Quanta idiotice.
Eu não queria zombar do passado, mas acho
Que todo esse tempo vivi um chiste.
Eu sei que achar isso fácil
É inevitável
Depois de regurgitar tanto sentimento.
Mas não posso evitar
E lamento
Ter me dado com tanta futilidade
Para fins de pura banalidade
Como isso ocorreu eu não compreendo.
Eu sempre vi mais ou menos a natureza das coisas
Talvez até com mais clareza que agora
Me admirava com o inusitado e novo
Era entediada e poderosa.
Mas o vazio em mim sempre possibilitou
Pequenos raptos de sanidade
Sequestros de minha autonomia
Sacrifício de autenticidade
O domínio da fantasia
Me dando doses de euforia
Em troca da minha liberdade.
Nunca mais na minha vida
Vou imaginar em outro alguém
Palácios indizíveis
Impérios inalcançáveis
Todo o místico e poesia
Que só vinha da minha arte.
Quero continuar lúcida e minha
Terrivelmente acordada.
Saborear o que me convier
Com doses saudáveis de realidade
Não há nobreza em forjar
Belezas feitas de falsidade.
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