O meu coração está um pouco vazio
Respira ofegante
Um pouco sozinho
Está machucado
Procura um alívio
Pede um sossego
Propõe uma trégua
Um pôr de sol quente
Me diz, bem suave
"Não tem quem aguente"
É muita porrada
São muitos enganos
Estilhaçados
Já são muitos anos
De cacos quebrados
No espelho da parede
Ou no chão do meu quarto
Em meus pés feridos
Mal cicatrizados
Já tocam de novo
As mais novas mágoas.
Deixando cada vez mais
Penetrantes marcas
Ninhos de vazio
Resquícios e restos
Viraram poeira
Nas paredes da sala
No vão vazio onde guardo
Os troféus sozinhos
De amores desperdiçados.
E o meu sentimento
Tão fundo e terno
Tem sido abatido
Em doses lentas
Pancadas invasivas
Consistente esforço
Meu sentimento é desnudado
Até ficar só o osso
De esperançoso intento
O meu sentimento
Que foi tão bonito
Tão glorificado
Com tanto desprezo
Foi manipulado
Com que facilidade
Ele foi descartado.
Com que solidão
Me deixou esse quadro.
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