Suas mãos no meu pescoço
Afunda a carne, toca o osso
Dou um riso desavergonhado
Desculpa moço, nunca aprendi a temer.
Minha inconsequência não reconhece
Dormente, inocente, inerte
As ameaças que o controle
Em forma de gozo, vêm a trazer.
O amor assim é empolgante
Internamente indisponível às amarras,
Acho engraçado simular o ato
Digo isso para mim mesma: acho engraçado.
A ausência de gentileza torna-se rotina
No lugar dos olhos nos olhos, adrenalina
Quase me esqueço de reparar que tudo que em mim o fascina
São coisas assim
Ligadas a controle
Ao ato de oprimir
Ainda que só no fingimento lúdico
Do desejo ele se deixe permitir.
Fugindo das desculpas
Reconheço o indigesto
Não é um evento novo
De repente não é mais tão fácil sorrir.
A verdade no meu osso
Na sua mão no meu pescoço
É clara como o brilho no seu olho
Todos os homens
Que conheci
Quiseram me destruir.
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