Quanta idiotice.
Eu não queria zombar do passado, mas acho
Que todo esse tempo vivi um chiste.
Eu sei que achar isso fácil
É inevitável
Depois de regurgitar tanto sentimento.
Mas não posso evitar
E lamento
Ter me dado com tanta futilidade
Para fins de pura banalidade
Como isso ocorreu eu não compreendo.
Eu sempre vi mais ou menos a natureza das coisas
Talvez até com mais clareza que agora
Me admirava com o inusitado e novo
Era entediada e poderosa.
Mas o vazio em mim sempre possibilitou
Pequenos raptos de sanidade
Sequestros de minha autonomia
Sacrifício de autenticidade
O domínio da fantasia
Me dando doses de euforia
Em troca da minha liberdade.
Nunca mais na minha vida
Vou imaginar em outro alguém
Palácios indizíveis
Impérios inalcançáveis
Todo o místico e poesia
Que só vinha da minha arte.
Quero continuar lúcida e minha
Terrivelmente acordada.
Saborear o que me convier
Com doses saudáveis de realidade
Não há nobreza em forjar
Belezas feitas de falsidade.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
segunda-feira, 22 de julho de 2024
Suas flores têm odor de cemitério
Você diz que quer meu amor. Diz que quer minha atenção.
Você diz que quer acesso. Quer o contato, o íntimo, o excesso.
Quer muito mais do que sexo.
Conhecer-me profundamente, acalentar as minhas mãos.
O que você quer com esse pedido? O que pretende com essa invasão?
Você quer encontrar meu íntimo? Penetrar nos órgãos, mastigar meu coração?
Sentir o gosto em sua língua. Saborear-se e cuspir-me fora?
Eu vou embora.
Vejo através de sua paixão intensa.
Vejo as cores de cada uma das labaredas que te esquenta.
De seu desejo que eu fale.
"Fale."
As pessoas dizem "sem julgamentos", mas isso é uma mentira.
Querem que você fale sem barreiras, para ter mais informações e assim,
Julgarem o que precisarem
Se deliciarem.
Ao encontrarem motivos para o desamor.
Ah, a segurança do desamor.
Quanto mais eu conhecê-lo, mais motivos a meu dispor.
Menos as correias do medo de perder me aprisionarão.
Quanto mais confiante de seus defeitos
Estiver minha percepção.
E um dia quando ruir
A ilusão criada pela paixão
Poder partir sem nenhum arrependimento
Pelos destroços que eu deixei.
Ah, como não crer neste procedimento?
Fui eu mesma que o criei.
Você diz que quer acesso. Quer o contato, o íntimo, o excesso.
Quer muito mais do que sexo.
Conhecer-me profundamente, acalentar as minhas mãos.
O que você quer com esse pedido? O que pretende com essa invasão?
Você quer encontrar meu íntimo? Penetrar nos órgãos, mastigar meu coração?
Sentir o gosto em sua língua. Saborear-se e cuspir-me fora?
Eu vou embora.
Vejo através de sua paixão intensa.
Vejo as cores de cada uma das labaredas que te esquenta.
De seu desejo que eu fale.
"Fale."
As pessoas dizem "sem julgamentos", mas isso é uma mentira.
Querem que você fale sem barreiras, para ter mais informações e assim,
Julgarem o que precisarem
Se deliciarem.
Ao encontrarem motivos para o desamor.
Ah, a segurança do desamor.
Quanto mais eu conhecê-lo, mais motivos a meu dispor.
Menos as correias do medo de perder me aprisionarão.
Quanto mais confiante de seus defeitos
Estiver minha percepção.
E um dia quando ruir
A ilusão criada pela paixão
Poder partir sem nenhum arrependimento
Pelos destroços que eu deixei.
Ah, como não crer neste procedimento?
Fui eu mesma que o criei.
Mais um sobre o vazio
Carinho.
Penso.
Sim, eu ainda sou capaz de carinho.
É o que penso enquanto toco o rosto desse homem, assistindo intrigada a seus desabafos, histórias de infância, gostos e fantasias.
Sou capaz de carinho, penso enquanto beijo sua face e me surpreendo com sua expressão genuína de afeto.
Surpreendentemente, ele é gentil e parece sincero.
Parece muito velho para sentir essa paixão tão ingênua por mim. Ou talvez eu que seja muito jovem para já ter me tornado tão fria assim.
Nas condições ambientes tenho tudo o que sempre precisei na minha mente para criar um cenário perfeito de romance desenfreado e poético.
Então por que não consigo?
Digo palavras belas. Tomo as ações corretas. Mas a realidade, a dura necessidade, as intenções cruas e passageiras aguardam com curiosidade essa fase ter fim.
Vejo por trás de sua adoração a carência, o auto engano e a solidão.
"Não, não é uma idealização" - ele me diz.
Com uma ingenuidade que quase me encantaria, já que eu sempre gostei da inocência e fantasia.
Mas apenas me entristece. Nem meu ego se envaidece com a construção de um cenário tão previsível assim.
"Espere só um pouco", tenho vontade de lhe advertir. "Espere para ver o que aconteceria caso eu realmente me apaixonasse".
O tempo necessário para minha atenção não mais lhe encantar e sim aborrecer.
Para o contraste entre nós começar a aparecer,
E minha reatividade te causar perplexidade, vendo dia a dia essa bela imagem desconstruir-se para você.
Não é uma idealização?
Como não?
Se não vê
A mulher estranha, vazia, perplexamente entediada, muito embora eu vocalize que não acredito em nada.
Mas ainda assim, ele me olha e diz:
"Que olhar romântico você tem".
Eu quase rio
Abismada
Não tenho nada a oferecer.
Toda promessa é uma mentira previsível
Decepcionar suas expectativas inevitável
Não há nenhum cenário em que essa ilusão se torne algo palpável.
Suspiro, sentindo o peso vazio do verdadeiro ceticismo que instalou-se em mim.
É a primeira vez que me sinto assim.
Penso.
Sim, eu ainda sou capaz de carinho.
É o que penso enquanto toco o rosto desse homem, assistindo intrigada a seus desabafos, histórias de infância, gostos e fantasias.
Sou capaz de carinho, penso enquanto beijo sua face e me surpreendo com sua expressão genuína de afeto.
Surpreendentemente, ele é gentil e parece sincero.
Parece muito velho para sentir essa paixão tão ingênua por mim. Ou talvez eu que seja muito jovem para já ter me tornado tão fria assim.
Nas condições ambientes tenho tudo o que sempre precisei na minha mente para criar um cenário perfeito de romance desenfreado e poético.
Então por que não consigo?
Digo palavras belas. Tomo as ações corretas. Mas a realidade, a dura necessidade, as intenções cruas e passageiras aguardam com curiosidade essa fase ter fim.
Vejo por trás de sua adoração a carência, o auto engano e a solidão.
"Não, não é uma idealização" - ele me diz.
Com uma ingenuidade que quase me encantaria, já que eu sempre gostei da inocência e fantasia.
Mas apenas me entristece. Nem meu ego se envaidece com a construção de um cenário tão previsível assim.
"Espere só um pouco", tenho vontade de lhe advertir. "Espere para ver o que aconteceria caso eu realmente me apaixonasse".
O tempo necessário para minha atenção não mais lhe encantar e sim aborrecer.
Para o contraste entre nós começar a aparecer,
E minha reatividade te causar perplexidade, vendo dia a dia essa bela imagem desconstruir-se para você.
Não é uma idealização?
Como não?
Se não vê
A mulher estranha, vazia, perplexamente entediada, muito embora eu vocalize que não acredito em nada.
Mas ainda assim, ele me olha e diz:
"Que olhar romântico você tem".
Eu quase rio
Abismada
Não tenho nada a oferecer.
Toda promessa é uma mentira previsível
Decepcionar suas expectativas inevitável
Não há nenhum cenário em que essa ilusão se torne algo palpável.
Suspiro, sentindo o peso vazio do verdadeiro ceticismo que instalou-se em mim.
É a primeira vez que me sinto assim.
terça-feira, 9 de julho de 2024
Ensaios de um carinho sincero
Minha percepção se divide entre afeição e distância.
O meu eu racional, tão mais inventado do que real, gosta, também, de imaginar: que sou fria e indiferente, que não gosto mais de gente.
Que não quero nada, não espero, não preciso.
Mas preciso, preciso, preciso.
Sou toda necessidade e falta, e um vazio que me engole e devora minha alma. Retira minha objetividade, minha autonomia, minha liberdade.
Me deixa furiosa, curiosa, carinhosa. Com sentimentos como carência e saudade.
Eu não sei.
Não sei o quanto é natural ou são minhas feridas. Não sei o que é real, não sei como encobri-las. Como encobrir minha fragilidade: tão exposta nos meus olhos marejados. Tão raivosa em meus ciúmes infundados. Uma horrorosa colcha de retalhos, de tudo o que todos e o tempo me estilhaçaram.
Eu não sei. Não compreendo de onde veio essa dor. Se ela sempre existiu, se ela se aprofundou. Quem são os responsáveis por esse diagnóstico. Por que, meu deus, não consigo olhar com meus próprios olhos, para meus sentimentos e necessidades.
Só sei que sinto dor e preciso de amor sincero. Tenho medo de todos os riscos, ou de quem posso manter por perto. Minha insensibilidade se divide entre medo e fantasia. Queria ser forte. Queria ser fria.
Mas tenho um coração desperto, ferida exposta, a céu aberto. Está aqui para quem temperá-lo só um pouquinho. Minhas resistências faço só em texto.
Pessoalmente, ensaio o mais sincero carinho.
O meu eu racional, tão mais inventado do que real, gosta, também, de imaginar: que sou fria e indiferente, que não gosto mais de gente.
Que não quero nada, não espero, não preciso.
Mas preciso, preciso, preciso.
Sou toda necessidade e falta, e um vazio que me engole e devora minha alma. Retira minha objetividade, minha autonomia, minha liberdade.
Me deixa furiosa, curiosa, carinhosa. Com sentimentos como carência e saudade.
Eu não sei.
Não sei o quanto é natural ou são minhas feridas. Não sei o que é real, não sei como encobri-las. Como encobrir minha fragilidade: tão exposta nos meus olhos marejados. Tão raivosa em meus ciúmes infundados. Uma horrorosa colcha de retalhos, de tudo o que todos e o tempo me estilhaçaram.
Eu não sei. Não compreendo de onde veio essa dor. Se ela sempre existiu, se ela se aprofundou. Quem são os responsáveis por esse diagnóstico. Por que, meu deus, não consigo olhar com meus próprios olhos, para meus sentimentos e necessidades.
Só sei que sinto dor e preciso de amor sincero. Tenho medo de todos os riscos, ou de quem posso manter por perto. Minha insensibilidade se divide entre medo e fantasia. Queria ser forte. Queria ser fria.
Mas tenho um coração desperto, ferida exposta, a céu aberto. Está aqui para quem temperá-lo só um pouquinho. Minhas resistências faço só em texto.
Pessoalmente, ensaio o mais sincero carinho.
Um pequeno desejo
Pessoas não são sentimentos, coisas ou drogas.
São amontoados de medos, cadeia turva de histórias, imaginação.
Não se pode amar alguém. Não se pode nomear alguém. Delimitar. Encostar na sua essência, imprecisa e inefável.
Só se pode depositar: esperança, desejo, vingança. Se pode distorcer, modelar, fazer caber na sua própria necessidade.
Essa é a natureza das relações.
Alguma sinceridade é possível dentro de si mesmo.
Quando calam-se as vozes e se escutam os desejos. No vácuo do silêncio do outro, a procura por si pode atingir algum resultado: ainda que mutável, confuso, instável. Alguma verdade.
Dentro de mim o faço: fecho os olhos, tampo os ouvidos. Cruzo as pernas sentada, submersa em água.
Aqui, no meu mundo, reconheço minhas cores, que aos poucos se destacam, na tranquilidade da escuridão.
Vejo minhas cores ácidas, obscuras e silenciosas. Vejo seus tons de calma, estranheza e solidão. Eles se assentam, fazem sentido. Caem bem nos meus olhos afiados e sorriso tranquilo. Na caótica queimação da minha mente e do meu coração.
Deixo minhas cores me cobrirem como um manto de verdade e sinto a melancólica satisfação de me sentir eu.
E procuro, então, minhas companheiras. Minhas únicas ferramentas. A única coisa sob meu controle: Palavras.
São amontoados de medos, cadeia turva de histórias, imaginação.
Não se pode amar alguém. Não se pode nomear alguém. Delimitar. Encostar na sua essência, imprecisa e inefável.
Só se pode depositar: esperança, desejo, vingança. Se pode distorcer, modelar, fazer caber na sua própria necessidade.
Essa é a natureza das relações.
Alguma sinceridade é possível dentro de si mesmo.
Quando calam-se as vozes e se escutam os desejos. No vácuo do silêncio do outro, a procura por si pode atingir algum resultado: ainda que mutável, confuso, instável. Alguma verdade.
Dentro de mim o faço: fecho os olhos, tampo os ouvidos. Cruzo as pernas sentada, submersa em água.
Aqui, no meu mundo, reconheço minhas cores, que aos poucos se destacam, na tranquilidade da escuridão.
Vejo minhas cores ácidas, obscuras e silenciosas. Vejo seus tons de calma, estranheza e solidão. Eles se assentam, fazem sentido. Caem bem nos meus olhos afiados e sorriso tranquilo. Na caótica queimação da minha mente e do meu coração.
Deixo minhas cores me cobrirem como um manto de verdade e sinto a melancólica satisfação de me sentir eu.
E procuro, então, minhas companheiras. Minhas únicas ferramentas. A única coisa sob meu controle: Palavras.
Você deveria prestar atenção no que as pessoas dizem (Olhos de amor)
-Eu não amo ninguém. Eu não acredito em nada. Eu não sinto saudades de lugar nenhum.
Minto, em parte. Digo coisas para chocar. Eu acredito, sim, que as pessoas são capazes de amor. Vi vezes demais diante dos meus olhos para duvidar. Mas ainda assim minto, o afasto, por precaução.
-É um favor que te faço - penso. Uma versão de você estaria a me agradecer em outra dimensão.
Solto em conversas casuais informações que detalham o quão indisponível estou ao seu amor.
Críticas à religião, casamento. Minha exposição de que nada importa. Aleatórias odes ao individualismo: meus pequenos castelos de distância.
Meu aviso é silencioso, mas preciso: não se aproxime. Não há nada para você aqui.
Eu dei esse aviso a todos os homens que me amaram e, lamentavelmente, a todos pareceu apaixonar.
Mas essa é a primeira vez que falo em sério: não há nada para você aqui.
A ingenuidade que faria minha resistência arrefecer, tornar-se compreensão, redenção e devoção, se foi. Estou obcecada com a realidade agora. E na realidade não cabe o ato de se apaixonar.
Sinto o prazer, o carinho e até a intimidade. Sinto todas as boas sensações do ato ilusório de cuidar. É pouco sincero, porém. Uma fantasia.
Nos bastidores, assisto as belas cenas como quem vê uma série de televisão antiga e anacrônica. Nada disso funciona para mim.
Vejo e sorrio e lamento, em especial quando ele me olha com aqueles olhos.
Olhos cheios de água, de mágoas passadas, de esperança para o futuro. Quando ele me olha com aqueles olhos que projetam todas as suas dores e todos os seus projetos. Olhos de amor.
Então nem na fantasia tolero, desvio o olhar. Não aguento esse sentimento sobre mim.
Não me olhe assim.
Minto, em parte. Digo coisas para chocar. Eu acredito, sim, que as pessoas são capazes de amor. Vi vezes demais diante dos meus olhos para duvidar. Mas ainda assim minto, o afasto, por precaução.
-É um favor que te faço - penso. Uma versão de você estaria a me agradecer em outra dimensão.
Solto em conversas casuais informações que detalham o quão indisponível estou ao seu amor.
Críticas à religião, casamento. Minha exposição de que nada importa. Aleatórias odes ao individualismo: meus pequenos castelos de distância.
Meu aviso é silencioso, mas preciso: não se aproxime. Não há nada para você aqui.
Eu dei esse aviso a todos os homens que me amaram e, lamentavelmente, a todos pareceu apaixonar.
Mas essa é a primeira vez que falo em sério: não há nada para você aqui.
A ingenuidade que faria minha resistência arrefecer, tornar-se compreensão, redenção e devoção, se foi. Estou obcecada com a realidade agora. E na realidade não cabe o ato de se apaixonar.
Sinto o prazer, o carinho e até a intimidade. Sinto todas as boas sensações do ato ilusório de cuidar. É pouco sincero, porém. Uma fantasia.
Nos bastidores, assisto as belas cenas como quem vê uma série de televisão antiga e anacrônica. Nada disso funciona para mim.
Vejo e sorrio e lamento, em especial quando ele me olha com aqueles olhos.
Olhos cheios de água, de mágoas passadas, de esperança para o futuro. Quando ele me olha com aqueles olhos que projetam todas as suas dores e todos os seus projetos. Olhos de amor.
Então nem na fantasia tolero, desvio o olhar. Não aguento esse sentimento sobre mim.
Não me olhe assim.
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