terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Come si impari qualcuno?


Come si impari qualcuno? Come si puoi chiudere gli occhi e vedere i loro diversi tipi di sorriso? Como si sembra quando si vergogni, quando visita con sua mente un ricordo, quando parla di qualcosa con passione. Come si impari il suoi umori, la sue opinioni su cose di cui non si è ancora parlato? Come si impari la voce di questa persona dentro di te? Il colore delle sue mani quando fa freddo, la sua espressione mentre si svegli, quando ti guarda, il colore dei suoi occhi quando si ecciti? 

Tu da valore a tutte le cose che ritengo come importanti, come una lettera d'amore. Ecco perché imparar a te, come la persona che tu sei, mi colpisce così. Questa è una lettera d'amore all'essere umano che tu sei e tutto ciò che mi porta. 

Proprio ora, ancora pochi giorni prima del nostro addio fisico, i miei occhi si riempiono di lacrime diverse volte, come è successo negli ultimi giorni. 

(E provo a fare finta da uno sbadiglio, quindi non sarò così imbarazzata sull'autobus.)

 Ma ogni volta che chiudo gli occhi arriva la tua immagine nella mia mente, con uno di quei sorrisi. E non piango con tristezza, no. Anche ora che le lacrime stanno già correndo libere l'una dopo l'altra, non sono triste. (Ora con un po 'di vergogna perché ho appena visto mio professore sul bus, guardandomi piangere). 

Sono così felice. Sono così assolutamente felice per questo straordinario regalo che mi hai dato. Se io non ti vedere mai di più in tutta la mia vita d'ora poi, se io non sentire mai di più la tua voce d'ora in poi, ancora così tu potrebbe avvere la certezza di che hai fatto qualcuno pienamente felice in questo mondo. Ed è per questo che ti ringrazio tanto. Tanto.

Anche ora quando penso che non potrò tenere la tua faccia in miei mani, guardarti negli occhi, tenerti così stretto, ed a causa di questo sento come se un pezzo di me mi sia stato strappato, qualcosa di essenziale, di cui non posso stare senza, tuttavia, ancora ora, non rimpiango nulla per un secondo. Non farei nulla di diverso. 

Sappi che ogni momento è registrato come un film nella mia memoria. Per questo ho pagato così tanta attenzione: Ballare sotto il portico della tua casa, abbracciarti mentre fai la pastaciutta, vedere la tua espressione imbarazzata quando mi hai mostrato i tuoi video per la prima volta e dopo molte insistenze mi hai raccontato dei tuoi progetti. Ogni sorpresa e ogni rabbia che mi hai fatto (tanti). Tutto. 

Te l'ho detto un giorno (molti anni fa) che non capivo come qualcuno possa amare qualcuno, una volta che una persona è qualcosa di così complesso e sconosciuto. 

Ed ora conosco la risposta. È così semplice: si chiudi gli occhi, si vedi il suo sorriso, sua immagine sorridente per te. Si sente e subito lo sai: È così. 

sábado, 28 de julho de 2018

Carta para mim.

E depois do que podem ser chamados anos de abstinência, eu resolvi sentar e escrever. Eu mesma, primeira pessoa. Sem Lucis, Mirians ou Anas. Sem "ela", a moça do terninho e do café.
Eu vim escrever para resgatar a voz que preciso ouvir, me lembrando das coisas que eu já aprendi, mas que eu tenho esquecido.
Eu vim falar comigo mesma, porque precisava ouvir de alguém o que eu tenho a dizer: Que isso tudo que aconteceu e tem acontecido, tudo isso que machucou e tem ferido, tudo isso também vai passar. Nada disso pode ser esquecido.
Eu vim explicar para mim mesma que as alegrias inebriantes que se quebraram como ondas em lágrimas e rompantes - todas elas tiveram sua função. Eu já não sou a mesma, já fui tantas que não sei nem mais, mas nenhuma das antigas foi perdida. Como aquelas bonequinhas estranhas, estão todas dentro de mim, fazendo uma síntese do rebuliço emocional que me acompanha porque eu sou toda rebuliço: Fogo, rompante, intensidade agoniada. Entrega total, cegueira momentânea e risadas gostosas. Noites caminhando pelas ruas dessa cidade bonita, tardes abraçada vendo as cores de um olho familiar, lágrimas enquanto sorrio e tento compreender as pessoas. Muitas perguntas, muita saudade, declarações fora de hora - às vezes para destinatários vazios, cobranças descabidas e permissividades desnecessárias. Sim, eu sou todas essas coisas, tantas que foram erradas, mas em todas dando o meu melhor. Entrega, riso e choro, mas nunca vazio. Então não adianta tentar o vazio. Não adianta me gabar da liberdade da ausência de sentimento que alimenta um buraco que pode sim vir a me devorar durante o meu sono.
Então eu vou pegar essas lembranças, essas minhas lindas lembranças. E essas tristes lembranças também - as despedidas, as palavras ferinas, o abandono e a solidão. E com elas adubar o terreno no qual vou me construindo, me tornando outra coisa, algo mais rico de sentimentos, experiências e aprendizado. Algo pronto para receber ao novo, para me aventurar. E aceitar que eu tenho sim, ainda, um coração de raposa. Que é ferino e esperto e um pouco vadio. Mas que é de uma raposa que não consegue ser indiferente aos sonhos, ao amor e à esperança. E tudo bem, devo quebrar meu focinho mais umas quinhentas vezes e talvez nunca descansar tranquila num abraço permanente, porque tudo é transitório - Mas que os momentos sejam intensos, enquanto existam e que o coração pulse com verdade pelo que deseja e que o amor não seja esquecido em nenhuma esquina do trajeto.
E dias novos surgirão. Com essas lindas lembranças agridoces pavimentando a ternura dessas certezas.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

There were two in the tower

I had a gloomy tale to tell
There were two in the tower
In the edge of madness and outbreak
They had coffins in their mouths, weak voices in their minds.
They were trying to still aim something, to reach that despicable coverage of hope, remaining in their broken hearts and souls.
They were clinging really hard, really desperate. They were almost falling, but still stretching.
And so we do ask:
Why?
Why is it so vital to fight for dying things?
What is that precious quality contained in arms and eyes and hairs?
What is it that still make you cry even when you discovered how useless tears can be.

And in this empty room we widow
And in this empty room we sorrow
And yet
They cling onto each other,
Because such a sad persisting effort hope is.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

"Não convém".


É engraçado. Quando lembro que achava que todo mundo de onde você vem era como você, mas nem é. Essa fala esquisita, formal, cantada, debochada: Só você.
Tão polido em me afastar, não uma nem apenas duas vezes. Se apenas teus olhares, sorrisos e beijos acompanhassem tuas palavras. Mas não foi assim nos nossos pequeninos momentos, ao menos não para mim. Mas falemos da frase, enfim.

A primeira foi numa dança, após todo o furacão de tu me dizer "não". Tocava Fagner e depois Caetano. Tu olhou para mim e riu com a ironia daquilo tudo.

Sentimento ilhado
Morto, amordaçado

Eu olhei e ri, enquanto escorria uma lágrima. Três dias e eu estaria à milhares de quilômetros daquela tua expressão sem salvação.

"Não queria que tu fosses agora" - Teu sorriso triste olhando o mundo ao nosso redor.

Naquele momento pareceu claro, como eu não percebi antes. Com tua indiferença, negação, silêncio e distância... O tempo todo estávamos no mesmo lugar:

"Eu me importo". Tu disse com uma urgência, uma força e aquele olhar engolindo o meu.

Ora, que inferno. Que não se importasse, quão mais fácil seria.

Eu olhei para nosso ambiente. Nossos amigos nos chamavam, teu abraço me constrangendo porque aí sim, depois das brigas, choro, raiva e acusações eu olhava pra ti como eu era e te dizia Não não te acho nenhum cretino. Gosto de tu assim, não precisava mudar nada.

Meu sorriso era tão desconsolado. Tu não sabias esse tempo todo. E então voltamos, sem salvação: Caetano.

A tua coisa
É toda tão certa
Beleza esperta.

"É tua música", tu me sorria e se aproximava. Estava perdendo o foco de quão sem saída era nossa rua. Eu, três vezes mais inconsequente em qualquer situação, tomei outra dose, puxei o teu braço e vamos dançar.

E daí, começou a tocar aquela bossa nova, a trilha sonora de curtir o fato de tudo parecer absurdamente mais real ao teu redor. A música mais gostosa, a noite mais memorável, eu, mais eu mesma. Na companhia do teu silêncio.

"Dançar bossa nova... bom, não convém". Foi aí o primeiro. Eu sorri e fingi que não te entendia, num teatro em que ninguém mais sequer sabia o que interpretava.

Vamos sentar, tu me cortou, como sempre cortou meus impulsos de ajeitar tua gola ou teu crachá. Mas na hora de levantar, tu segurou minha mão enquanto andávamos, porque é isso que tu sempre fez: O que tu bem quis.

Eu apenas te olhava, com teu olhar reto em frente, determinado em fazer qualquer coisa que te desse na telha sem nenhuma precaução. Eu te olhava, desesperançada, como quem sabia que sequer adiantava lutar por meu próprio coração. Que se desmanchava quando tu me abraçava tão forte naquela despedida, ou que ao menos parecia.

E teu abraço era tão forte, abraço sem nenhum beijo, tu me puxava e passeava as mãos por meus cabelos, costas, braços, e tudo que me fazia aproximar o beijo do teu, que quando lá chegava te ouvia: Não convém...

Me afastei um segundo antes da tua boca tomar a minha por assalto, porque é assim que tu sempre fez tudo: Com a incoerência total e completa que bem te convém.

Memória, memória, borrão e corte.

Dois dias depois e uma eternidade. Tu à minha frente em mais um almoço feito de silêncios completamente desproporcionais. Olhávamos para a janela à fora: Filosofia, Vida, Futuro. Tudo menos a gente, apenas a despedida. Amanhã eu estaria longe e tu, bom, tu comia tua alface com tranquilidade.

"Lembro a primeira vez em que almoçamos aqui", eu e o sorriso direto dos céticos. Aquela primeira vez que na verdade, haha, veja só, fazia um mês. "Nossa, como eu estava mal naquele dia". Eu disse e sorri, como que encantando-me com a reminiscência de uma versão tão juvenil e pura de mim mesma.

Foi assim que amenizei o que se sucedeu ante teu primeiro impacto: Insônia, falta de apetite, enjoos e calafrios. 25 anos nas costas. É. Era para rir mesmo.

"Sim, lembro que você mal comeu". Me disse, distraído. Alienado de tudo, mas ainda assim atento aos detalhes. Eu sorri: Bom, não era à essa altura que eu ia te entender.

"É. Reações químicas. Foi horrível". Tu me olhou, Como assim? perguntou o que já sabia. Claro que já sabia:

Outro corte. Quantos dias atrás? Seria o mesmo? É difícil pra caramba saber contigo.

Final da manhã, não sei bem como fomos parar naquela varanda do teu décimo quarto andar. Olhando o mundo lá embaixo, as pessoas pequenininhas, dentro das casas, em seus carros, em suas vidas. Quantos minutos ficamos olhando em silêncio eu não sei bem.

"Nada disso importa em nada. Nenhum de nós. Não é?" Não precisava ter te perguntado, eu senti no teu silêncio antes de falarmos: "É."

Por que tu, que eu conhecia apenas há um mês, eu já conhecia há tanto tempo?

Ficaria ali, naquela bancada de mármore, o mundo lá embaixo, minha mente esvaziando, todo o dia. No tipo mais eficaz de meditação que já conheci. O maldito, o infeliz silêncio confortável.

"Tudo são reações químicas. A paixão, o amor - tudo temporário. Sabe, eu li um estudo sobre isso uma vez. São nossos hormônios que simulam cada sensação de ansiedade e prazer."

"Bom", tu mentiu e eu não vi na hora, "devem faltar esses hormônios em mim então.".

Corta de volta para a pior mesa de almoço imaginável.

Eu te olhei diante da tua pergunta. "Não precisa dizer se não quiser", tu respondeu antes de mim, por já saber a resposta e hoje eu me pergunto - tão infrutiferamente quanto escrevo esse texto: para quê?

"Não convém", te respondi. Devolvendo para ti. Nossa inabilidade de sair do chão. Nossa escolha fraca e imprestável pelo Não.

domingo, 8 de abril de 2018

Eis a graça dos quadros inacabados.

Diluem-se num café como o teu, sem açúcar,
fragmentos de imagens à esmo, um sorriso cínico, uma conversa muda.

Tua postura blasè: Tédio, aquarela e bossa nova.
Olhar a multidão lá embaixo, uma palavra rude, tua mão que urge, teu timbre de prosa.

Um riso conciso, uma risada sádica, teu olhar contido, dedos em minha saia.
Chorei no banheiro com essa música. Tu suspirou de tédio.
Eu nunca seria tua. Tu nunca serias crédulo.

Tirastes teus óculos, bebestes um gole.
Tomei uma dose, segurei teu pescoço.
"Quero tirar as camadas do teu cinismo, Quero te ver só o osso."
Teus olhos brilharam diante do desafio:
Não encontraria nada,
Quando retirasse teu vazio.

"Por baixo disso tudo sou só um rapaz prosaico".
Tua voz é um assobio,
Teus cacos guardo em meu assoalho.

Juntei o que coletei de ti: Uma forma bonita quando vaporosa.
A verdade é que minha memória me trai, e teu fragmento já é lembrança rota.
Minha vontade também não é constante e não fossem tuas palavras meia boca,
Fosse tu mais tangível e puro, fosse teu rapaz prosaico,
Tinha perdido a graça teu desafio,
Eis a graça dos quadros inacabados.



Quarto ato de toda peça

Chegou ao esperado,
E como eu sabia que seria,
Vejo tua imagem se diluir aos poucos
No espelho da minha euforia.

Teu rosto antes bem delineado.
Olhar altivo à frente, zombeteiro
Suas formas vão ficando opacas
No canto inferior do meu olho esquerdo

Tuas mãos segurando forte minhas costas
por elas passando com urgência e desespero
A sensação se desvanece a cada momento e morre
A agonia de te ansiar inteiro.

E se uma parte de mim agradece à despedida
Curva-se com delicadeza "Já vai tarde, infelicidade minha"
A outra lamenta, tímida e ilógica
Sentirei saudade, lembrança melancólica.

A paixão é um cão dos infernos

Está noite, a cidade é lindíssima. Minha mente está destruída, sua lança é afiadíssima.

Ah, você estragou todos eles, todos eles. Com seus humores saudáveis, empatia humana e respostas previsíveis. Como é que você falava? "Boring."

Essas pequenas memórias não deixam minha mente. Seu olhar retilíneo para frente, e em seguida para o nada.

Seu olhar insistente em silêncio, e em seguida repleto de mágoa.

Teu rosto é o rosto mais oblíquo. Teus olhos ora fogo, ora vazio. Teu sorriso é zombeteiro, introspectivo, só sorri consigo, não compartilha nem isso.

Sabes que é complicado, ri e acha engraçado. Que não é nunca indesejável, será que é disso que faz caso?

Seus olhares, poucas palavras, gestos teatrais, atitudes banais, tudo na minha mente, como um repente, uma mágoa tangente, um infinito tormento. Há de passar. Todos os outros passaram. Mas enquanto não passa, dói, ridículo sofrimento.

Esse pequeno afeto, este encantamento vai passar, eu sei que vai passar.

Com seus aborrecimentos, sua eterna expressão blasé, as mensagens não respondidas e meu gradiente desprazer.

Mas enquanto não passa, toca como uma música enjoada ao meu redor, preenchendo o vazio constante com espaços de memórias que eu não entendo, não tenho como entender.

Eu coletei distrações para preencher o vazio que ninguém viu.
Te tirei por uma distração, por passagem que ainda não sumiu.
Mas qualquer pessoa é entendiante, mesmo tua voz sendo pedante, mesmo nosso destino sendo oposto. Nada nem ninguém tem o seu gosto.

De você guardei alguns vícios de linguagem, o café sem açúcar, o prazer em dançar na chuva, a bossa nova, e a vontade de voltar a fazer prosa.

Epílogo

Revisitei minhas paisagens internas,
Me parecia uma viagem longa e bucólica,
Mas não foi difícil encontrar uma janela
Para minha consequência melancólica.

Ah, estava lá, estava tudo lá.
Quando a última borboleta decidiu da armadilha se entranhar,
Bastava um olhar mais cuidadoso,
Cautela de que não confia em raposas.
Bastava uma consulta pública ao meu sistema,
Olhar com atenção a curvatura do olho felino
Se ao menos tivesse sido mais hermenêutico,
Se ao menos fosse mais lobo e menos menino...

Bom, doce final com gosto de reprise
Não sou eu quem vai condenar o que já estava escancarado
O que desde que sou um filhote já existe,
Não sou eu quem vai curar tuas feridas
por tua falta de cuidado ao entrar na minha vida;

Tampouco aponte este seu dedo em riste para mim
É possível que eu enrole-o aos meus lábios
E faça um episódio bônus para o final desta temporada
Manjada
De caça
Já finalizada.

Tragédia

Encontrei o inimigo frente à frente, mais forte do que nunca.
Estava agora em posse de armas que ultrapassavam meu conhecimento leigo.
Não, eu não tinha como confrontá-lo.
Suas garras frias agarraram meu estômago por dentro, me paralisando de medo
e estupidez. Entortaram minhas palavras e meu rápido raciocínio tornou-se ineficaz e débil.
Eu pude sentir, com a clareza de um nascer do sol, à medida em que seus sintomas
se espalharam pelo meu corpo, centímetro a centímetro, como galhos de uma árvore,
inabilitando-me com tal eficácia que não teria o mais fatídico dos venenos.
Minhas mãos firmes e ágeis se tornaram duas inúteis tremedeiras, incapazes de decisões.
Hesitei, por um momento, absorta: E agora?
Quantas vezes encontrei o inimigo - podia calcular com minha mente - algumas vezes eu
o procurara, outras o encontrei por acaso - Em todas, até, então, me aproximei com a mínima curiosidade, mas não desta.
Desta vez, ele estava mais proativo, invasivo e violador. Contra minha vontade, meu bom senso,
meu controle, ele derrubou as portas de minha casa, instalou-se em mim - parasita maldito, e assim rendeu-me da mais ridícula das formas, tão definitiva que borrou minha mente e qualquer tentativa de negar aquilo que explodia dolorosamente em minhas entranhas:
Estava apaixonada.