Eu te vejo mudar
Gradativamente
Sobreposição entre passado e presente
Agora parece tão nítido
Lembrança clara e quente
Surrupiada por uma palavra atual
Ledo engano da imaginação
Frase ferina em uma conversa natural
Desatenção rotineira
Indiscrição passageira
Corta para uma noite sem nuvens
Conversa entrecortada de silêncio
Observando os passageiros do mundo, lá embaixo
Nós duas, como um pedaço estático do tempo
Gravadas na memória, antigas
Dissipadas
Nada menos que uma memória
Nada
Quando você aparece na minha porta
Assombração
Visita tímida de outro tempo
Vinda de outra dimensão
Com uma gargalhada alta
Minha vida amarrada em sua saia
Andar descalço de fada
Tantas coisas
Fruto da imaginação
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
Última gota de amor
Me vejo refém de retratos passados
Impostores do presente
Rodopiando inutilmente
Em arquivos desatualizados
Carinho e nostalgia
É quase um delírio febril
Pura fantasia
Direcionada a lugar nenhum
Que ninguém mais vê ou viu
Ainda assim, me vejo
Relembrando uma risada
Uma palavra entrecortada
Sua cantoria desafinada
Café da manhã na sala
Tardes deitadas no jardim
Cada vez menos precisas
Imagens enevoadas
Uma frase engraçada
Memória arranhada
Não sei se veio de você ou de mim
Só que a sensação desvanece
Um tom de sonho que escurece
Enquanto a realidade se irradia
Pelas frestas da janelas
Uma lágrima sutil escapa, uma sequela
Dessa vez é assim
A lembrança chega ao fim.
Impostores do presente
Rodopiando inutilmente
Em arquivos desatualizados
Carinho e nostalgia
É quase um delírio febril
Pura fantasia
Direcionada a lugar nenhum
Que ninguém mais vê ou viu
Ainda assim, me vejo
Relembrando uma risada
Uma palavra entrecortada
Sua cantoria desafinada
Café da manhã na sala
Tardes deitadas no jardim
Cada vez menos precisas
Imagens enevoadas
Uma frase engraçada
Memória arranhada
Não sei se veio de você ou de mim
Só que a sensação desvanece
Um tom de sonho que escurece
Enquanto a realidade se irradia
Pelas frestas da janelas
Uma lágrima sutil escapa, uma sequela
Dessa vez é assim
A lembrança chega ao fim.
Hermenêutica
Não tenho muita coisa sob controle
Quando o inferno ferve nas linhas desconexas do pensamento
Quando sinto arder, anunciar ruptura
E a face parece um receptáculo desconectado e insuficiente
Não tenho o poder, não tenho o manejo
Do tempo, do outro, do ambiente
Da memória, da sensação, da minha mente
Tenho apenas, fracamente,
Minha ferramenta preferida
Elástica, modelável, dobrável e movediça
Minha impostora de feridas
Singela e insuficiente, mas que abre as frestas para a corrente de ar
E me dá
O pouco que preciso para respirar
Desafogar o sufoco
Desenhar em formatos precisos o grito rouco
Gultural e desconexo
Necessitando de tradução
Delineado em movimentos repetitivos das minhas mãos
Até chegar a cada enxerto
De conclusão rasa
Rima reutilizada
Uso vulgar de palavras.
Quando o inferno ferve nas linhas desconexas do pensamento
Quando sinto arder, anunciar ruptura
E a face parece um receptáculo desconectado e insuficiente
Não tenho o poder, não tenho o manejo
Do tempo, do outro, do ambiente
Da memória, da sensação, da minha mente
Tenho apenas, fracamente,
Minha ferramenta preferida
Elástica, modelável, dobrável e movediça
Minha impostora de feridas
Singela e insuficiente, mas que abre as frestas para a corrente de ar
E me dá
O pouco que preciso para respirar
Desafogar o sufoco
Desenhar em formatos precisos o grito rouco
Gultural e desconexo
Necessitando de tradução
Delineado em movimentos repetitivos das minhas mãos
Até chegar a cada enxerto
De conclusão rasa
Rima reutilizada
Uso vulgar de palavras.
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