Tolo é quem não teme a noite, este demônio maravilhoso.
Ela suspira vento ameno pelas ruas de esgotos e lojas velhas no centro dessa cidade caótica.
Ela sussurra no seu ouvido uma e mais outra história, exibe seus dentes finos, contando baixo cada hora.
Só não teme a noite quem não a conhece, vadia e sem receios. Ela te beija, te enaltece. Te tira a roupa, te suga os seios.
Tolice não amar a noite, e não amar as coisas mortíferas.
Afinal, aquilo que te apaixona
Geralmente te tira a vida.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
the horror
Vomitei e não saiu nada.
Vomitei meu nada, teu nada.
A ausência de algo que não existe.
As palavras entrecortadas, em silêncios que são navalhas tristes.
Os pensamentos que não tem hora, crucificando o sono tranquilo.
As cruzes e seus asilos, seus diários sacrifícios...
Eu gritei e não saiu som,
Não terei eu gritado em bom tom?
Algo profano sai de mim, de meu olhar. Posso ver você, ou a moça
que cruza a calçada, a ver, e se assustar.
Eu cuspi essas noites loucas e esses dias escuros, esse céu nublado ou este sol escaldante. Eu cuspi teus dias vazios, os abraços cada vez mais frios, eu cuspi a morte diária de acordar em meio ao nada.
Não se pode jogar o nada fora,
pois quando se tem ele,
todo o resto já foi embora.
Vomitei meu nada, teu nada.
A ausência de algo que não existe.
As palavras entrecortadas, em silêncios que são navalhas tristes.
Os pensamentos que não tem hora, crucificando o sono tranquilo.
As cruzes e seus asilos, seus diários sacrifícios...
Eu gritei e não saiu som,
Não terei eu gritado em bom tom?
Algo profano sai de mim, de meu olhar. Posso ver você, ou a moça
que cruza a calçada, a ver, e se assustar.
Eu cuspi essas noites loucas e esses dias escuros, esse céu nublado ou este sol escaldante. Eu cuspi teus dias vazios, os abraços cada vez mais frios, eu cuspi a morte diária de acordar em meio ao nada.
Não se pode jogar o nada fora,
pois quando se tem ele,
todo o resto já foi embora.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Te.
Te beijo e choro.
Te tenho medo.
Laçou-me a vida,
sugou-me o peito.
Se te magoo,
É só pavor
Palavras feias
cheias de amor.
Te quero perto,
não sai jamais.
Me beija a boca
um pouco mais.
Quanto tu partes,
me parto em quadros
de tuas imagens
comigo ao lado.
Quando tu sais,
me leva a doçura
me leva a paz
sem tu, sou tua.
Quando tu estás
Felicidade.
Eu não sabia
que isso existia.
Todas as noites
te quero perto,
te tenho medo
te tenho afeto.
Te tenho medo.
Laçou-me a vida,
sugou-me o peito.
Se te magoo,
É só pavor
Palavras feias
cheias de amor.
Te quero perto,
não sai jamais.
Me beija a boca
um pouco mais.
Quanto tu partes,
me parto em quadros
de tuas imagens
comigo ao lado.
Quando tu sais,
me leva a doçura
me leva a paz
sem tu, sou tua.
Quando tu estás
Felicidade.
Eu não sabia
que isso existia.
Todas as noites
te quero perto,
te tenho medo
te tenho afeto.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
You know you got it.
Me inquieto nos teus braços
E me encaixo em teus sapatos.
Forçando-te guela abaixo.
Te sufoco e te amarro?
Doce crime do padre amado,
Me condenes se tu fores a cela.
Ofereço a ti em um velho prato
Tão burlesco e descartável
Este órgão pulsante assado
Sangrento e regurgitável.
Toma, lambe, mastiga e cospe.
Que meu sangue seja tua tosse
E te acompanhe todos os dias
Doença da afeição minha.
Quero entrar em tua alma
Invadir-lhe as retinas
Roubar os pensamentos,
Desatinos, entrelinhas.
Coser uma teia doce
Das tuas mãos às minhas.
Não consigo ser tranquila
Não, não sei o que é tranquilidade
Tudo aqui explode e agita
E até meu amor é uma ferida que arde.
E me encaixo em teus sapatos.
Forçando-te guela abaixo.
Te sufoco e te amarro?
Doce crime do padre amado,
Me condenes se tu fores a cela.
Ofereço a ti em um velho prato
Tão burlesco e descartável
Este órgão pulsante assado
Sangrento e regurgitável.
Toma, lambe, mastiga e cospe.
Que meu sangue seja tua tosse
E te acompanhe todos os dias
Doença da afeição minha.
Quero entrar em tua alma
Invadir-lhe as retinas
Roubar os pensamentos,
Desatinos, entrelinhas.
Coser uma teia doce
Das tuas mãos às minhas.
Não consigo ser tranquila
Não, não sei o que é tranquilidade
Tudo aqui explode e agita
E até meu amor é uma ferida que arde.
domingo, 4 de agosto de 2013
Cabidela
As estações nasceram e morreram no berço do calendário.
Os cabelos e sorrisos foram cortados e remodelados ao aço, ferro e pó das pegadas de quem esteve por aqui.
O chão é o mesmo, eu não sou a mesma. Já conheço essa casa, essas arestas das tuas falas, tuas curvas e verticalidades.
Já andei por aqui. Cheiro o ar, e ouço as vozes impregnadas nas paredes desses cômodos.
Engraçado como os caminhos se entrelaçam. As linhas prateadas - sempre avermelhadas - fazem nós e pergaminhos, traçam tranças nos cabelos das crianças. Nos caminhos, nas andanças. Em nossos passos, canções e danças.
O tempo passa, resumindo. Sorrateiro e surdino, na sua roupa de menino. Corroendo e diluindo, entre os dedos, em cada ninho.
Eu já nem sei quem sou: se no espelho me reconheço ou reinvento. Se nos lábios que beijo, desejo ou lamento. Se pelas páginas passadas me ergo ou destruo.
Não reconheço o sol de hoje. Ele nasce ardente e delinquente. Desesperado por gente quente. Afugentando os doentes, adoecendo nossas mentes. Morrendo às cinco e quarenta e sete, pontualmente.
E enquanto morre, me parto num quarto. Tatuando em tuas costas
Uns três poemas apavorantes. Adocicando com soda cáustica
esse caminho agonizante.
Absorvendo mais outro ser.
Vermelho é a cor do berço.
É a cor do desepero.
De meus lábios a teus pêlos
Vermelho escorre sombrio
Não há paz nessa cidade
Por aqui nunca se viu.
Os cabelos e sorrisos foram cortados e remodelados ao aço, ferro e pó das pegadas de quem esteve por aqui.
O chão é o mesmo, eu não sou a mesma. Já conheço essa casa, essas arestas das tuas falas, tuas curvas e verticalidades.
Já andei por aqui. Cheiro o ar, e ouço as vozes impregnadas nas paredes desses cômodos.
Engraçado como os caminhos se entrelaçam. As linhas prateadas - sempre avermelhadas - fazem nós e pergaminhos, traçam tranças nos cabelos das crianças. Nos caminhos, nas andanças. Em nossos passos, canções e danças.
O tempo passa, resumindo. Sorrateiro e surdino, na sua roupa de menino. Corroendo e diluindo, entre os dedos, em cada ninho.
Eu já nem sei quem sou: se no espelho me reconheço ou reinvento. Se nos lábios que beijo, desejo ou lamento. Se pelas páginas passadas me ergo ou destruo.
Não reconheço o sol de hoje. Ele nasce ardente e delinquente. Desesperado por gente quente. Afugentando os doentes, adoecendo nossas mentes. Morrendo às cinco e quarenta e sete, pontualmente.
E enquanto morre, me parto num quarto. Tatuando em tuas costas
Uns três poemas apavorantes. Adocicando com soda cáustica
esse caminho agonizante.
Absorvendo mais outro ser.
Vermelho é a cor do berço.
É a cor do desepero.
De meus lábios a teus pêlos
Vermelho escorre sombrio
Não há paz nessa cidade
Por aqui nunca se viu.
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