sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Transbordando de sentimentos (That's the kind of love i've been dreaming of)

Mais uma vez eu vou embora
Depois de plantar outro horizonte de memórias.
Vou embora depois de gargalhadas altas, de correr na chuva, de criar um pequeno lar, de experimentar ser tua.
Vou embora depois de brigar e te botar pra fora, de te sentir me empurrar contra a porta, de desejo e vontade, de ficar bem à vontade, de esquecer que eu vou embora.
Depois de beijos no elevador, de passeios em roda gigante. Depois de ficar bêbada e boba, de pegar briga e chorar num rompante.
Vou depois de aprender suas cicatrizes, de me acostumar com a textura dos seus cabelos, de cheirar seu pescoço mil vezes, de ansiar pelos seus zelos.
Vou embora, não volto. Finjo que sim, e que não te adoro.
Vou depois de ter te mentido, de ter partido, de ter voltado e te enlouquecido. De te deixar triste, sedento, com o dedo em riste, ciumento.
Depois de segurar tua mão enquanto passeamos, de ser pega de surpresa por teus beijos, de sentir teu toque na minha coxa, de ficar toda roxa, de carícias e de amor.
Vou embora depois de te amaldiçoar. De dizer que você nunca mais ia me tocar. E depois implorar de saudades para que um sussurro te chamasse. De sentir o coração acelerar de ansiedade, as mãos tremerem de ciúmes, de ficar louca e livre e, sobretudo, tua.
Vou e levo um turbilhão, não sei se cabe em meu coração. Vou embora com uma pequena vida vivida, que muito em breve será esquecida. Vou embora e você nem sabe.
A dor de quem fica ainda é desconhecida
Estou vivendo a de quem parte.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

It's all over now baby blue

Vejo o detalhe
A sutileza da ondulação
Que transforma o interesse em descaso
A fome em desatenção
A vontade de causar redemoinhos
Na mais pura apatia.
Quando tudo o que me interessa é conquistar e destruir
E o conteúdo não me traz euforia
Sintoma claro de minha conquista vazia.

Olhando bem nos seus olhos transparentes
Não há muito o que me provoque curiosidade.
Seus tecidos mais primários, que te fazem gente
São da mais básica qualidade.
Outrora me faria empolgar o exame em si:
Saber e decifrar tudo, degustar sua verdade.
Mas que verdade é? Sua perspectiva ignorante enfim
O faz andar em círculos assim, tateando com ansiedade.

Pode até ter curiosidade por mim.
Aperta bem esses seus olhos azuis, enrola a língua assim.
Tenta num esforço tolo falar um pouco do meu português.
Mas sua mente não alcança nada mais uma vez
Serei eu a te ensinar e pegar na sua mão?
Te olhar tão encantada, por querer saber quem eu sou?

I don't think so.
Meus neurônios queimaram para todo o esforço com o gênero oposto.
Não vou te dar esse gosto, de agir fora do meu próprio prazer.
E até te ver revirar o olho assim, se retorcer por mim
Vai perdendo o sentido, se minha vaidade não depende mais de você.
Os elos que nos ligavam: interesse, desafio e acaso
Vão perdendo a força e o laço
Começa a se desfazer.
É assim
Que vejo outra paixão morrer.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Quem sou eu em 2025

O que me faz feliz

Liberdade. Sentir controle sobre minha mente e reações. Me aventurar no desconhecido, mas com racionalidade e cautela. Me sentir vazia de expectativas, mas cheia de curiosidade. Me divertir. Achar tudo divertido por não levar nada muito a sério. Sentir o sabor do céu, do ar, do frio, da música, da minha própria companhia. Me orgulhar do rumo dos meus pensamentos e das minhas ações. Reagir na medida do que acho certo e cabível. Controlar minhas reações. Compartilhar bons momentos com quem amo, mas reservando a minha parte, só minha. Ter limites e fronteiras entre mim e o outro. Conseguir transitar bem entre trazer felicidade ao outro e respeitar a mim mesma, meu espaço e tempo, minha individualidade. Apreciar minha individualidade. Sorrir comigo mesma. Sentir prazer longe do olhar do outro. Ter ideias, boas ideias. Liberdade com ocasional companhia. A sensação de ser amada. A sensação de ser eu mesma. Sentir-me eu mesma: identificar em minhas falas e ações coerência com meus pensamentos. Falar em voz alta: sentir-me estranha, ácida, tranquila e cética. Identificar quem eu sou, verdadeiramente, livre de mudar a mim mesma para me adequar ao outro, e sê-lo. Apenas ser.

O que me faz triste

Sentir pressão. Me sentir injustiçada, incompreendida, manipulada. Me sentir tolhida, com medo, com necessidade de me justificar. Precisar atender carências alheias desproporcionais às situações. Precisar me frear de ações minhas por questões do outro. Sentir culpa, mesmo sem ter ferido o outro. Sentir culpa devido às feridas e dores que vem internamento do outro. Sentir a expectativa pela atenção ser frustrada. Me sentir rejeitada, descartável, invisível. Querer, querer e não tatear o que quero. Sentir o desprezo do outro e também a necessidade exacerbada do outro sobre mim. Sentir essas dores e querer compartilhar mas não ter quem me escute e em quem eu possa confiar. Tentar me adaptar para ser querida, vista, amada. Modular falas, ações, pensamentos. Ver a mim mesma primeiro através dos olhos do outro e em segundo plano dos meus. Priorizar a opinião externa sobre meu próprio ser. Me perder. Esquecer quem eu sou, do que gosto, como me movo pelo mundo. Depender da visão do outro para me sentir bem. Esperar aprovação. Não encontrar solidez e firmeza em mim mesma.

I wanna fucking tear you apart

Não há conexão.
Não com um homem.
Expectativa inútil.
Criada. Performada. Inexata. Mentirosa.
Que estratégia mais perigosa.
Nos levando a decisões sérias, inegociáveis.
Jogando no abismo da estratégia, voluntárias mártires.

Agora eu tenho o mindset correto, eu descobri o mistério.
É madrugada, o gosto na minha língua é aventura e descoberta.
Tudo é uma brincadeira, tudo é temporário.
Tudo é vontade, nada é saudade.
Quero diversão, quero reação. Quero ver você passando mal na minha mão.
Quero engolir suas restrições, acariciar seus medos.
Quero satisfazer cada um dos meus desejos.
Vendo nos seus olhos brilhantes o apelo.
Quero te ver implorar por mais, quero ver suas feridas patéticas de homem, pedindo guarida.
Quero jogar a mais ácida das aguardentes.
Nada é sua culpa, é verdade, é uma estrutura.
Num universo ideal, você teria tratamento e sutura.
Mas não estamos nele, como atestam meus anos de vida.
Agora eu entendi, eu entrei, eu decidi
Comigo você terá prazer, terá loucura.
Mas no final do jogo,
O gosto
Será da mais delicada tortura.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Fora da caverna (Training season is over)

Eu adoro ver seu nome
Estampado na minha parede de notificações.
Adoro causar ondas em seu cinismo seco
Adoro suas reações.
Quero decifrar, dedilhar e exterminar
Cada uma de suas contradições.

Seus olhos azuis, doce fonte de vazio mistério
Sua boca hesitante, seu passado, seu império.
Tantos muros a derrubar.
Quero me refestelar com os destroços.
E anunciar a criação de um novo lar.
Um que seus olhos jamais irão vislumbrar.

Adoro o equilíbrio perfeito
Entre querer tanto o que eu realmente não quero.
Adoro minha fome, minha ilusão, meu sorriso.
Minha adoração, tanta emoção nesse querer misto.
Frio, caloroso, ambíguo, insincero.

Quero esse querer, esta força, esta energia.
Mesmo sabendo a natureza do fruto, entendendo
É verdade, agora eu entendo tudo.
Mesmo sabendo que na verdade o tudo é nada
Eu quero destrinchá-lo
Vilipendiá-lo
Da forma mais imediata.

Ah, o meu objeto.
Ele é tão simplório.
É difícil até de travesti-lo
Com a aquarela do meu ócio.
Mas eu tento, eu remendo, eu preciso
Extrair dessa história mais um suspiro.

Eu quero ver sua boca arquejar
Quero vê-lo perder o ar.
Odiar, implorar.
Querer viver, amar e matar.
Quero provocar as sensações
Tão distantes do que eu sinto.
Eu sinto,
Não sinto,
Eu minto.
Você, a meus olhos, é só um menino.
Tudo isso é a busca por um estímulo.

Algo que não foi perdido, não, eu estava enganada.
Nada me foi levado, retirado, tudo foi *criado*.
Criações minhas, procedimento sofisticado.
Quimeras incríveis, o melhor que posso produzir, obras primas inegáveis. É difícil decifrar.

Não é decepcionante descobrir, não, agora eu posso sorrir.
Todas as coisas belas e as dolorosas também,
A cor do sol, o brilho nos olhos, as cores do amor, e além
Todas invenções da minha imaginação
Minha mente capaz de tanto sentimento
E de tanta criação.

Sentir sem um interlocutor
Minha peça de um só ator
Agora eu posso entender o profundo fruto
De toda aquela dor.
Buscando o fim da corda, invisível
Uma expectativa impossível
Tatear no escuro pelo intangível, chega.
Se havia alguma explicação, eu sei
Agora eu sei
O gosto da libertação.

O gosto é doce a arisco
É gosto de sangue, de flores, de risco.
É gosto de riso à meia noite
Brincar com a dor e a sorte
Amor e morte.
Como meus mais antigos amigos.
Eu preciso lembrar dessa descoberta, dessa verdade
Lembrar do poder nas minhas mãos, revertendo a gravidade
Sabor doce e solitário
Inegável esquadro do quarto ato
Minha liberdade.

Agora vamos nos refestelar.
A mesa está posta, o cardápio foi anunciado.
Só me falta preparar. Olhos ardentes, faca e garfo.
É hora de começar.
A partir de agora uma nova era,
Mais lúcida, mais sincera,
Está prestes a começar.