quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Ponto de distância (Eu não consigo parar)

Eu sei que você acha muito desconfortável qualquer interação. Desconforto acontece quando você pendura seu coração no pescoço, quando coloca em questão constantemente seu valor próprio com base na possível validação e julgamento alheio, não importando muito de quem seja. Qualquer mínima interação é suficiente para servir de parâmetro de auto validação ou não, comparação, rejeição, insegurança, é cansativa. Quando você para de colocar a si mesmo em discussão constantemente, é quando pode relaxar. Isso pode acontecer por meio de fechar-se tanto em si, que rompe o ponto de contato com a crítica alheia. Ou então por afastar-se tanto de si, que se torna indiferente à valoração de seus atos. São atos de insensibilidade, é o ponto de distanciamento. O único risco é não conseguir parar.

domingo, 7 de novembro de 2021

Universo (constatação)

Volta e meia me vem a mente a famosa frase "Tudo é sobre sexo. Exceto sexo, que é sobre poder." Arrisco que podemos pular a ponte do meio e dizer que tudo é sobre poder. Mas rastreando um pouco mais, me parece que o poder é sempre sobre a necessidade. A necessidade de impor poder é a necessidade de suprir a falta, de preencher o vazio, de afastar o medo. O poder é sobre o controle, e este é a arma dos carentes e sozinhos - ou seja, todos nós. É o artifício para a falsa sensação de controle contra a ausência de lógica da vida em si. A solidão da morte e, principalmente, a solidão da vida. A ausência de amor, que nada mais é, do que a agravante da solidão. Mais uma vez, me parece claro: Somos todos feitos da mesma matéria. Crianças carentes e confusas, colocadas de improviso em uma contagem regressiva. Tateando no escuro mãos, como se elas fossem de sujeitos de apoio, de companhia. Mas ninguém é companhia de ninguém. Somos todas estrelas sozinhas dentro das próprias constelações. Tentando fazer de galáxias vizinhas uma extensão da nossa. Estamos todos sozinhos, todos sozinhos. É uma constatação.