Se tu pegasses
Tuas paixões. Teus desastres. Teus tesões. Tuas viagens. Tuas alucinações. E também miragens. Tuas acomodações. Tuas chantagens.
E colocasse todos, numa sala, em espelhos, em quadros, em pelo.
Se tu olhasses isso, se tu encarasse com curiosa admiração, o que tu farias?
Eu estou pegando
Minhas coisas pequeninas
Invadindo-lhes a pele. Invasiva desde menina.
Misturando meus mundos. Empilhando meus defuntos. Queimando suas latrinas.
Ah, saudades.
Tu não me pegas mais.
O que eu quero eu mesma pego.
Minha mão pálida traz.
O que eu desejo eu mordo.
Janeiro, abril ou agosto,
Com um sorriso mordaz.
Vamos lá.
Mistura essas coisas em ti.
Vamos lá.
Acorda dessa latência.
De água, silêncio e carência.
Acorda desta miragem.
Apenas o fogo e o caos
Produzem a sincera paisagem.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Mil reflexos em prisma de teu olhar assustado
Eu sou
Uma piada velha, um assunto antigo
Aquele que você não aguenta mais, resquício semi esquecido.
Eu sou o cigarro fumado, o teatro depois do show encerrado.
Eu sou o abatido do gado, o projétil usado do fogo de artifício.
Eu sou o que você não aguenta mais, embora não saia do peito.
A lembrança desastrosa de tudo a que veio ou a que não veio.
E por isso mesmo desencanta.
Sou tua unha lascada, doendo de vez em vez.
Aquela cicatriz antiga, que quase ninguém mais vê.
O livro que estava no topo, e agora apoia tua porta.
Sou tua lembrança rota, tua decisão torta.
Sou aquele arrependimento antigo, que te dá vergonha de infância.
O sentimento antigo de que tudo seria melhor, seria mudança.
Sou a estagnação que segura tua andança, sou no teu calcanhar a lança
Que te segura os tendões. Sou o atraso. Sou a constância.
O pior do teu olho, do nítido contraste roto.
Estou te encarando o tempo todo. Tu não sossegas desse sufoco.
Olha para mim.
Se olha no espelho.
Não, não, olha para mim.
Me olha no espelho.
Uma piada velha, um assunto antigo
Aquele que você não aguenta mais, resquício semi esquecido.
Eu sou o cigarro fumado, o teatro depois do show encerrado.
Eu sou o abatido do gado, o projétil usado do fogo de artifício.
Eu sou o que você não aguenta mais, embora não saia do peito.
A lembrança desastrosa de tudo a que veio ou a que não veio.
E por isso mesmo desencanta.
Sou tua unha lascada, doendo de vez em vez.
Aquela cicatriz antiga, que quase ninguém mais vê.
O livro que estava no topo, e agora apoia tua porta.
Sou tua lembrança rota, tua decisão torta.
Sou aquele arrependimento antigo, que te dá vergonha de infância.
O sentimento antigo de que tudo seria melhor, seria mudança.
Sou a estagnação que segura tua andança, sou no teu calcanhar a lança
Que te segura os tendões. Sou o atraso. Sou a constância.
O pior do teu olho, do nítido contraste roto.
Estou te encarando o tempo todo. Tu não sossegas desse sufoco.
Olha para mim.
Se olha no espelho.
Não, não, olha para mim.
Me olha no espelho.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Desabafo
Como eu estou? Eu estou bem, estou tranquila. E você, como está?
Estou apenas um pouco passiva agressiva. Aqueles primeiros minutos de ódio inflamando minhas veias passaram.
Estou com vontade de ser cruel. Aquela crueldade despropositada. Estou com a pele leprosa, insensível agora. Meu pior estado de espírito, no qual cometi os piores crimes da minha vida, aqueles que não conto para ninguém.
Estou assim porque não estou surpresa. Muito embora tenha inicialmente tremido de tanta mortificação.
Estou assim porque nada extraordinário aconteceu. Ainda assim minhas convicções de horas atrás de diluiram como pó no mar.
Há horas atrás estava prestes a publicar aqui palavras verticalmente opostas, diametralmente... Bom, vocês entenderam.
Eu não me importo mais com quem lê o que eu digo. Eu não me importo com as consequências dos meus atos. Eu me tornei uma coisa estranha, que eu mesmo não me importo mais decifrar.
Mas o que tem depois de tudo isso. Depois do ódio, da tristeza, da decepção, é a simples e clara aferição de que todos nós somos a mesma coisa, inútil e sem propósito.
Eu também não sou nenhuma santa. Mas eu escondo dentro de mim todos meus pensamentos sinistros e repulsivos. Isso quando não os falo aqui.
Nada daquilo é estranho, fora do comum. Nada do que aconteceu é motivo de um suicídio de um vínculo.
Ninguém me daria razão ao ouvir essa história, talvez. A história. Se eu contasse. Coisa que eu não vou fazer.
Mas a questão não é ter razão. Não no meu mundo. Nem no dos fatos. A questão é que eu sou uma monstra adorável, abusiva e completamente controladora. A verdade é que eu quero minhas coisas onde elas devem ficar e é que são, são coisas. São todas coisas e eu não sou melhor que elas, porque embora para mim eu seja o centro do meu universo, para os outros eu também sou coisas. E coisas se sujam, quebram. Os outros podem ser destroçados.
Os homens desejam as mulheres quando não são suas, por suas virtudes. Por suas curvas, sua sensualidade. Quando elas são suas, eles querem cobrir-lhes com panos e castidades. Putas na cama, santas fora dela. O clichê permanece, até nos mais feministas.
As pessoas vêem as outras do sexo que lhe interessa, como sexo ambulante, apto a fantasias. Mentem para suas parceiras sobre as traições mentais. Relacionamentos são doentes, nojentos e repulsivos. É assim que eu penso, mesmo estando em um.
O único estado perfeito é a solidão. O amor romântico - Tenho que concordar com meu amigo poeta de araque - é patético por definição. As pessoas gostam das coisas ao longe. Elas contemplam à distância. Com uma ponte - mesmo que pequena, tudo parece mais atraente, delicioso. - Essa talvez seja uma das únicas características um pouco diferenciais que eu tenho, não necessariamente positiva, mas que me leva à desilusões como a que causou este texto. Eu contemplo as coisas de pertinho e quão mais perto, mais me delicio por seus detalhes. Por isso, talvez, que mesmo que eu não quisesse, eu seria monogâmica. A aproximação intensa impossibilita o desvio do foco. Para mim ao menos.
Não obstante...
É verdade que eu talvez mude de ideia em relação a tudo isso e tantas outras coisas mais. Agora mesmo a frieza tranquila se transforma em preguiça - não menos tranquila, que pode virar ódio em um acender de palavras.
Eu não sei...
Mas por que será que me sinto tão refrescada quando sinto esse gosto delicioso de ceticidade dançando na língua? Por que meu eu indivíduo, desentrelaçado das minhas próprias necessidades, me faz sentir tão eu? Seria a solidão meu estado natural? Com certeza sim. Ah. Só não me espera terminar este texto de um jeito bonito.
Estou apenas um pouco passiva agressiva. Aqueles primeiros minutos de ódio inflamando minhas veias passaram.
Estou com vontade de ser cruel. Aquela crueldade despropositada. Estou com a pele leprosa, insensível agora. Meu pior estado de espírito, no qual cometi os piores crimes da minha vida, aqueles que não conto para ninguém.
Estou assim porque não estou surpresa. Muito embora tenha inicialmente tremido de tanta mortificação.
Estou assim porque nada extraordinário aconteceu. Ainda assim minhas convicções de horas atrás de diluiram como pó no mar.
Há horas atrás estava prestes a publicar aqui palavras verticalmente opostas, diametralmente... Bom, vocês entenderam.
Eu não me importo mais com quem lê o que eu digo. Eu não me importo com as consequências dos meus atos. Eu me tornei uma coisa estranha, que eu mesmo não me importo mais decifrar.
Mas o que tem depois de tudo isso. Depois do ódio, da tristeza, da decepção, é a simples e clara aferição de que todos nós somos a mesma coisa, inútil e sem propósito.
Eu também não sou nenhuma santa. Mas eu escondo dentro de mim todos meus pensamentos sinistros e repulsivos. Isso quando não os falo aqui.
Nada daquilo é estranho, fora do comum. Nada do que aconteceu é motivo de um suicídio de um vínculo.
Ninguém me daria razão ao ouvir essa história, talvez. A história. Se eu contasse. Coisa que eu não vou fazer.
Mas a questão não é ter razão. Não no meu mundo. Nem no dos fatos. A questão é que eu sou uma monstra adorável, abusiva e completamente controladora. A verdade é que eu quero minhas coisas onde elas devem ficar e é que são, são coisas. São todas coisas e eu não sou melhor que elas, porque embora para mim eu seja o centro do meu universo, para os outros eu também sou coisas. E coisas se sujam, quebram. Os outros podem ser destroçados.
Os homens desejam as mulheres quando não são suas, por suas virtudes. Por suas curvas, sua sensualidade. Quando elas são suas, eles querem cobrir-lhes com panos e castidades. Putas na cama, santas fora dela. O clichê permanece, até nos mais feministas.
As pessoas vêem as outras do sexo que lhe interessa, como sexo ambulante, apto a fantasias. Mentem para suas parceiras sobre as traições mentais. Relacionamentos são doentes, nojentos e repulsivos. É assim que eu penso, mesmo estando em um.
O único estado perfeito é a solidão. O amor romântico - Tenho que concordar com meu amigo poeta de araque - é patético por definição. As pessoas gostam das coisas ao longe. Elas contemplam à distância. Com uma ponte - mesmo que pequena, tudo parece mais atraente, delicioso. - Essa talvez seja uma das únicas características um pouco diferenciais que eu tenho, não necessariamente positiva, mas que me leva à desilusões como a que causou este texto. Eu contemplo as coisas de pertinho e quão mais perto, mais me delicio por seus detalhes. Por isso, talvez, que mesmo que eu não quisesse, eu seria monogâmica. A aproximação intensa impossibilita o desvio do foco. Para mim ao menos.
Não obstante...
É verdade que eu talvez mude de ideia em relação a tudo isso e tantas outras coisas mais. Agora mesmo a frieza tranquila se transforma em preguiça - não menos tranquila, que pode virar ódio em um acender de palavras.
Eu não sei...
Mas por que será que me sinto tão refrescada quando sinto esse gosto delicioso de ceticidade dançando na língua? Por que meu eu indivíduo, desentrelaçado das minhas próprias necessidades, me faz sentir tão eu? Seria a solidão meu estado natural? Com certeza sim. Ah. Só não me espera terminar este texto de um jeito bonito.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Um curioso causo
De caminhos se fez ninhos, de ninhos se fez corrente.
E serpentes - não são as mais escorregadias, nem sempre.
Os moços de olhos claros, de sorrisos raros e mãos quentes.
São os mais perigosos - bicho domesticado - são cabulosas as
coisas que sentem.
Dissera Seu João que tomasse cuidado com os sorrisos largos.
Porque as pessoas de bom coração tendem a tornar-se
metódicos carrascos.
Meu coração é quente e minhas mãos inquietas. Minhas asas
são instáveis - Por vezes não param quietas.
Mas nada mais perigoso que um rapaz gentil.
Ele te entrega a mão e o coração, te surpreende com
inocência.
Te dá a chave, a senha e combinação - Te assusta tamanha sua
alta frequência.
Inicialmente, claro. Ele te entrega um mundo. Te faz sentir
até desconfortável com tanta entrega.
Te dá a ilusão de controle e com ela o direito
De perder-se, às vezes, nesta floresta.
Para mim, bicho do mato, no entanto já vacinado, bicho
prejudicado
O ceticismo me dói como um colírio necessário
Mas como resistir a encantador relicário?
Bochechas rubras, sorriso esticado. Honestidade até no
gaguejar eventual e desajeitado. Uma delícia de presa.
E como nele não se perdê-la?
De insistência vence o gajo,
E com tanto afeto demonstrado, abate o gado.
Induz a uma morte precoce da dúvida soturna,
E te leva de pedra a água na velocidade da lua
Um causo curiosíssimo para os conhecedores de causa
Valha.
Da selvageria se fez calma
E da fuga, apego louco.
Manha, agarrado, choro. Coisa de doido.
Transformado o predador na presa
Velha nova fábula antiga da quimera
Que de quimera nunca teve nada.
Delicioso rapaz do sorriso bobo,
Agora faz o que quer com o que corre em tuas mãos.
Pratica as jogadas se assim te apraz
Ou apenas deixa levar pelo não arrependimento eficaz
Mas trata de deixar a dúvida na opção
E o que vai fazer com o que tem em teu poder
Cabe exclusivamente a tua razão.
Por que diabos não ouvi o Seu João?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
4 letters
Estive a vida inteira escrevendo sobre apego, necessidade e possessão. Sem muito sentido de lógica. Escrevi sobre ideologia cada vez que vi coisas que não existiam em pessoas, apenas para satisfazer minhas fantasias literárias, para me estimular à paixão. Mas escrever sobre o amor?
Eu não sei se já o fiz. Escrevi sobre momentos de amor. Sobre a sensação tátil daquele segundo. Não escrevi sobre como é complicado e por vezes contraditório. Não escrevi sobre o ódio que reside no amor. Não falei sobre um dia difícil, em que a pessoa amada te desencanta. Em que ela age ao reverso do que tu esperas, e como por um momento pode sentir vontade de correr para longe dela e detestá-la. Como às vezes características que tu não admiras se manifestam no teu objeto do afeto. E se o que tu sentir for efêmero, elas vão sim sobrepujar todo o resto com o tempo. Vão acumular-se e criar o sentimento de repúdio que torna tão fácil deixar alguém.
Mas e quando após um dia difícil, um dia daqueles. Em que tal como o gatinho que te arranhas quando tu tenta um carinho, a pessoa que tu amas te decepciona quando tu precisa dela. O que falar sobre como, mesmo após um dia cansativo (a pior das sensações em relacionamentos, talvez), você vê o sorriso daquela pessoa. Você a vê se emocionar com algo que não é nem teu, apenas vê seus olhos brilharem e seu sorriso crescer no rosto e a alegria tomar suas feições e tudo some. Qualquer desapontamento parece banal e distante e as lágrimas vem ao rosto, meio que sem avisar, porque é emocionante vê-lo feliz e emocionado, mesmo que não contigo. E naquele momento, quando tudo borbulha dentro de ti e não é porque está sendo amada ou afeiçoada, não naquele momento específico. Não é sobre tu a felicidade com ele. Não é sobre vocês. É porque ele está feliz, apenas, e por isso apenas tudo borbulha dentro de si e vira mágica, vira montanha russa, vira felicidade. Porque ele está feliz.
Um dia um amigo nosso, nos vendo, disse: "Olha que o mais interessante é que mais feliz que ele, que ganhou o presente, está ela, o olhando enquanto ele o recebe."
E ele estava certo.
A esse passo, acho que estou pronta para falar de amor.
Eu não sei se já o fiz. Escrevi sobre momentos de amor. Sobre a sensação tátil daquele segundo. Não escrevi sobre como é complicado e por vezes contraditório. Não escrevi sobre o ódio que reside no amor. Não falei sobre um dia difícil, em que a pessoa amada te desencanta. Em que ela age ao reverso do que tu esperas, e como por um momento pode sentir vontade de correr para longe dela e detestá-la. Como às vezes características que tu não admiras se manifestam no teu objeto do afeto. E se o que tu sentir for efêmero, elas vão sim sobrepujar todo o resto com o tempo. Vão acumular-se e criar o sentimento de repúdio que torna tão fácil deixar alguém.
Mas e quando após um dia difícil, um dia daqueles. Em que tal como o gatinho que te arranhas quando tu tenta um carinho, a pessoa que tu amas te decepciona quando tu precisa dela. O que falar sobre como, mesmo após um dia cansativo (a pior das sensações em relacionamentos, talvez), você vê o sorriso daquela pessoa. Você a vê se emocionar com algo que não é nem teu, apenas vê seus olhos brilharem e seu sorriso crescer no rosto e a alegria tomar suas feições e tudo some. Qualquer desapontamento parece banal e distante e as lágrimas vem ao rosto, meio que sem avisar, porque é emocionante vê-lo feliz e emocionado, mesmo que não contigo. E naquele momento, quando tudo borbulha dentro de ti e não é porque está sendo amada ou afeiçoada, não naquele momento específico. Não é sobre tu a felicidade com ele. Não é sobre vocês. É porque ele está feliz, apenas, e por isso apenas tudo borbulha dentro de si e vira mágica, vira montanha russa, vira felicidade. Porque ele está feliz.
Um dia um amigo nosso, nos vendo, disse: "Olha que o mais interessante é que mais feliz que ele, que ganhou o presente, está ela, o olhando enquanto ele o recebe."
E ele estava certo.
A esse passo, acho que estou pronta para falar de amor.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Pausa para repetir o óbvio
Pessoas são furacões esperando para acontecerem
Bem no meio de sua vida, em um dia de setembro, na realização de seus sonhos ou em suas próprias mentes, a todo momento.
Mas mensurando em proporções gerais, somos todos irrelevantes.
Eu, você, esse problema que está quebrando a sua cabeça, seus piores segredos e desejos mais insanos.
Fica muito fácil assim, tornar qualquer coisa aceitável. Sair de si um pouco e comer um pouco do todo. Fica fácil aceitar derrotas, insatisfações e a completa contrariedade dos fatos com nossas expectativas... sempre tão efêmeras
Eu me lembro bem da sensação de fracasso, amargando um pouquinho minha língua. Lembro dessas vezes e como elas são mais finalistas do que as vitórias. Porque o fracasso encerra um plano natimorto, encerra um ciclo. Isso, não obstante toda a autocrítica e comiseração, traz uma sensação de fechamento. "Fechando gestalts", não é mesmo?
Já a vitória é um trampolim frenético que nunca pára, nunca respira, nunca dorme. E eu sou viciada nesse trampolim desde que recebi o primeiro sinal de reconhecimento, porque explodo em mim constantemente. E quando saio um pouco, dou uma volta e olho para dentro, percebo a desnecessidade de tudo isso - ainda que saiba que voltarei em breve.
E essa vaidade toda é bem mais interna do que se possa pensar. Porque o buraco aumenta com os anos, consumindo tudo ao seu redor, exigindo perfeição e resultado, tudo em busca de respostas a perguntas que vão ecoar como um epitáfio meu.
Mas tudo isso - repito desde os 13 anos - também é passageiro, não é?
Oh Céus. A dor e a paixão. A completa tendência ao suicídio e a paz inequívoca, tão voláteis. Em mim, revezam até em minutos.
E como eu amo essa instabilidade. Como eu adoro a essa liberdade doce de saber que tudo se recicla constantemente, sendo absolutamente desnecessário para a centelha que trago em mim. Tudo se esvai, e só fica a vontade daquele exato instante. E como isso nos faz livres. E como isso nos faz frios.
Bem no meio de sua vida, em um dia de setembro, na realização de seus sonhos ou em suas próprias mentes, a todo momento.
Mas mensurando em proporções gerais, somos todos irrelevantes.
Eu, você, esse problema que está quebrando a sua cabeça, seus piores segredos e desejos mais insanos.
Fica muito fácil assim, tornar qualquer coisa aceitável. Sair de si um pouco e comer um pouco do todo. Fica fácil aceitar derrotas, insatisfações e a completa contrariedade dos fatos com nossas expectativas... sempre tão efêmeras
Eu me lembro bem da sensação de fracasso, amargando um pouquinho minha língua. Lembro dessas vezes e como elas são mais finalistas do que as vitórias. Porque o fracasso encerra um plano natimorto, encerra um ciclo. Isso, não obstante toda a autocrítica e comiseração, traz uma sensação de fechamento. "Fechando gestalts", não é mesmo?
Já a vitória é um trampolim frenético que nunca pára, nunca respira, nunca dorme. E eu sou viciada nesse trampolim desde que recebi o primeiro sinal de reconhecimento, porque explodo em mim constantemente. E quando saio um pouco, dou uma volta e olho para dentro, percebo a desnecessidade de tudo isso - ainda que saiba que voltarei em breve.
E essa vaidade toda é bem mais interna do que se possa pensar. Porque o buraco aumenta com os anos, consumindo tudo ao seu redor, exigindo perfeição e resultado, tudo em busca de respostas a perguntas que vão ecoar como um epitáfio meu.
Mas tudo isso - repito desde os 13 anos - também é passageiro, não é?
Oh Céus. A dor e a paixão. A completa tendência ao suicídio e a paz inequívoca, tão voláteis. Em mim, revezam até em minutos.
E como eu amo essa instabilidade. Como eu adoro a essa liberdade doce de saber que tudo se recicla constantemente, sendo absolutamente desnecessário para a centelha que trago em mim. Tudo se esvai, e só fica a vontade daquele exato instante. E como isso nos faz livres. E como isso nos faz frios.
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