domingo, 3 de novembro de 2013

Pensamentos.
Nada me deixa em paz essa noite.
Tanto que eu poderia estar fazendo, mas estou aqui, te desejando.
Um pouco longe, você dorme. Inconsciente do que acontece aqui. Ou talvez ciente, mas indiferente. Quem sabe?
Incógnita,
é o que és pra mim.
Incógnita de pescoço pálido e sinais marrons, com seus braços pálidos e musculosos, o sangue aparecendo salpicado pela sua pele, a boca tão vermelha rodeada pelos pêlos de tua barba... Tuas pernas longas e esguias em teu jeans, tão convidativo.
Os teus ossos, se sobressaindo e teu tórax branco, residindo na minha imaginativa mente, que tenta atravessar tua blusa.
Teus dedos tão longos de mãos tão pálidas.
Você é como um chamariz para mim.
Todos os meus poros se dilatam e se atraem quando te vejo. Desvio o olhar, evitando trechos seus. Evitando reforçar essa fixação que não pretendo perseguir.
Que devo fazer? Segurar sua blusa, ou sua mão, quando caminhamos? Como uma criança pequena, pedindo para você me esperar?
Porque você sempre anda na frente. Anda na frente esperando que eu te alcance, olhando para trás.
Com seu olhar preocupado.
Então me olha sério, nos olhos e diz essas coisas maduras.
Apenas para rir na minha cara em seguida, me pasmificando com os absurdos que saem de sua boca.
Em resumo, me deixa louca.
Ao final do dia, deito exausta, cansada de tentar montar o quebra cabeça sem ordem das contraditórias facetas de você.
Imagino que você nem pensa nisso ou talvez se divirta. É difícil que não perceba minha angústia e como sorri com tanta tranquilidade, é difícil que ela não te divirta.
Mas então dá de ombros e diz que tem mais o que fazer. Conversa com estranhos, me tratando como uma e por segundos tenho a claríssima certeza de que nada te importa.
Quem é você?
Quero te questionar, te fazer entender. Quero segurar sua cabeça com as duas mãos, e enfrentando seus olhos, te interrogar. Interrogar seu coração. O que se passa nesse músculo fibroso. O que se passa nessa mente inquieta. Invadir sua armadura de indifença afiada e cinismo triste. Te obrigar a me dar todas as respostas, e caso você não me dê ou ainda caso você as dê, seja lá quais forem...
Te beijar. Te beijar até o mundo acabar.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mordidas amargas

Eu vi, eu me lembro bem
Quando a água tocava meus seios, crescentes
E eu sentia vergonha em o tempo estar passando.
Era em tardes deitada num sofá, que a sensação me envolvia
Me deixava com medo de estar perdendo minha inocência.
E tudo que eu queria era me enrolar, pequena, no colo da minha mãe
Sem qualquer coisa que me dissesse mulher.
No fundo, eu já sentia o gosto do tempo.
O temoroso, sempre passante, tragando tudo a seu redor.
"Tempo, mano velho", inesquecedor* acertador de contas.
E me perdoe os neologismos, mas são avisos
De tudo que ainda não existe, se aproxima de ser criado.
Hoje tuas mordidas amargas
Marcam meu pescoço como navalhas antigas.
Uma mão de rapaz, na minha pele de criança
Certas horas tudo isso está errado,
Ainda não tenho nem 10 anos.
Quero ir para o colo da minha mãe numa tarde de domingo
Tocando Belchior na felicidade fabricada
da varanda da minha casa.
Ah, meus olhos estão apagando.
O tempo traga toda a doçura dos nossos anos.
Nada é permanente, triste obviedade.
Nem a tranquilidade da infância.
Hoje tudo está um caos.
As paredes estão ruindo.
Minha casa não está sorrindo.
E você, meu velho amigo,
meu eterno adversário,
Tempo, mano enjaulado.
está agora bem acordado.



Ojeriza às declarações exageradas no facebook



Para quem você escreve,
ou derrama declarações?
Quem é o alvo de seus beijos
e de suas encenações?
A quem o show se apresenta,
esse repente histérico...
Repetindo ininterruptamente
O romance em adultério.
Quando espera que os outros vejam
como é forte sua paixão
Sem perceber, usa seu bem
Como a roupa da estação.