Suas mãos no meu pescoço
Afunda a carne, toca o osso
Dou um riso desavergonhado
Desculpa moço, nunca aprendi a temer.
Minha inconsequência não reconhece
Dormente, inocente, inerte
As ameaças que o controle
Em forma de gozo, vêm a trazer.
O amor assim é empolgante
Internamente indisponível às amarras,
Acho engraçado simular o ato
Digo isso para mim mesma: acho engraçado.
A ausência de gentileza torna-se rotina
No lugar dos olhos nos olhos, adrenalina
Quase me esqueço de reparar que tudo que em mim o fascina
São coisas assim
Ligadas a controle
Ao ato de oprimir
Ainda que só no fingimento lúdico
Do desejo ele se deixe permitir.
Fugindo das desculpas
Reconheço o indigesto
Não é um evento novo
De repente não é mais tão fácil sorrir.
A verdade no meu osso
Na sua mão no meu pescoço
É clara como o brilho no seu olho
Todos os homens
Que conheci
Quiseram me destruir.
sexta-feira, 31 de maio de 2024
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Um lamentável quadro
O meu coração está um pouco vazio
Respira ofegante
Um pouco sozinho
Está machucado
Procura um alívio
Pede um sossego
Propõe uma trégua
Um pôr de sol quente
Me diz, bem suave
"Não tem quem aguente"
É muita porrada
São muitos enganos
Estilhaçados
Já são muitos anos
De cacos quebrados
No espelho da parede
Ou no chão do meu quarto
Em meus pés feridos
Mal cicatrizados
Já tocam de novo
As mais novas mágoas.
Deixando cada vez mais
Penetrantes marcas
Ninhos de vazio
Resquícios e restos
Viraram poeira
Nas paredes da sala
No vão vazio onde guardo
Os troféus sozinhos
De amores desperdiçados.
E o meu sentimento
Tão fundo e terno
Tem sido abatido
Em doses lentas
Pancadas invasivas
Consistente esforço
Meu sentimento é desnudado
Até ficar só o osso
De esperançoso intento
O meu sentimento
Que foi tão bonito
Tão glorificado
Com tanto desprezo
Foi manipulado
Com que facilidade
Ele foi descartado.
Com que solidão
Me deixou esse quadro.
Respira ofegante
Um pouco sozinho
Está machucado
Procura um alívio
Pede um sossego
Propõe uma trégua
Um pôr de sol quente
Me diz, bem suave
"Não tem quem aguente"
É muita porrada
São muitos enganos
Estilhaçados
Já são muitos anos
De cacos quebrados
No espelho da parede
Ou no chão do meu quarto
Em meus pés feridos
Mal cicatrizados
Já tocam de novo
As mais novas mágoas.
Deixando cada vez mais
Penetrantes marcas
Ninhos de vazio
Resquícios e restos
Viraram poeira
Nas paredes da sala
No vão vazio onde guardo
Os troféus sozinhos
De amores desperdiçados.
E o meu sentimento
Tão fundo e terno
Tem sido abatido
Em doses lentas
Pancadas invasivas
Consistente esforço
Meu sentimento é desnudado
Até ficar só o osso
De esperançoso intento
O meu sentimento
Que foi tão bonito
Tão glorificado
Com tanto desprezo
Foi manipulado
Com que facilidade
Ele foi descartado.
Com que solidão
Me deixou esse quadro.
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