Tomei um vinho para entrar no personagem
Hoje fez um clima de chuva que não fazia desde 2012
Eu acumulei um monte de coisas de lá para cá em minha bolsa:
Acumulei tudo o que roubei de mim mesma,
enquanto forçava cada vez mais a resistência da minha pureza.
Acumulei o resultado de todas minhas hipóteses negadas, minhas facas desafiadas, minhas armas enferrujadas.
Acumulei o que de algumas pessoas peguei - Que foi pouco mais que nada, porque bem menos trouxe do que deixei, por isso talvez hoje me sinta pouco lírica, pouco vazia, pouco.
Eu tomei um vinho amargo, que agora eu tomo em uma taça de vidro e não na imaginação.
Seu gosto me remete à noites frias e solitárias, música ambiente, praças joviais - bem longe aqui do sertão.
Me remete à coisas que vivi, que sorvi o gosto e comi. Até não significarem nada.
Papel fosco, risada seca engasgada.
Desde cedo eu soube,
Eu hipotetizei
Que nada teria sentido
Que ninguém seria meu rei
Mas agora sem nenhuma vitória
Posso dizer que provei
Nada importa nenhum pouco
Nada do que fiz, do que quis, do que sei.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
Talvez fosse o caso de você procurar ajuda profissional
Às vezes eu me sinto tão triste que sinto um espaço vácuo pesando dentro de mim, se expandindo a medida que eu ando, falo, sorrio, faço minhas atividades.
Quando eu me sento eu sinto que ele pesa e torna todo meu corpo muito pesado e tudo o que eu faço exige muito mais força do que o normal: falar, sorrir, me mexer, trabalhar.
Quando me sinto assim, meu rosto fica um pouco dormente, como se eu tivesse passado muito tempo debaixo d'água, como se eu ainda estivesse lá.
Parece que vai faltar ar a qualquer momento.
Quando eu preciso ver pessoas, agir normalmente, conversar, essa tristeza fica em segundo plano guardada, quase como que observando o que eu faço, como uma visitante silenciosa. Ela fica em segundo plano à tudo o que eu faço e embora eu esteja pensando e fazendo outras coisas, estou absurdamente consciente dela todo o tempo.
Quando eu não preciso sair e levá-la comigo nos ombros, e fico em casa, de pijamas, sem precisar olhar para ninguém, ela vira maior do que eu. Ela se senta em ambos os meus ombros e me abraça forte até pesar o suficiente para que eu precise me deitar porque não consigo carregá-la, preciso fechar os olhos porque ela me pesa as pálpebras.
-
Existem momentos nos quais eu sou viciada, nos quais eu esqueço essa tristeza. São momentos nos quais eu me sinto livre, leve e radiante.
Mas na maioria deles
Eu estou terrivelmente cansada
De me sentir responsável pela felicidade de todo mundo
E culpada por suas tristezas
Uma carga que eu carrego
Sem que ninguém tenha me pedido.
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