluto que podia existir.
E o que faria com isso? O que faria com ele?
Ora, uma voz respondeu dentro de si. Amá-lo. Amá-lo com todas as suas forças, pois é para isso que ele foi feito. Ele nasceu neste mundo, estava certa, para ser amado. Para ter derramado sobre si, centelhas de carinho e acolhimento, pois ele todo era amor e tudo o que emanava vinha translúcido e gentil. Ele era isso, amor e felicidade. E tudo que ela podia e iria fazer, era amá-lo incondicionalmente, com o mesmo amor que ele trazia ao mundo com o simples fato de existir.
domingo, 22 de novembro de 2015
Cores e Texturas
Seus olhos são castanhos e seus beijos são azuis
A cor do seu abraço é a de um outono de folhas caindo, alaranjadas e castanhas.
Quando seu coração se magoa, seu olhar é de um cinza opaco, fulminante,
E quando tua pele chama a minha, é vermelho e vinho, escorrendo de teus olhos.
A sua mão segurando a minha é da textura do aconchego de uma cama em um dia frio
E nossas tardes enrolados são alaranjadas e musicadas, mesmo em completo silêncio.
Quando eu choro e tu me abraças, esse abraço é azul claro, e tem o cheiro de uma piscina na manhã.
Quando eu peço teu carinho e tu me abre os braços, é o mesmo castanho dos teus olhos o que eu sinto ao meu redor.
E quando a saudade ataca, eu sinto um violento violeta se debater dentro de mim,
Mas quando tu a matas, me matando de carinho, a explosão é de conforto e tem a cor carmim.
Quando eu sonho nossos sonhos, ele tem a suave cor de um marfim tranquilo
E ao imaginar nossas aventuras, elas brilham azul e vermelho, explodindo em expectativa.
E quando trocamos aqueles olhares, ah aqueles olhares...
Quando olhamos um na alma do outro e o que eu vejo é infinito, transbordam cores e texturas, infinitas explosões nunca antes imaginadas, eletricidade e incredulidade e quando tudo se acalma, tudo o que fica é a paz.
E ela é intraduzível.
A cor do seu abraço é a de um outono de folhas caindo, alaranjadas e castanhas.
Quando seu coração se magoa, seu olhar é de um cinza opaco, fulminante,
E quando tua pele chama a minha, é vermelho e vinho, escorrendo de teus olhos.
A sua mão segurando a minha é da textura do aconchego de uma cama em um dia frio
E nossas tardes enrolados são alaranjadas e musicadas, mesmo em completo silêncio.
Quando eu choro e tu me abraças, esse abraço é azul claro, e tem o cheiro de uma piscina na manhã.
Quando eu peço teu carinho e tu me abre os braços, é o mesmo castanho dos teus olhos o que eu sinto ao meu redor.
E quando a saudade ataca, eu sinto um violento violeta se debater dentro de mim,
Mas quando tu a matas, me matando de carinho, a explosão é de conforto e tem a cor carmim.
Quando eu sonho nossos sonhos, ele tem a suave cor de um marfim tranquilo
E ao imaginar nossas aventuras, elas brilham azul e vermelho, explodindo em expectativa.
E quando trocamos aqueles olhares, ah aqueles olhares...
Quando olhamos um na alma do outro e o que eu vejo é infinito, transbordam cores e texturas, infinitas explosões nunca antes imaginadas, eletricidade e incredulidade e quando tudo se acalma, tudo o que fica é a paz.
E ela é intraduzível.
sábado, 21 de novembro de 2015
Eu posso
Deliciosamente brincar com a dinâmica de meus dedos,
Contando histórias em encruzilhadas, de marcações, trocadilhos, ciladas...
Posso supor, imaginar o óbvio. Reconstruir tudo em meu crânio de ferro.
Posso plantar sementes de plantas venenosas em vasos de orquídeas, de lírios, de rosas.
O que eu tenho em mãos, é meu pela tomada. Gosta de sê-lo.
O que eu criei, segundo minha própria lei, fiz com uma delicada dedicação.
Tomei-lhe a contramão, afundei em minhas regras. As quebrei, sem nenhum rédea, as domei sem dominação.
Com um refinamento,
Tão particular,
De tomar espaços desertos e chamá-los de lar.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Re escritos
Olha, é que meu amor não é talentoso. Ele é grande, desajeitado, não sabe andar direito. Ele está tão surpreso com esse mundo, que o tempo todo explode no peito. E eu não sei lidar com ele. Na cidade do meu amor não tem prefeito.
Mas tem você.
E para ti eu dou todas as ruas,
Te dou os asfaltos, te pago os impostos.
Com ti, delicadamente me importo,
Dentro de uma caixinha,
Sem planejamento nenhum,
Mas com um laço decorado...
Meu amor é aquele quadro inacabado.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Estrelas
Eles eram um casal antigo, vivendo em corpos jovens. Sua
casa era um ninho aconchegante e despretensioso, cujos únicos luxos eram uma
sala super equipada para receber seus amigos e assistir os filmes que ele tanto
amava e um escritório pequeno e vitoriano, no qual passavam algumas tarde em
silêncio confortável, cada uma escrevendo seus sonhos, em suas mesinhas de
mogno.
Com uma enorme janela, para seu jardinzinho gentil,
passavam finais de tarde chuvosos e domingos de manhã, fugindo da loucura da
vida cotidiana, colocando seus personagens no papel, sempre com a trilha sonora
que tanto amavam e eventuais fugas do tema para um carinho gentil aqui e acolá.
Ainda assim, eram um casal velhinho. Ela com suas roupas
retrô folgadas e ele com uns cardigans largos e super confortáveis.
Em seu tempo livre ainda gozavam do prazer lúdico de jogar
seus sentimentos em telas de pintura. Verdade seja dita, ele tinha mais técnica
que ela. Mas na hora de pintar, ela exalava paixão. Essa combinação resultava
em pinturas que mais pareciam uma simbiose de personalidades, fazendo jorrar
cores de formas, e texturas de desenhos. O ateliê dos dois era um pequeno
porão, iluminado por lâmpadas que pendiam em garrafas de cerveja e com o cheiro
que tornou-se tão familiar, de tinta óleo e madeira.
Eles tinham uma vida completa, por assim dizer. Ela, com
sua personalidade um tanto instável, rasgando momentos de fragilidade em raiva
e em alguns desses episódios, rasgando algumas telas, só para depois
abraçá-las, chorando. Ele, mais ou menos como um senhor de idade: Com seu
autoritarismo que ao mesmo tempo não admitia muita flexibilidade, mas
dobrava-se a abraçar todas as angústias dela, que tentavam entender juntos. Se
completavam, de fato.
Ela tinha consciência do quanto precisava dele, declarando
por várias vezes que não podia viver sem o seu amor. Ele, o racional, explicava
para si mesmo e em conversas cabeça com seu grupo de amigos, como era possível
viver sem qualquer coisa, mesmo que doesse. Mas a verdade é que quando a via
cochilar no sofá, tranquila, sabia intimamente que desde algum ponto que não
sabia bem qual, não podia viver mais sem ela.
A vida deles, para quem via de fora e também para quem os
conhecia bem, era um sonho bom. Não um sonho irreal, americano ou de comercial
de margarina. Eles brigavam, choravam, enfrentavam problemas quase impossíveis.
Mas no final dos dias, descansavam o rosto um no outro e dormiam em uma
sensação de que seu encontro por si só, era a grande sorte na vida que
procuravam.
Apenas uma coisa tornavam suas vidas incompletas. Era o
fato de ela não poder ter filhos. Uma frustração, que desde que descoberta a
fazia sentir incompleta não só pela falha de seu organismo, mas também pelo
brilho no olhar que via no olhar dele ao olhar para qualquer criança. Ele era
um pai nato, uma daquelas poucas pessoas raras com a verdadeira vocação para
criar outro ser humano. E ela sentia que jamais conseguiria satisfazer isso. Não
obstante tivessem em seu ninho dois anjinhos peludos - Um labrador calmo e uma
yorkshire elétrica - sabia que essa sempre seria uma lacuna em suas vidas.
Ainda assim, eram felizes. Direcionavam seu amor para seus
peludos, dormindo em posições escabrosas, enterrando suas cabeças em pêlos e
muitas vezes acordando entre alergias e risadas.
Foi por tudo isso, por todo o ar de sonho de sua vida e
pela quantidade de felicidade ser tão imensurável nos dias em que viviam, que o
choque foi tão forte quando receberam o diagnóstico.
Ela mal podia acreditar. As imagens pareciam um pesadelo,
enquanto via a boca do médico se mover, mas não conseguia, a partir de certo
ponto, distinguir as palavras que saiam dela.
Ironicamente, sempre tivera a sensação de que iria morrer
cedo. Sempre brincara com isso, enquanto se enrolava nele, entre cócegas e
ameaças jocosas:
"Cuide bem de mim que eu vou morrer cedo, viu!"
Quem diria que seria ele, seu grande amor, que a deixaria
tão prematuramente?
Olhou para o rosto dele, sereno e impassível. Sabia
intimamente que ele iria conter todo o seu medo e dor, com o único objetivo de
não assustá-la ainda mais.
Sua enfermidade era uma daquelas raridades que acomete o
azarado 0,00001%. E ele era essa maldita porcentagem. Não haveria dor, não
haveria prolongação. Mas em compensação, não haveria tempo.
Quando saíram do consultório médico, ele estava em
silêncio. Ela o olhava aflita, esperando ler sua reação, entender seus
sentimentos. Mas o olhar dele era tranquilo e lúcido. Aquela rara lucidez dos
que não tem tempo a perder e ganham subitamente a consciência disso.
Passaram aquele dia praticamente em silêncio. Fizeram
alguns acordos mútuos. Sonhos que teriam que ser adiantados, encaminhamentos
familiares, e principalmente, a promessa do segredo.
Chegaram em casa ao pôr do sol e descansaram do maior
cansaço de suas vidas, naquela cama macia.
Em algum momento da madrugada ele a acordou, com um carinho
gentil. A beijou na bochecha e sussurrou o seu nome baixinho, a despertando com
gentileza. Ela acordou com uma lágrima no canto dos olho e a voz dele cruzou
sua mente como o som mais belo do mundo: "Vem comigo, meu amor."
Ela o seguiu, sonolenta, esfregando os olhos ainda em seus
pijamas. Eles saíram da casa descalços e ele a levou por um caminho de
pedrinhas que ela não conhecia até então. Passaram por umas árvores que
pareciam - talvez pelo horário, talvez pelo sono - maiores e imensamente mais
imponentes do que em todos os dias - e esse pequeno trajeto os levou a uma
beira mar, extensa e inacabável.
"Isso já existia aqui?", ela perguntou confusa.
Estaria sonhando? Ele a olhou e seus olhos disseram tantas verdades que ela
levaria vidas para entender.
Ele segurou sua mão e encararam a imensidão ao seu redor,
tão maior que eles. Tão inexplicável.
O toque da mão dele na dela, sua pele. A sensação e
textura irradiava a calma e serenidade da certeza: Eram almas gêmeas. Ele a
olhou com muita lucidez:
"Nós sempre nos encontraremos", ele lhe prometeu.
Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas não eram bem de tristeza, ao
contrário. Uma emoção profunda a dominou por completo e seu peito fervilhava de
amor. Todo o amor do mundo. Ela sorriu e beijou levemente seus lábios. Repetiu
as palavras dele e quando deram por si, olharam para cima e viram dezenas,
centenas e talvez milhares de finos raios de luz rompendo o céu negro em um
instante ínfimo. Um milhão de estrelas cadentes parecia naquele momento
irromper pelo céu acima de suas cabeças, como uma chuva de meteoros, de sonhos
ou promessas. Olharam admirados aquele momento que desafiava toda a realidade,
tendo a certeza de que a mágica existia e estava dentro e fora deles.
Foi pouco tempo depois que o inevitável aconteceu. De
maneira serena, um dia de domingo ela acordou e soube. Foi até a sala e lá o
encontrou, descansando, no sofá, como no sono mais tranquilo no mundo. Um sono
eterno. Uma lágrima escorreu de seu rosto, mas seu coração estava em paz.
Poucas semanas depois ela encontraria o mesmo sono, também em um domingo
chuvoso. Nenhum dos familiares ou amigos encontrou uma explicação científica
para como ela se foi, mas todos intimamente sabiam. Ela morrera de amor.
Depois disso, encontraram-se diversas vezes,
Uma vez foram estrangeiros que se cruzaram em um país
exótico, ambos em busca de aventura e fugindo do amor. Outra, tiveram certa
diferença de idade que os fizeram ser professora e aluno, o que não impediu o seu
amor. Da última, eram colegas de infância que se reencontraram apenas na
terceira idade, descobrindo o amor que ao longo de suas vidas jamais tinha lhes
acontecido.
Atualmente, são dois adolescentes de ensino médio, melhores
amigos que ainda não sabem que estão apaixonados. Ainda irão discutir algumas
vezes enquanto redescobrem tudo mais uma vez. Mas sempre redescobrirão. Porque
são estrelas, são almas gêmeas. E sempre se encontrarão.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Estou sentada em um chão frio, meio familiar, meio hostil.
Me sentindo totalmente nua, despida da necessidade de agradar um público que não existe há muito tempo nesse espaço.
Existe uma liberdade gentil ao tentar ser ao menos um pouco sincera comigo mesma.
Em admitir uma solidão conformada.
Uma fragilidade inerente.
Toda a farsa da minha frieza.
Em relação a tudo e a todos.
Minha indiferença,
da qual já convenci tanta gente.
Meu sorriso propositalmente azedo.
Toda a dor óbvia disfarçada de maldade.
E um monte de mágoas.
De saudades de mim mesma.
Eu ainda sou aquela criança
Aquele monte de medos.
De palavras bestas.
Tentando mandar mensagens
Para uma luz no universo,
Que me acalente a alma,
Que me acalme o medo,
Que me desenfureça.
Eu tenho medo de mim mesma.
Das consequências da minha raiva,
Da minha dor que eu não entendo.
Da solidão em meio a tanta mágoa
Que eu não sei de onde veio.
Tentando me segurar
Nos meus osso frágeis
Uma gata magra disfarçada de raposa.
Quem se importa?
Me sentindo totalmente nua, despida da necessidade de agradar um público que não existe há muito tempo nesse espaço.
Existe uma liberdade gentil ao tentar ser ao menos um pouco sincera comigo mesma.
Em admitir uma solidão conformada.
Uma fragilidade inerente.
Toda a farsa da minha frieza.
Em relação a tudo e a todos.
Minha indiferença,
da qual já convenci tanta gente.
Meu sorriso propositalmente azedo.
Toda a dor óbvia disfarçada de maldade.
E um monte de mágoas.
De saudades de mim mesma.
Eu ainda sou aquela criança
Aquele monte de medos.
De palavras bestas.
Tentando mandar mensagens
Para uma luz no universo,
Que me acalente a alma,
Que me acalme o medo,
Que me desenfureça.
Eu tenho medo de mim mesma.
Das consequências da minha raiva,
Da minha dor que eu não entendo.
Da solidão em meio a tanta mágoa
Que eu não sei de onde veio.
Tentando me segurar
Nos meus osso frágeis
Uma gata magra disfarçada de raposa.
Quem se importa?
sábado, 31 de outubro de 2015
The Hunger
O que eu sinto por ele? Você sabe o que eu sinto por ele.
Eu quero devorá-lo.
Quero engolir tudo o que o rodeia, o guardar em mim.
Quero tocar sua alma, encontrá-la. Enfiar minhas mãos dentre suas entranhas e apertar seu coração até senti-lo estagnar. E então reavivá-lo.
Eu quero ver sua alma, porque me encantam as coisas que se mostram.
E não me canso jamais de adorá-la, porque ele a faz translúcida para mim.
Ele me mostra tal como é e por isso eu a idolatro.
A chupo como uma manga recém saída do pé, recém nascida.
Contorno seus sabores com meus dedos, os cultivo em minhas raízes.
E por isso ele precisa de mim, ele se fixa em mim, como se eu lhe fosse o chão.
Porque todos nós queremos ser devorados e idolatrados, mesmo que por canalhas e mentirosos.
Nós queremos devorar e ser devorados.
E eu o deixo devorar meu tempo, meu zelo e meus cuidados. O deixo consumir minha vida líquida, a única e extraordinária que carrego comigo.
Porque quando o olho vejo um flash de coisas que minha veia sociopata e antipática não consegue explicar.
E mesmo depois desse tempo, depois de decifrar suas razões lógicas, ele instiga toda minha falta de racionalidade.
E devorá-lo diariamente apenas vêm me deixando mais sedenta.
Eu o quero pela vida toda, do jeito mais sincero que encontro em mim.
E o quero vivo, por isso lhe cuido. Porque ver seu sorriso vivo mantém a chama viva em mim.
Que a chama não se apague.
Que a fome não acabe.
Eu quero devorá-lo.
Quero engolir tudo o que o rodeia, o guardar em mim.
Quero tocar sua alma, encontrá-la. Enfiar minhas mãos dentre suas entranhas e apertar seu coração até senti-lo estagnar. E então reavivá-lo.
Eu quero ver sua alma, porque me encantam as coisas que se mostram.
E não me canso jamais de adorá-la, porque ele a faz translúcida para mim.
Ele me mostra tal como é e por isso eu a idolatro.
A chupo como uma manga recém saída do pé, recém nascida.
Contorno seus sabores com meus dedos, os cultivo em minhas raízes.
E por isso ele precisa de mim, ele se fixa em mim, como se eu lhe fosse o chão.
Porque todos nós queremos ser devorados e idolatrados, mesmo que por canalhas e mentirosos.
Nós queremos devorar e ser devorados.
E eu o deixo devorar meu tempo, meu zelo e meus cuidados. O deixo consumir minha vida líquida, a única e extraordinária que carrego comigo.
Porque quando o olho vejo um flash de coisas que minha veia sociopata e antipática não consegue explicar.
E mesmo depois desse tempo, depois de decifrar suas razões lógicas, ele instiga toda minha falta de racionalidade.
E devorá-lo diariamente apenas vêm me deixando mais sedenta.
Eu o quero pela vida toda, do jeito mais sincero que encontro em mim.
E o quero vivo, por isso lhe cuido. Porque ver seu sorriso vivo mantém a chama viva em mim.
Que a chama não se apague.
Que a fome não acabe.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Lugar comum
Ela estava sentada, sobre as próprias pernas.
Longas e pálidas, pernas magras.
Claras como um vidro, transparentes como a chuva.
Seus olhos escorriam como mel, tocando o chão, pingando um doce
enjoado, manjado, escorrido e estrelado.
Ela devia ter uns 13 anos, em idade de estrelas.
Tinha nas mãos uns emaranhados. Uns fios incompreensíveis, de destinos
que já cruzou.
Eles perdiam-se em algum momento, todos eles, saiam de seu alcance. A
maioria prateados, alguns pouquíssimos vermelhos. Com o tempo, às vezes,
mudavam de cor.
Do lado esquerdo tinha uma sacola grande, cheia de coisas que lhe
deram. Cada um de seus amores:
Palavras, palavras, palavras.
-Eles falam muito.
Ela disse para si mesma, com sua voz de cristal, translúcida e incompreensível.
Tinha um grande montinho delas.
Palavras bonitas, articuladas. Muitas do tipo que menos gostava:
Promessas.
Elas vinham em cestas com flores, com doces: Com todo o tipo de coisas
que apodreciam com o tempo.
Eram das iguarias mais refinadas: Produtos com prazo de validade.
Enquanto serviam, eram deliciosas. Quando expiravam, apenas memórias velhas.
Ela separou as promessas ao seu lado, à esquerda de quem vem.
Com as linhas fez uma cortina, um bizarro trançado de lembranças. De
fantasmas.
Dentro de uma caixinha de veludo, no entanto, deu uma olhada mais
delicada. Até impediu que o mel a tocasse: Era a caixinha de corações.
Quem a olhasse de longe, o que diria? Envolta naquela penumbra escura e
fria, menina de vidro devoradora de corações.
Mas as pessoas eram hipócritas, eram todas umas farsantes. Enfiaram
vidrinhos em suas pernas. Sangraram a cada visita a força e vitalidade delas.
Arrancaram o mel forçado de seus olhos, e enfraqueceram suas costelas. A cada
visita delas.
Como esmola, deixaram, cada uma, de lembrança, seu coração.
Mas aqueles, ela dizia, abrindo a caixinha,
Eram corações descartáveis.
Que cresciam de novo, assim que davam dez passos.
Ainda não tinha provado, mas imaginava que quando o fizesse,
É quase certo que os vomitasse.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Vez por outra existem camufladas dentro das multidões, pessoas
extraordinárias. Elas passam a maior parte do tempo escondidas, vivendo uma
vida comum, sem que ninguém - e muitas vezes nem elas mesmas - desconfiem do
tesouro que carregam dentro de si. Elas podem trabalhar, estudar, sair com os
amigos, ter relacionamentos, enfim. Viver uma vida supostamente normal, sem
sequer desconfiarem de quem realmente são. Você pode até conhecê-las de vista,
sem nem fazer ideia: Seja cruzando nos corredores da faculdade, passando por
elas na cantina, perguntando se querem fazer avaliação institucional (rsrs)...
A princípio, é só uma pessoa normal. Exceto que não é.
Eu não sei dizer se existem muitas assim, porque verdade
seja dita, eu só conheço uma. Ou melhor, só tive a inacreditável sorte de
descobrir uma pessoa assim. E que sorte infinita para se ter em uma vida...
Porque eu sei, eu sei, existem vários valores e parâmetros para
se avaliar se você admira ou não alguém, se essa pessoa é interessante. Mas acredito
que essa característica especial, essa centelha inexplicável seja absoluta. E
só não se fascina com ela, quem não prestou atenção o suficiente para
descobri-la.
Essa pessoa de quem eu falo carrega dentro de si esse
tesouro: Uma incomensurável capacidade de amar. Um coração tão impecavelmente
belo que à primeira vista parece um truque, um embuste. Afinal, como pode uma
coisa dessas sobreviver nesse mundo?
Algo assim não se aprende, não se ensina. É um elemento tão
raro, que só posso acreditar que é inerente. Como um dom, um presente que a
vida te deu e que presenteia a todos ao seu redor: "Vai lá, nasce e faz
das pessoas que tu amar as mais felizes do mundo", parece que disseram.
Então hoje eu só queria te agradecer. Não é nenhuma data
comemorativa, mas é algo tão bonito quanto, é um “todo-dia”. Obrigada por
todo dia ser exatamente quem tu é e por ter me deixado descobrir isso, para que
assim eu possa, todos os dias, te mostrar também. Ou até mesmo contar para um
monte de gente, assim, de uma vez só, do nada.
Eu te amo, criatura. Te amo porque te amo, mas tenho a sorte
de não faltarem motivos para te amar cada vez mais.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Feel
Eu não saberia profetizar,
Arriscar nos dados as chances matemáticas.
Não saberia usar a lógica e a razão,
Calcular a probabilidade de um "não"
Um dia chegar até nós.
Eu sei que já senti muita coisa,
Já escrevi mil textos de amor,
Já jurei coisas impossíveis,
E já fiz outros chorarem de dor.
Mas você...
Eu olho dentro dos seus olhos inacreditáveis,
E acolhida dentre os teus braços...
O mundo desaparece ao redor,
E se torna apenas nosso indefectível quadro.
Eu sinto essa certeza brotar dentro de mim como uma floresta,
E seus galhos crescerem e florescerem a cada gesto teu.
Eu sinto esse sentimento me envolver como se fosse o universo,
Sendo eu mera consequência desse amor meu.
Eu sinto no nosso olhar amarrado,
Nas nossas mãos entrelaçadas,
Nos nossos cabelos se misturando,
Nas nossas peles se encontrando.
Eu sinto na lembrança constante do teu sorriso,
Do teu timbre grave e melódico de voz.
Na doçura do teu beijo incrível,
No amor que eu sinto tanto que dói.
Eu te sinto em todas as células do meu corpo,
Eu me sinto dentro de ti.
Eu sinto,
finalmente.
Eu te amo.
Arriscar nos dados as chances matemáticas.
Não saberia usar a lógica e a razão,
Calcular a probabilidade de um "não"
Um dia chegar até nós.
Eu sei que já senti muita coisa,
Já escrevi mil textos de amor,
Já jurei coisas impossíveis,
E já fiz outros chorarem de dor.
Mas você...
Eu olho dentro dos seus olhos inacreditáveis,
E acolhida dentre os teus braços...
O mundo desaparece ao redor,
E se torna apenas nosso indefectível quadro.
Eu sinto essa certeza brotar dentro de mim como uma floresta,
E seus galhos crescerem e florescerem a cada gesto teu.
Eu sinto esse sentimento me envolver como se fosse o universo,
Sendo eu mera consequência desse amor meu.
Eu sinto no nosso olhar amarrado,
Nas nossas mãos entrelaçadas,
Nos nossos cabelos se misturando,
Nas nossas peles se encontrando.
Eu sinto na lembrança constante do teu sorriso,
Do teu timbre grave e melódico de voz.
Na doçura do teu beijo incrível,
No amor que eu sinto tanto que dói.
Eu te sinto em todas as células do meu corpo,
Eu me sinto dentro de ti.
Eu sinto,
finalmente.
Eu te amo.
Com ele,
o tempo tem um sabor diferente.
"I lay in the floor, pressing my eyes.
Seing little lights..."
Antigamente as árvores eram só folhas e o vento era só uma ocasionalidade.
Hoje em dia quando tudo isso se une, com seu sorriso em primeiro plano, o tempo para por um momento.
Eu fecho os olhos nesse momento infinito e me sinto intimamente ligada com a natureza. Tudo faz um sentido, finalmente. Eu faço sentido, me sentindo cada vez mais preenchida.
Pedacinhos de luz fazem sombras ante minhas pálpebras fechadas.
O cheiro dele é o cheiro das árvores ao sol, é o cheiro de casa, o cheiro de felicidade.
O seu sorriso aquece meu peito, como um café em um dia frio.
Eu o amo,
sem mais delongas.
o tempo tem um sabor diferente.
"I lay in the floor, pressing my eyes.
Seing little lights..."
Antigamente as árvores eram só folhas e o vento era só uma ocasionalidade.
Hoje em dia quando tudo isso se une, com seu sorriso em primeiro plano, o tempo para por um momento.
Eu fecho os olhos nesse momento infinito e me sinto intimamente ligada com a natureza. Tudo faz um sentido, finalmente. Eu faço sentido, me sentindo cada vez mais preenchida.
Pedacinhos de luz fazem sombras ante minhas pálpebras fechadas.
O cheiro dele é o cheiro das árvores ao sol, é o cheiro de casa, o cheiro de felicidade.
O seu sorriso aquece meu peito, como um café em um dia frio.
Eu o amo,
sem mais delongas.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Pancada
Minha cabeça dói
como a maior ressaca do ano.
Gosto amargo de pântano.
Uma hora, eventualmente,
em um dia de domingo,
Tudo vem à tona,
Corroendo e consumindo.
Tudo
Te agarra
Pela gola.
Te empurra na parede e cospe na sua cara o que você não queria ouvir.
Te joga no chão, e te pisa com sarcasmo.
Te acorda.
Meu coração está ausente.
Minha cabeça em chamas.
Minha alma, cada vez mais fios brancos.
Dentro da gente...
Tem tanta coisa que a gente não entende.
Dentro da gente tem o furacão.
Tem a esganada inconsequente,
na hora da paixão.
O sangue que espirra do sorriso
no momento mais macabro.
Meu amor.
Meu amor é insistente.
Ele resiste à minha mente.
Ele segura meus calcanhares.
É o fantasma da madrugada,
o assobio que me anuncia
que predestina minha mortalha
E assedia.
Meu amor é canalha,
É minha gargalhada falha,
Minha voz um pouco rouca,
Meus dedos já tão cansados,
De cansaço de carrasco,
Sádico e masoquista,
Um irredutível ateísta,
Um viciado anunciado.
como a maior ressaca do ano.
Gosto amargo de pântano.
Uma hora, eventualmente,
em um dia de domingo,
Tudo vem à tona,
Corroendo e consumindo.
Tudo
Te agarra
Pela gola.
Te empurra na parede e cospe na sua cara o que você não queria ouvir.
Te joga no chão, e te pisa com sarcasmo.
Te acorda.
Meu coração está ausente.
Minha cabeça em chamas.
Minha alma, cada vez mais fios brancos.
Dentro da gente...
Tem tanta coisa que a gente não entende.
Dentro da gente tem o furacão.
Tem a esganada inconsequente,
na hora da paixão.
O sangue que espirra do sorriso
no momento mais macabro.
Meu amor.
Meu amor é insistente.
Ele resiste à minha mente.
Ele segura meus calcanhares.
É o fantasma da madrugada,
o assobio que me anuncia
que predestina minha mortalha
E assedia.
Meu amor é canalha,
É minha gargalhada falha,
Minha voz um pouco rouca,
Meus dedos já tão cansados,
De cansaço de carrasco,
Sádico e masoquista,
Um irredutível ateísta,
Um viciado anunciado.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Anotações
I
We have little things
living inside of us
They are insects. And they feed.
They are born by accident, and they may breath
If we let them.
They feed of our hollows. Of our fears
Most of all, they feed of our cruelty.
They are little monsters.
They are born in the shape of thought
And come out in the shape of words
Sometimes actions.
They seem stronger than anything when they come out
But they actually only have the strenght we gave them
We fed them.
If we can just for a minute,
Make them silent
Shut the fuck up of them.
If you can hold them
Close your eyes
Just don't let them out,
They will vanish.
Evaporate.
And we may, for a moment
Not be, of course,
not right away.
But we may just feel
That we can be
Eventually
Masters of ourselves.
II
We are little persons.
Little beings,
In the middle of so many other little beings.
And no one of them will ever feel
Your flaws
As hard as you do.
So sometimes it gets hard
To look in the mirror,
'Cause we are stranger persons.
And sometimes
A touch
In the skin
May burn a little.
A word or a look
May become frightening,
If you don't feel it right.
We are such little ones.
Such broken ones.
And our dark sides
Are always so dark,
That we feel we must hide.
Because some people hate us,
Then you think:
"Maybe they're right
Maybe i should hide the things they may hate
To the people i like"
So sometimes
You don't know quite
Who you are,
Like this,
In the middle of dawn.
But other times
You find a person,
Another little one.
And they see you naked,
They see your naked eyes.
And that takes time,
'Cause they must suffer in your hands
Before they can claim
They saw your naked eyes.
And so it happens,
And they see it:
Your hatred
Your crying
Your frightening
And so they smile at you.
They really smile at you.
And that is,
Indeed,
An unusual milacre.
We have little things
living inside of us
They are insects. And they feed.
They are born by accident, and they may breath
If we let them.
They feed of our hollows. Of our fears
Most of all, they feed of our cruelty.
They are little monsters.
They are born in the shape of thought
And come out in the shape of words
Sometimes actions.
They seem stronger than anything when they come out
But they actually only have the strenght we gave them
We fed them.
If we can just for a minute,
Make them silent
Shut the fuck up of them.
If you can hold them
Close your eyes
Just don't let them out,
They will vanish.
Evaporate.
And we may, for a moment
Not be, of course,
not right away.
But we may just feel
That we can be
Eventually
Masters of ourselves.
II
We are little persons.
Little beings,
In the middle of so many other little beings.
And no one of them will ever feel
Your flaws
As hard as you do.
So sometimes it gets hard
To look in the mirror,
'Cause we are stranger persons.
And sometimes
A touch
In the skin
May burn a little.
A word or a look
May become frightening,
If you don't feel it right.
We are such little ones.
Such broken ones.
And our dark sides
Are always so dark,
That we feel we must hide.
Because some people hate us,
Then you think:
"Maybe they're right
Maybe i should hide the things they may hate
To the people i like"
So sometimes
You don't know quite
Who you are,
Like this,
In the middle of dawn.
But other times
You find a person,
Another little one.
And they see you naked,
They see your naked eyes.
And that takes time,
'Cause they must suffer in your hands
Before they can claim
They saw your naked eyes.
And so it happens,
And they see it:
Your hatred
Your crying
Your frightening
And so they smile at you.
They really smile at you.
And that is,
Indeed,
An unusual milacre.
domingo, 7 de junho de 2015
Louca por ele.
Por sua pele com gosto de chamego, sua boca com textura de fruta madura. Seus dedos sacanas, sua alma em chamas, sua loucura.
Louca por seus rompantes inesperados de risos, paixão ou ciúmes. Por seus carinhos discretos, descontraídos, despretensiosos. Louca por seu olhar feroz, por seu suor, por sua voz. Por seu falar bonito, tranquilo, de menino. Por sua doçura, seu sorriso bobo, sua candura. Louca por seus humores, suas histórias, suas dores. Os assuntos dos quais ele só fala baixinho, os outros dos quais ele fala sorrindo, e aqueles dos quais fala corando.
Louca por sua timidez, sua sabedoria, sua sensatez. Seu jeito maduro, mas brincalhão. Suas provocações, suas declarações. Seu olhar de amor, de saudade, de calor, de vontade, de concentração e de emoção; De ansiedade e de admiração.
Louca por ele, por tudo que já vi dele, por tudo que vou ver ainda.
Louca pra descobrir.
Por sua pele com gosto de chamego, sua boca com textura de fruta madura. Seus dedos sacanas, sua alma em chamas, sua loucura.
Louca por seus rompantes inesperados de risos, paixão ou ciúmes. Por seus carinhos discretos, descontraídos, despretensiosos. Louca por seu olhar feroz, por seu suor, por sua voz. Por seu falar bonito, tranquilo, de menino. Por sua doçura, seu sorriso bobo, sua candura. Louca por seus humores, suas histórias, suas dores. Os assuntos dos quais ele só fala baixinho, os outros dos quais ele fala sorrindo, e aqueles dos quais fala corando.
Louca por sua timidez, sua sabedoria, sua sensatez. Seu jeito maduro, mas brincalhão. Suas provocações, suas declarações. Seu olhar de amor, de saudade, de calor, de vontade, de concentração e de emoção; De ansiedade e de admiração.
Louca por ele, por tudo que já vi dele, por tudo que vou ver ainda.
Louca pra descobrir.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Um conto já contado, dessa vez ao contrário. (O sonho virou real)
Acordou atordoada no silêncio azul de seu quarto. Aquele silêncio que de tão ensurdecedor faz um zunido nos ouvidos.
Saiu das cobertas, atordoada, procurando as sandálias e deu uma volta na casa. O que estava faltando?
Estava tudo limpo, como a diarista deixara.
Sua bagunça pessoal devidamente arrumada em sua mesa de escritório. Uma ainda jovem bem sucedida advogada. Tudo o que sonhara.
E o que faltava?
Jogou a camisola na cama, pôs uns shorts e camisa. Olhou a cara pálida no espelho. Cara de falta. Sua pele estava bem hidratada, mais jovem que seus 25 aparentavam. Seus cabelos mais sedosos que sua genética propiciara. Tinha cheiro de grana, correria e isolamento. O que faltava?
Pensara em ligar para alguém, olhou sua lista telefônica. A verdade é que estava cheia. Desde o último contrato grande, as simpatias se acumularam. Em uma noite fria de solidão tinha até companhias esperando, se assim desejasse. Tinha uma família a alguns quilômetros. Tinha um caminho cheio de possibilidades.
Mas o que faltava?
Calçou os chinelos e foi para a rua. Teve a impressão de a porta abrir para que passasse. Mas não acreditava em espíritos e menos ainda em gentilezas. O que não lembrava?
Andava apressada, já um pouco incomodada. Ora ou outra uma vitrine lhe trazia um pôster antigo. Do gramofone do velho solitário da loja de LP's soava um blues nos anos 30. O que lhe rasgava?
Pegou no peito, na sensação de queimação. Nos seus dedos a ausência de uma mão. Um sufocamento de falta de ar, de falta de chão. E então, ao se apoiar na vitrine de uma loja qualquer de antiguidades, um porta retrato a fitava.
Seu sorriso era antigo, era gentil, era tenro. Seu sorriso vinha do olhar, da curva leve dos lábios, do passado e do seu presente.
Onde ele estava?
Ela foi ao chão, sufocada pela falta.
E ao bater no asfalto, abriu os olhos no sofá de uma sala.
1 segundo.
Outro.
E o alívio.
Abraçou o braço que a abraçava. O cheiro de casa inundou-lhe as narinas. No conforto do aperto do sofá onde adormeceram, ela apoiou-se em seu ombro direito, vendo os sinais em sua pele cor de leite. Seu cabelo enrolar-se como o de um anjo. O sorriso adormecido, com a mesma sensação de luz.
Ele.
Respirou aliviada.
Nunca deixaria que ele fosse a lembrança do que lhe faltava.
Saiu das cobertas, atordoada, procurando as sandálias e deu uma volta na casa. O que estava faltando?
Estava tudo limpo, como a diarista deixara.
Sua bagunça pessoal devidamente arrumada em sua mesa de escritório. Uma ainda jovem bem sucedida advogada. Tudo o que sonhara.
E o que faltava?
Jogou a camisola na cama, pôs uns shorts e camisa. Olhou a cara pálida no espelho. Cara de falta. Sua pele estava bem hidratada, mais jovem que seus 25 aparentavam. Seus cabelos mais sedosos que sua genética propiciara. Tinha cheiro de grana, correria e isolamento. O que faltava?
Pensara em ligar para alguém, olhou sua lista telefônica. A verdade é que estava cheia. Desde o último contrato grande, as simpatias se acumularam. Em uma noite fria de solidão tinha até companhias esperando, se assim desejasse. Tinha uma família a alguns quilômetros. Tinha um caminho cheio de possibilidades.
Mas o que faltava?
Calçou os chinelos e foi para a rua. Teve a impressão de a porta abrir para que passasse. Mas não acreditava em espíritos e menos ainda em gentilezas. O que não lembrava?
Andava apressada, já um pouco incomodada. Ora ou outra uma vitrine lhe trazia um pôster antigo. Do gramofone do velho solitário da loja de LP's soava um blues nos anos 30. O que lhe rasgava?
Pegou no peito, na sensação de queimação. Nos seus dedos a ausência de uma mão. Um sufocamento de falta de ar, de falta de chão. E então, ao se apoiar na vitrine de uma loja qualquer de antiguidades, um porta retrato a fitava.
Seu sorriso era antigo, era gentil, era tenro. Seu sorriso vinha do olhar, da curva leve dos lábios, do passado e do seu presente.
Onde ele estava?
Ela foi ao chão, sufocada pela falta.
E ao bater no asfalto, abriu os olhos no sofá de uma sala.
1 segundo.
Outro.
E o alívio.
Abraçou o braço que a abraçava. O cheiro de casa inundou-lhe as narinas. No conforto do aperto do sofá onde adormeceram, ela apoiou-se em seu ombro direito, vendo os sinais em sua pele cor de leite. Seu cabelo enrolar-se como o de um anjo. O sorriso adormecido, com a mesma sensação de luz.
Ele.
Respirou aliviada.
Nunca deixaria que ele fosse a lembrança do que lhe faltava.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Anjo
Eu olho seu rosto:
A firmeza de seu olhar.
A serenidade de seu espírito.
A bondade de suas tentativas, de sua fé em mim...
Eu adoro a sua vida.
Eu tenho tanto orgulho dela.
Essa fortaleza imensurável,
Presente do universo,
Apenas emprestado a mim.
E não é mais do que eu poderia sonhar?
Ela pode partir da minha,
me repartir em duas...
Amanhã ou em vinte anos.
Eu sei, eu sei.
Mas hoje ela está aqui.
Ela tranquiliza os meus dias,
como ele amortiza meus sentidos.
Senta e conversa com meus demônios,
Explica porque devem se acalmar.
E me sorri, depois de tudo isso.
De longe,
do retrato,
o vejo agora.
O verei sempre:
Ele sorri para mim.
A firmeza de seu olhar.
A serenidade de seu espírito.
A bondade de suas tentativas, de sua fé em mim...
Eu adoro a sua vida.
Eu tenho tanto orgulho dela.
Essa fortaleza imensurável,
Presente do universo,
Apenas emprestado a mim.
E não é mais do que eu poderia sonhar?
Ela pode partir da minha,
me repartir em duas...
Amanhã ou em vinte anos.
Eu sei, eu sei.
Mas hoje ela está aqui.
Ela tranquiliza os meus dias,
como ele amortiza meus sentidos.
Senta e conversa com meus demônios,
Explica porque devem se acalmar.
E me sorri, depois de tudo isso.
De longe,
do retrato,
o vejo agora.
O verei sempre:
Ele sorri para mim.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
About making love.
Abraço teu rosto com força, o meu enterrado em teus cabelos, até o momento em que finalmente rolo de cima de você, me jogando na cama ao seu lado, mas ainda com os braços ao teu redor.
Olho para seu rosto, tão arfante como o meu e saboreio com muita atenção o sutil momento de transição entre o nosso olhar intenso ainda preso naquela conexão - ambos pasmos com o que acabara de acontecer, em direção ao sorriso largo que brota de nossos lábios, ao mesmo tempo, um sorriso cansado e aberto, de ponta a ponta. O nome desse sorriso é cumplicidade.
Então eu, que ainda me sinto amarrada em ti, mesmo que já tenha desentrelaçado minhas pernas de tuas costas, me chego de novo em tu, beijando tuas bochechas, olhos e nariz. Sentindo aquela sensação de plenitude e paz, a sensação de estar em casa.
E quando te olho de novo, teu sorriso é ainda mais largo e na imagem que vejo tenho minha obra de arte preferida: Tua felicidade.
Teus olhos apertados no sorriso, mas tão brilhantes que ficam até mais claros; Teu cabelo desgrenhado - loiro e lindo, com os cachos cada vez mais cachos, pois está grande, e te faz parecer um anjo ainda mais que o normal; E o teu sorriso...Ah, aquele sorriso. O sorriso que se forma com teus lábios carnudos e convidativos e transmite ao mesmo tempo toda a ingenuidade preferida.
Esse momento, esse silêncio e tudo que eu sinto nele, por si só já é um ato de amor.
Acho que fazemos amor mais do que imaginamos.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Incontinenti
Tracei um círculo com grãos no chão.
Desenhei uma linha, levando seus pontilhados ao outro extremo do salão.
Sentada e cuidadosamente, como uma criança que colore; Tentando criar planícies que só eu podia ver. Fazendo os cálculos que só davam certo na matemática da minha mente.
Levantei-me e derramei mais areia, ao meu redor e em todo lugar. Jorrei para os cantos, desfazendo minhas simétricas criações. Redesenhei mil vezes cada escultura, escupida com paciência. E para a satisfação de cada uma que fiz, com uma porção infinitamente maior de prazer, sem remorso algum a destruí.
Desenhei uma linha, levando seus pontilhados ao outro extremo do salão.
Sentada e cuidadosamente, como uma criança que colore; Tentando criar planícies que só eu podia ver. Fazendo os cálculos que só davam certo na matemática da minha mente.
Levantei-me e derramei mais areia, ao meu redor e em todo lugar. Jorrei para os cantos, desfazendo minhas simétricas criações. Redesenhei mil vezes cada escultura, escupida com paciência. E para a satisfação de cada uma que fiz, com uma porção infinitamente maior de prazer, sem remorso algum a destruí.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Houve um tempo
Houve um tempo em que textos mais simples, com imagens mais imagináveis traduziam bem sentimentos novinhos. Recém nascidos, os primeiros de seu nome.
Houve esse tempo em que as necessidades eram jovens, eram bem mais mente que matéria. Bem mais sonho que atrito no chão. Bem mais residentes da minha imaginação.
Estive lendo e lembrando, lendo e lembrando...
Lembro disso e pela primeira vez em muito tempo, não me ocorre uma nostalgia ferina, ferida, mordida e machucada pelo meu eu antigo.
Não me corrói uma amargura que não me pertence, que não é de minha idade. Ou uma repetição de imagens, de figuras ilustrativas, com aquela sensação cansada...
Me corre o tempo apenas, como vem correndo e não para, embora eu continue pedindo com jeitinho que o faça.
Já não escrevo como antigamente - É, isso eu sei. O inferno dentro de mim já não é tão puxado para a poesia.
Mas nada encontra-se morto, não, não é bem ao caso.
Ao contrário, depois do envelhecimento de tudo que é novo, vejo que talvez sempre vá haver um próximo novo. Sempre uma florzinha de espécie desconhecida brotando inesperada na floresta desmatada.
Mas o que é isso? Não é um bom texto como os antigamente,
É só um devaneio de nada...
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Gole
Venha cá, deixe que eu te conte.
Vai se assustar? Correr para seus lençóis?
Tudo é um quebra cabeça a ser montado.
Fantásticas possibilidades de se dispôr os dados.
Tudo é um objetivo maior, quadro amplo, meta geral.
Tudo é uma mera intempérie milidecimal.
Pessoas são pedacinhos de fatos, diluídos em genes e modelados por circunstâncias.
Pegue uma em sua mão.
Veja como são engraçadinhas.
Como formam padrões enquanto andam,
Como os seus passos traçam linhas.
Linhas que podem ser enroladas em dedos,
Amarradas e retorcidas,
Mastigadas e engolidas.
Deixo que seu contorno forme-se em minha frente,
Como quem vê o café diluir-se em água.
Tenho em uma mão teu pó e em outro tenho o tempo.
Todo o tempo do mundo para te ouvir falar.
Olhe para mim,
Ache-me bonita.
Como são expressivas minhas expressões,
Como são assertivas as minhas mãos.
Como são coloridas as estrelas que brilham.
Quero que tome toda essa droga
Que aprecie
Que a adore
Que se sufoque.
Vai se assustar? Correr para seus lençóis?
Tudo é um quebra cabeça a ser montado.
Fantásticas possibilidades de se dispôr os dados.
Tudo é um objetivo maior, quadro amplo, meta geral.
Tudo é uma mera intempérie milidecimal.
Pessoas são pedacinhos de fatos, diluídos em genes e modelados por circunstâncias.
Pegue uma em sua mão.
Veja como são engraçadinhas.
Como formam padrões enquanto andam,
Como os seus passos traçam linhas.
Linhas que podem ser enroladas em dedos,
Amarradas e retorcidas,
Mastigadas e engolidas.
Deixo que seu contorno forme-se em minha frente,
Como quem vê o café diluir-se em água.
Tenho em uma mão teu pó e em outro tenho o tempo.
Todo o tempo do mundo para te ouvir falar.
Olhe para mim,
Ache-me bonita.
Como são expressivas minhas expressões,
Como são assertivas as minhas mãos.
Como são coloridas as estrelas que brilham.
Quero que tome toda essa droga
Que aprecie
Que a adore
Que se sufoque.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
He has taken me by the hand, by the heart.
Took the whole of me, little pieces of me.
Have melted me in his eyes, melted me with his kind heart.
He reconstructed me. Made me new.
He has lead me into him, by every road he had created.
He took my roads too. He took my destination point.
He took me interely, took me by surprise
Took me in all my ways, even the unspoken.
That have been said, and how could it be different?
I am his.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Chamego
Quero o conforto do teu peito apoiando minha cabeça.
Teus dedos pelo meu rosto, fazendo carinho em minhas bochechas.
Quero afundar meu nariz em teu pescoço,
me esconder em baixo do teu queixo,
e de quebra, te roubar um beijo.
Com esse gostinho de café amargo.
Com esse sentimento enchendo meu peito.
Quero me aninhar no teu abraço.
Me esconder no cheiro da tua blusa.
E murmurar sobre amor enquanto o faço.
Dizer baixinho que eu sou só tua.
Que minha ponta solta agora é um laço,
Amarrando nossas vidas no cruzamento de nossas ruas.
Quero teus pézinhos fazendo carinho nos meus,
enquanto nessa conchinha encosto minhas costas na tua barriga.
E teus braços envolvem cada partezinha minha.
Me fazendo sentir que nunca vou estar sozinha.
Quero tua boca descansando na minha nuca.
E sentir tua respiração levinha,
causando arrepios gostosos com cara de felicidade.
Fazendo cair por terra toda e qualquer ceticidade.
Me mostrando que só contigo encontro a liberdade.
Quero minutos, horas, dias e anos assim.
Quero teu chamego por um momento que não tem fim.
Passar todo segundo que respirar, respirando a delícia do ar à tua volta.
Sorrindo pra ti com minha boca meio torta.
Vendo esse teu olhar lindo que só brilha pra mim.
Quero teu chamego e quero ele sem fim.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
talvez milésimo texto sobre ele
Tô com saudade dele.
São 03:29 da manhã e ele está na casa dele, provavelmente deitado daquele jeito de barriga pra baixo e cabelo assanhado. Talvez com a cara um pouco inchada de chorar vendo Pequena Miss Sunshine e dessa gripe que o pegou de jeito. E eu tô aqui, com saudade dele.
Não brigamos e nem nos amamos pessoalmente hoje. Não é uma data especial para nosso namoro, nem ficamos o dia sem nos falar. Mas é o meio da madrugada, e tudo que olho ociosa me lembra dele. Tudo me dá vontade dele.
O bom dessa saudade é que é uma saudade gostosa. É uma saudade com pitada de felicidade porque tem sido tudo tão incrível. Então eu alimento essa ausência temporária com lembranças longínquas, mas principalmente com as mais recentes - cujo gosto ainda tenho na ponta da língua.
Alimento com o sorriso de menino dele que eu vi tantas vezes ontem. Com a gargalhada fácil que eu escuto no telefone. Com o abraço quente enquanto andamos e caminhamos tão juntinhos como se fôssemos um só.
Com esse mesmo abraço enquanto assistimos um filme no cinema, e mesmo super concentrado no filme ele me abraça com os dois braços e encosta a cabeça na minha.
Alimento com como ele me faz sorrir de graça, do vento, do nada. De como nossas piadas se completam em bobice e diversão. Em como ele se empolga (e eu também) discutindo quando discordamos, mas não esquecemos de interromper a discussão de minutos em minutos para rirmos de nós mesmos.
Alimento com o seu olhar de menino vendo brinquedos, que me deixa com um sorriso besta e vontade de ficar só ali, o observando por horas. O achando cada vez mais perfeito. E ao mesmo tempo, alimento com sua mão ousada em um banco traseiro de táxi ou com seu longo beijo delicioso - porque a boca dele tem o gosto mais incrível que já senti.
Alimento com nossos planos - já tão lindos. Seja para nossa primeira viagem, seja sobre como vamos lidar com o fato de Clint Eastwood ter morrido quando nossos filhos nascerem. E como é natural falar disso com ele e sonhar junto, sem deixar nem por um momento de sentir felicidade só em pensar nisso.
Alimento com o jeito como ele indefectivelmente se envergonha com elogios. E como ele diz que "isso é muito difícil" e eu não entendo bem por que, porque é tão fácil ver toda essa beleza nele que eu só queria contar um pouco para ele, assim, baixinho, para que quem sabe ele veja também.
Alimento ainda e talvez principalmente com seu olhar. O seu olhar emocionado quando eu digo para ele o quanto ele me mudou, o que ele fez por mim desde que chegou, como ele me salvou. Esse olhar, fixo nos meus olhos, corajoso como ele, e sensível como seu coração alimenta não só essa saudade, mas todos os minutos do meu dia. Me dá algo pelo que lutar, pelo que viver.
E é por isso que esse já é bem o décimo texto que escrevo sobre os pequenos detalhes dele, é por isso que esse texto flui tão fácil, é por isso que são 03:41 agora e eu não tenho ele comigo, e sim, sinto saudade, mas o sinto dentro de mim.
São 03:29 da manhã e ele está na casa dele, provavelmente deitado daquele jeito de barriga pra baixo e cabelo assanhado. Talvez com a cara um pouco inchada de chorar vendo Pequena Miss Sunshine e dessa gripe que o pegou de jeito. E eu tô aqui, com saudade dele.
Não brigamos e nem nos amamos pessoalmente hoje. Não é uma data especial para nosso namoro, nem ficamos o dia sem nos falar. Mas é o meio da madrugada, e tudo que olho ociosa me lembra dele. Tudo me dá vontade dele.
O bom dessa saudade é que é uma saudade gostosa. É uma saudade com pitada de felicidade porque tem sido tudo tão incrível. Então eu alimento essa ausência temporária com lembranças longínquas, mas principalmente com as mais recentes - cujo gosto ainda tenho na ponta da língua.
Alimento com o sorriso de menino dele que eu vi tantas vezes ontem. Com a gargalhada fácil que eu escuto no telefone. Com o abraço quente enquanto andamos e caminhamos tão juntinhos como se fôssemos um só.
Com esse mesmo abraço enquanto assistimos um filme no cinema, e mesmo super concentrado no filme ele me abraça com os dois braços e encosta a cabeça na minha.
Alimento com como ele me faz sorrir de graça, do vento, do nada. De como nossas piadas se completam em bobice e diversão. Em como ele se empolga (e eu também) discutindo quando discordamos, mas não esquecemos de interromper a discussão de minutos em minutos para rirmos de nós mesmos.
Alimento com o seu olhar de menino vendo brinquedos, que me deixa com um sorriso besta e vontade de ficar só ali, o observando por horas. O achando cada vez mais perfeito. E ao mesmo tempo, alimento com sua mão ousada em um banco traseiro de táxi ou com seu longo beijo delicioso - porque a boca dele tem o gosto mais incrível que já senti.
Alimento com nossos planos - já tão lindos. Seja para nossa primeira viagem, seja sobre como vamos lidar com o fato de Clint Eastwood ter morrido quando nossos filhos nascerem. E como é natural falar disso com ele e sonhar junto, sem deixar nem por um momento de sentir felicidade só em pensar nisso.
Alimento com o jeito como ele indefectivelmente se envergonha com elogios. E como ele diz que "isso é muito difícil" e eu não entendo bem por que, porque é tão fácil ver toda essa beleza nele que eu só queria contar um pouco para ele, assim, baixinho, para que quem sabe ele veja também.
Alimento ainda e talvez principalmente com seu olhar. O seu olhar emocionado quando eu digo para ele o quanto ele me mudou, o que ele fez por mim desde que chegou, como ele me salvou. Esse olhar, fixo nos meus olhos, corajoso como ele, e sensível como seu coração alimenta não só essa saudade, mas todos os minutos do meu dia. Me dá algo pelo que lutar, pelo que viver.
E é por isso que esse já é bem o décimo texto que escrevo sobre os pequenos detalhes dele, é por isso que esse texto flui tão fácil, é por isso que são 03:41 agora e eu não tenho ele comigo, e sim, sinto saudade, mas o sinto dentro de mim.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Detalhes
Enquanto gasto meu tempo,
esperando a hora de finalmente vê-lo, passam pela minha mente momentinhos e
detalhes, preciosos recantos de felicidade, acumulados nesses quase 5 meses.
São detalhes preciosos, como
grãos de ouro em meio ao deserto do mundo. Pois eles iluminam-se em meio ao
marasmo. Eles são tesouros que eu quero guardar. E são muito mais que ouro,
Seu sorriso envergonhado,
quando olha para baixo ou para o lado. E se sente constrangido em ser elogiado,
com seu "Ah meu Deus", que posso ouvir em minha mente agora mesmo.
Como pode ele não ver o quão incrível é?
Sua risada ao telefone, que
inevitavelmente me faz sorrir também. É o som mais tranquilo do mundo, é o que
eu queria ouvir todos os dias.
O jeito como ele me abraça, e
esconde meu rosto em seu peito. E podendo aspirar aquele aroma perfeito, eu me
sinto segura de qualquer coisa no mundo.
Suas mãos e braços gentis,
quando segura minha mão ou me envolve em um abraço ao andar. Sempre me
protegendo dos carros ou de qualquer perigo.
A felicidade que sai de seus
olhos, quando às vezes nos olhamos em silêncio, fazendo juras silenciosas de
amor. E o modo como seus olhos às vezes ficam marejados, é simplesmente a visão
mais linda do mundo. E só de lembrar dela, os meus ficam também. Porque aquele
olhar é sem dúvida a visão mais bonita que existe.
E quando ele me ergue do chão e
me abraça, e eu sinto vindo dele todo o amor do mundo. E como aquele abraço me
ergue do chão, minha vida se ergue da normalidade e se torna essa experiência
extraordinária, que só estou tendo por causa dele.
E seus trejeitos: seu jeito de
arrumar o cabelo em frente ao espelho, o modo como sorri quando está comendo, o
modo como abraça minha barriga quando está cochilando, o jeito que me cumprimenta
de longe quando nos encontramos, seu olhar atento e sério quando está
assistindo um filme, seu tom doce e inocente quando pensa em voz alta sobre
assuntos aleatórios, o modo como se empolga falando sobre as coisas que gosta,
como se anima planejando memórias futuras comigo, seu "Ah, sai daqui"
e como bagunça todo meu cabelo e minha cara e de quebra ainda me faz morrer de
rir por isso, seu humor leve e também mordaz que eu adoro, e sua gentileza tão
maravilhosa. Como não amar cada pedacinho dele? Como não guardar cada um desses
detalhes lindos, com todo o amor do mundo?
domingo, 8 de fevereiro de 2015
So unimpressed but so in awe
Pequenos cantos da decepção familiares,
Meus inferninhos particulares.
Hoje é um daqueles dias de cão,
Em que o céu pesa como algodão molhado sob nossas costas.
Eu escolho meus fantasmas, cuidadosamente.
Com os dedos os aponto, lambuzando suas pontas,
Com o doce de suas derrotas.
Eu degusto desse gosto, lambendo a ponta dos dedos, com delicado desgosto;
Revisitando o amargo por vezes.
Me torturando um pouco mais.
Me faz tão bem fazer tão mal:
"So unimpressed but so in awe",
Eu não mudei nem um pouco afinal.
Tenho meus personagens,
Minhas lágrimas na manga,
Minhas frases manjadas,
Meu refúgio nessa cama.
Me afogo em um travesseiro,
Aspirando profundamente o desespero,
Ou num corpo derradeiro,
Que me traz escape passageiro.
Fazendo rimas ruins,
Sempre as mesmas imagens.
Compondo uma sinfonia desafinada,
Nas retinas de vossas miragens.
(Intimamente,
anseio tudo que não presta.
Me regozijo com as imagens,
De dentes afiados em minhas pernas.
Vejo anjos em seres selvagens,
Pinturas clássicas em velhas telas.
Iludo um pouco a todos,
Iludindo a mim mesma.
Apenas na busca manjada,
Daquela velha certeza...)
Meus inferninhos particulares.
Hoje é um daqueles dias de cão,
Em que o céu pesa como algodão molhado sob nossas costas.
Eu escolho meus fantasmas, cuidadosamente.
Com os dedos os aponto, lambuzando suas pontas,
Com o doce de suas derrotas.
Eu degusto desse gosto, lambendo a ponta dos dedos, com delicado desgosto;
Revisitando o amargo por vezes.
Me torturando um pouco mais.
Me faz tão bem fazer tão mal:
"So unimpressed but so in awe",
Eu não mudei nem um pouco afinal.
Tenho meus personagens,
Minhas lágrimas na manga,
Minhas frases manjadas,
Meu refúgio nessa cama.
Me afogo em um travesseiro,
Aspirando profundamente o desespero,
Ou num corpo derradeiro,
Que me traz escape passageiro.
Fazendo rimas ruins,
Sempre as mesmas imagens.
Compondo uma sinfonia desafinada,
Nas retinas de vossas miragens.
(Intimamente,
anseio tudo que não presta.
Me regozijo com as imagens,
De dentes afiados em minhas pernas.
Vejo anjos em seres selvagens,
Pinturas clássicas em velhas telas.
Iludo um pouco a todos,
Iludindo a mim mesma.
Apenas na busca manjada,
Daquela velha certeza...)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Ponto de equilíbrio
Ele.
Fecho os olhos.
Deixo espalhar-se por mim como uma dose injetada na veia.
Bombeando-se pela veia cava inferior, ramifica-se e mistura os sangues de todas as cores, preenchendo a aorta dos meus pensamentos.
Chegando a cada extremidade, líquido denso e imobilizante - Ele impermeabiliza minha pele, preenche minhas articulações, me faz indefectível por um momento.
O sinto em todos os poros do meu corpo, como minha própria transpiração - gotículas microscópicas dele exalam de mim apenas para serem absorvidas novamente. Estou numa bolha. A bolha dele.
Aqui é o útero da minha alma, onde me agarro às paredes de suas curvas, de suas vértices - onde agarro suas costas, suas mãos e seus cabelos. O trazendo para junto de mim, entro em casa. Trago junto o pedaço de mim extirpado pelo universo, em outro espaço-tempo, trago junto minha paz. Minha metade.
E quando ele não está presente, está em todos os lugares.
A textura de seu olhar acompanha meus passos como uma corrente amarrada em minha sanidade. Faz barulho enquanto ando, arrastando-se pelo meu caminho. Acompanhando cada um de meus pensamentos, como uma sombra inamovível.
Enlouqueço um pouco, por vezes, e quando o faço sangue transparente brota de minhas retinas.
Porque elas estão cobertas por uma lente que agora só identifica sentido se ele está presente.
E a possibilidade de perdê-lo enfia uma mão de longas unhas negras em meu estômago, emaranhando-se por minhas tripas.
Não retira-me o coração,
desfaz-me da realidade.
Ele é meu ponto de equilíbrio nesse mundo no qual eu não conhecia a paz.
Fecho os olhos.
Deixo espalhar-se por mim como uma dose injetada na veia.
Bombeando-se pela veia cava inferior, ramifica-se e mistura os sangues de todas as cores, preenchendo a aorta dos meus pensamentos.
Chegando a cada extremidade, líquido denso e imobilizante - Ele impermeabiliza minha pele, preenche minhas articulações, me faz indefectível por um momento.
O sinto em todos os poros do meu corpo, como minha própria transpiração - gotículas microscópicas dele exalam de mim apenas para serem absorvidas novamente. Estou numa bolha. A bolha dele.
Aqui é o útero da minha alma, onde me agarro às paredes de suas curvas, de suas vértices - onde agarro suas costas, suas mãos e seus cabelos. O trazendo para junto de mim, entro em casa. Trago junto o pedaço de mim extirpado pelo universo, em outro espaço-tempo, trago junto minha paz. Minha metade.
E quando ele não está presente, está em todos os lugares.
A textura de seu olhar acompanha meus passos como uma corrente amarrada em minha sanidade. Faz barulho enquanto ando, arrastando-se pelo meu caminho. Acompanhando cada um de meus pensamentos, como uma sombra inamovível.
Enlouqueço um pouco, por vezes, e quando o faço sangue transparente brota de minhas retinas.
Porque elas estão cobertas por uma lente que agora só identifica sentido se ele está presente.
E a possibilidade de perdê-lo enfia uma mão de longas unhas negras em meu estômago, emaranhando-se por minhas tripas.
Não retira-me o coração,
desfaz-me da realidade.
Ele é meu ponto de equilíbrio nesse mundo no qual eu não conhecia a paz.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Leve-me à igreja*
A minha vontade...
-À vontade.
Responda para mim.
Não me negue nada.
Não desvie o olhar,
Ou segure minhas mãos.
Não me peça para desacelerar,
Se eu estiver indo muito rápido*
Este é meu país
Esta é minha refeição.
Estes fios de cabelo,
São onde emaranho meus dedos,
Os teus ossos sobressalentes,
Onde apoio minhas pernas,
Suas costas pálidas,
De veias sempre saltadas,
De pintas marrons esparsas
São onde enterro meus dentes.
Não me peça para parar,
Mesmo quando machucar.
Não, não me peça para parar de sugar o seu sangue.
Esta é minha casa,
O único lugar onde durmo,
O único lugar que descanso,
Que aceito como túmulo.
Teu pescoço de sangue latejante,
É onde sugo com todo meu ímpeto,
Tua boca carnuda e doce,
Teu sorriso de menino.
Tuas mãos de dedos longos,
ágeis e habilidosos.
Cada curva do teu corpo,
Cada um dos teus poros.
Aqui é meu templo,
É onde finco minha existência.
É onde derramo minhas mágoas,
Minha fúria e inocência.
É onde deposito meu carinho,
Onde monto o meu ninho,
A cada tarde e noite intensa.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Anotações sobre o rapaz
Ele sorri,
de modo quase paternalista.
Compreende o que eu nem disse com assustadora empatia,
e de repente faz-me sentir apenas uma menina
Ele é gentil com as palavras,
mesmo no momento de mágoa.
A arma mais cruel que ele já usou foi o próprio amor,
e sua sinceridade em dois tempos me desarma.
Ele tem um senso de justiça firme e inabalável,
e por isso sangra tanto quando essa parte dele é ferida.
Ele tem seus pontos soltos, suas pontas machucadas,
Mas nunca os usa como artifícios para vencer uma briga.
Ele torna os conceitos de vitória e derrota desnecessários.
Porque ele abre seu coração como um país,
Expõe todas cartas, os planos e os dados
E me faz sentir abrigada como eu sempre quis.
Ele é uma pessoa extraordinária vivendo como um sujeito comum.
Seu coração é recheado de toda a gentileza do mundo,
Mas sem perder a firmeza jamais: Ele é o tipo de rapaz
Que olha nos olhos, diz o que pensa e não se esconde jamais.
E por isso o ar ao redor dele é leve como uma brisa,
e os sorrisos correm soltos ao vê-lo, como se fosse o movimento natural dos lábios.
Não admira ele esteja sempre rodeado de pessoas.
Não admira seja bela a trilha que vêm deixando os seus passos.
Ele é doce e é calmo,
Mas ao mesmo tempo é forte e intenso.
E por isso passa um vento e tudo que quero é tê-lo inteiro.
Sua alma, sua mente e sua presença física nesse mundo,
fazem uma fórmula irresistível, que tornou-se o meu Tudo.
Ele me faz querer ser melhor, podar minhas ervas daninhas.
Praticar a cada dia a arte de domar minha natureza ferina,
Cuidar não por medo, mas por gratidão à sorte
De fazer esta linha prateada ter cruzado-se com a minha.
de modo quase paternalista.
Compreende o que eu nem disse com assustadora empatia,
e de repente faz-me sentir apenas uma menina
Ele é gentil com as palavras,
mesmo no momento de mágoa.
A arma mais cruel que ele já usou foi o próprio amor,
e sua sinceridade em dois tempos me desarma.
Ele tem um senso de justiça firme e inabalável,
e por isso sangra tanto quando essa parte dele é ferida.
Ele tem seus pontos soltos, suas pontas machucadas,
Mas nunca os usa como artifícios para vencer uma briga.
Ele torna os conceitos de vitória e derrota desnecessários.
Porque ele abre seu coração como um país,
Expõe todas cartas, os planos e os dados
E me faz sentir abrigada como eu sempre quis.
Ele é uma pessoa extraordinária vivendo como um sujeito comum.
Seu coração é recheado de toda a gentileza do mundo,
Mas sem perder a firmeza jamais: Ele é o tipo de rapaz
Que olha nos olhos, diz o que pensa e não se esconde jamais.
E por isso o ar ao redor dele é leve como uma brisa,
e os sorrisos correm soltos ao vê-lo, como se fosse o movimento natural dos lábios.
Não admira ele esteja sempre rodeado de pessoas.
Não admira seja bela a trilha que vêm deixando os seus passos.
Ele é doce e é calmo,
Mas ao mesmo tempo é forte e intenso.
E por isso passa um vento e tudo que quero é tê-lo inteiro.
Sua alma, sua mente e sua presença física nesse mundo,
fazem uma fórmula irresistível, que tornou-se o meu Tudo.
Ele me faz querer ser melhor, podar minhas ervas daninhas.
Praticar a cada dia a arte de domar minha natureza ferina,
Cuidar não por medo, mas por gratidão à sorte
De fazer esta linha prateada ter cruzado-se com a minha.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
2015
Abriu os olhos.
A claridade incomodava um pouco as pálpebras sonolentas, mas o aroma de sonho a convidava.
Encostada no parapeito de sua janela, a beira da praia vazia de feriado, e a manhã novinha com folhas voando à esmo traziam a perfeita imagem do novo ano.
O mundo a encarava com um sorriso afetuoso e as ondas que banhavam a beira da praia pareciam lhe dizer pequenos cumprimentos.
Era o mesmo lugar, nada mudara.
As paredes e chão, nos quais correra durante a infância.
Era o mesmo sol e ele nunca se atrasava.
Iluminava aquela manhã com os mesmos raios que ela sempre criticara.
Mas ela...
Seria a mesma?
Enquanto inspirava aquele ar nunca antes sentido, pensava que gostaria de escrever um texto. Mas com um pouco de embaraço, pensava também que só tinha um tema.
E embora essa âncora literária lhe mantivesse quase repetitiva,
Nunca tinha sido tão saboroso escrever.
Nunca fora tão realista.
Nesse momento passos se aproximaram da varanda. E ela sentiu dois braços a envolverem por trás.
O rosto com o aroma que ela amava afundou-se na curva de seu pescoço, dando-lhe um bom dia em beijo com gosto de café.
Quando ele a abraçou aconchegante, e passou a encarar aquele horizonte com ela,
ela percebeu que jamais seria a mesma novamente, porque agora não era mais incompleta.
Que com ele, com aquela pessoa extraordinária que por um presente do destino, escolhera ela para abraçar, mil portas se abriram para sabores de felicidade nunca antes imaginados.
Eram uma dupla, um par.
Naquela casa de sua memória, em sua música preferida - Em todos os tesouros nos quais ela deixou ele entrar. Tesouros de infância até então guardados em um baú, com teias de aranha, esquecidos. Ela abrira suas portas, recebera-o em seus braços e agora juntos naquele cenário, encaravam tudo os que os esperava:
O mundo inteiro.
(Mas por enquanto,
O ano novo.)
A claridade incomodava um pouco as pálpebras sonolentas, mas o aroma de sonho a convidava.
Encostada no parapeito de sua janela, a beira da praia vazia de feriado, e a manhã novinha com folhas voando à esmo traziam a perfeita imagem do novo ano.
O mundo a encarava com um sorriso afetuoso e as ondas que banhavam a beira da praia pareciam lhe dizer pequenos cumprimentos.
Era o mesmo lugar, nada mudara.
As paredes e chão, nos quais correra durante a infância.
Era o mesmo sol e ele nunca se atrasava.
Iluminava aquela manhã com os mesmos raios que ela sempre criticara.
Mas ela...
Seria a mesma?
Enquanto inspirava aquele ar nunca antes sentido, pensava que gostaria de escrever um texto. Mas com um pouco de embaraço, pensava também que só tinha um tema.
E embora essa âncora literária lhe mantivesse quase repetitiva,
Nunca tinha sido tão saboroso escrever.
Nunca fora tão realista.
Nesse momento passos se aproximaram da varanda. E ela sentiu dois braços a envolverem por trás.
O rosto com o aroma que ela amava afundou-se na curva de seu pescoço, dando-lhe um bom dia em beijo com gosto de café.
Quando ele a abraçou aconchegante, e passou a encarar aquele horizonte com ela,
ela percebeu que jamais seria a mesma novamente, porque agora não era mais incompleta.
Que com ele, com aquela pessoa extraordinária que por um presente do destino, escolhera ela para abraçar, mil portas se abriram para sabores de felicidade nunca antes imaginados.
Eram uma dupla, um par.
Naquela casa de sua memória, em sua música preferida - Em todos os tesouros nos quais ela deixou ele entrar. Tesouros de infância até então guardados em um baú, com teias de aranha, esquecidos. Ela abrira suas portas, recebera-o em seus braços e agora juntos naquele cenário, encaravam tudo os que os esperava:
O mundo inteiro.
(Mas por enquanto,
O ano novo.)
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Indigestive
I am greedy.
Como minha refeição em porções fartas, largas, sem nunca guardar para depois.
Devoro vorazmente pois voraz também é o aperto no meu peito urgindo para ser preenchido. Cicatriz de nascença, marca arranhada no espelho da alma - não sujeita a consertos permanentes.
Como então de maneira voraz, quase inconsequente. Sem me preocupar com o inverno, formiga irresponsável sempre fui. Sem me preocupar com o mal estar que todo esse excesso pode causar depois.
Sou ambiciosa, é verdade, sou gananciosa.
Quero o sumo do sumo da poupa da fruta. A casca não é suficiente. Tampouco a pele ou a carne.
Quero adentrá-la. Rasgá-la delicadamente com os dentes. Com minha língua tocar o gosto de sua alma.
Entender sua essência, sua história e suas vicissitudes. Entender sua dor, seu prazer, seu amor e cada uma de suas necessidades aborrecidas as quais com tamanho prazer satisfaço a todas.
Quero estudá-la e em seguida devorá-la pois é o único jeito completo de compreender esta fruta - E seus decorrentes frutos - reprodutos de sua existência.
E o faço sem temor, o faço sem pudor. O faço verozmente. Gananciosamente.
Só não calculo,
a indigestão que vem depois.
Como minha refeição em porções fartas, largas, sem nunca guardar para depois.
Devoro vorazmente pois voraz também é o aperto no meu peito urgindo para ser preenchido. Cicatriz de nascença, marca arranhada no espelho da alma - não sujeita a consertos permanentes.
Como então de maneira voraz, quase inconsequente. Sem me preocupar com o inverno, formiga irresponsável sempre fui. Sem me preocupar com o mal estar que todo esse excesso pode causar depois.
Sou ambiciosa, é verdade, sou gananciosa.
Quero o sumo do sumo da poupa da fruta. A casca não é suficiente. Tampouco a pele ou a carne.
Quero adentrá-la. Rasgá-la delicadamente com os dentes. Com minha língua tocar o gosto de sua alma.
Entender sua essência, sua história e suas vicissitudes. Entender sua dor, seu prazer, seu amor e cada uma de suas necessidades aborrecidas as quais com tamanho prazer satisfaço a todas.
Quero estudá-la e em seguida devorá-la pois é o único jeito completo de compreender esta fruta - E seus decorrentes frutos - reprodutos de sua existência.
E o faço sem temor, o faço sem pudor. O faço verozmente. Gananciosamente.
Só não calculo,
a indigestão que vem depois.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Sobre felinos e lares
- Me promete uma coisa? Não me deixa fugir.
Ela olhou para baixo e em seguida para cima, para ele.
Segurou a ponta da sua camisa sem muita força, mas ele viu que seus dedos tremiam e olhando para ela, encharcada pela chuva e parecendo tão perdida, pensou em um gato selvagem em uma tempestade, procurando desesperadamente abrigo.
Ele a puxou para si e abraçou com força, dizendo promessas em seu ouvido que a fizeram chorar mais e por um momento ele se questionou se era de felicidade ou tristeza.
Mais tarde, enrolados parcialmente em lençóis na madrugada, ela contou com detalhes as histórias que tinham a trazido até ali. As histórias que ele sempre tivera tido medo de ouvir, por medo de conhecer e enciumar-se com seu passado. Mas ao passo que ela falava, ele percebia como tinha sido bobo. Essas histórias faziam parte dela, como tatuagens que embora lhe trouxessem angústia, também fizeram ela ser exatamente quem era hoje - do jeito que ele amava.
Histórias que a moldaram, que a construíram. Que lhe ensinaram muito, mas também machucaram enquanto ensinavam. Que a fizeram ser essa criatura inconstante, incapaz de permanecer no mesmo lar por muito tempo, eternamente presa em sua liberdade.
"A mão queimada ensina melhor", ele citou um dos filmes preferidos deles com uma seriedade jocosa que quebrou a tensão e ela caiu no riso, em seguida caindo nas mãos dele que faziam-lhe cócegas e por um momento, toda aquela densidade anuviou-se e ela era só um sorriso coberto de felicidade, do jeito que ele mais gostava de vê-la, e do jeito que ela só se sentia com ele.
Quando o dia amanheceu, ele apalpou a cama ao seu lado e sentiu uma pontada de desespero ao ver que estava vazia.
Tinha ficado com aquela pulga atrás da orelha sobre a frase que ela dissera no dia anterior, quando voltou depois de semanas sem dar notícias. Semanas em que ambos quase morreram de dor no coração.
"Não me deixa fugir."
Ele sentiu um aperto no peito e já colocava uma bermuda para sair na rua, quando ela entrou no quarto com um café da manhã em uma bandeja, a camisa dele da noite passada e um sorriso largo no rosto.
Ele tirou a bandeja das mãos dela, colocando-a na cômoda, e a puxou para si em um abraço apertado de puro alívio. Não a deixaria fugir, nunca mais.
Mal sabia ele que naquele momento o mesmo alívio descansava no coração dela, o abraçando com força. Nunca mais sentiria vontade de fugir, nunca mais.
Ela olhou para baixo e em seguida para cima, para ele.
Segurou a ponta da sua camisa sem muita força, mas ele viu que seus dedos tremiam e olhando para ela, encharcada pela chuva e parecendo tão perdida, pensou em um gato selvagem em uma tempestade, procurando desesperadamente abrigo.
Ele a puxou para si e abraçou com força, dizendo promessas em seu ouvido que a fizeram chorar mais e por um momento ele se questionou se era de felicidade ou tristeza.
Mais tarde, enrolados parcialmente em lençóis na madrugada, ela contou com detalhes as histórias que tinham a trazido até ali. As histórias que ele sempre tivera tido medo de ouvir, por medo de conhecer e enciumar-se com seu passado. Mas ao passo que ela falava, ele percebia como tinha sido bobo. Essas histórias faziam parte dela, como tatuagens que embora lhe trouxessem angústia, também fizeram ela ser exatamente quem era hoje - do jeito que ele amava.
Histórias que a moldaram, que a construíram. Que lhe ensinaram muito, mas também machucaram enquanto ensinavam. Que a fizeram ser essa criatura inconstante, incapaz de permanecer no mesmo lar por muito tempo, eternamente presa em sua liberdade.
"A mão queimada ensina melhor", ele citou um dos filmes preferidos deles com uma seriedade jocosa que quebrou a tensão e ela caiu no riso, em seguida caindo nas mãos dele que faziam-lhe cócegas e por um momento, toda aquela densidade anuviou-se e ela era só um sorriso coberto de felicidade, do jeito que ele mais gostava de vê-la, e do jeito que ela só se sentia com ele.
Quando o dia amanheceu, ele apalpou a cama ao seu lado e sentiu uma pontada de desespero ao ver que estava vazia.
Tinha ficado com aquela pulga atrás da orelha sobre a frase que ela dissera no dia anterior, quando voltou depois de semanas sem dar notícias. Semanas em que ambos quase morreram de dor no coração.
"Não me deixa fugir."
Ele sentiu um aperto no peito e já colocava uma bermuda para sair na rua, quando ela entrou no quarto com um café da manhã em uma bandeja, a camisa dele da noite passada e um sorriso largo no rosto.
Ele tirou a bandeja das mãos dela, colocando-a na cômoda, e a puxou para si em um abraço apertado de puro alívio. Não a deixaria fugir, nunca mais.
Mal sabia ele que naquele momento o mesmo alívio descansava no coração dela, o abraçando com força. Nunca mais sentiria vontade de fugir, nunca mais.
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