terça-feira, 9 de julho de 2024

Ensaios de um carinho sincero

Minha percepção se divide entre afeição e distância.
O meu eu racional, tão mais inventado do que real, gosta, também, de imaginar: que sou fria e indiferente, que não gosto mais de gente.
Que não quero nada, não espero, não preciso.
Mas preciso, preciso, preciso.
Sou toda necessidade e falta, e um vazio que me engole e devora minha alma. Retira minha objetividade, minha autonomia, minha liberdade.
Me deixa furiosa, curiosa, carinhosa. Com sentimentos como carência e saudade.

Eu não sei.
Não sei o quanto é natural ou são minhas feridas. Não sei o que é real, não sei como encobri-las. Como encobrir minha fragilidade: tão exposta nos meus olhos marejados. Tão raivosa em meus ciúmes infundados. Uma horrorosa colcha de retalhos, de tudo o que todos e o tempo me estilhaçaram.
Eu não sei. Não compreendo de onde veio essa dor. Se ela sempre existiu, se ela se aprofundou. Quem são os responsáveis por esse diagnóstico. Por que, meu deus, não consigo olhar com meus próprios olhos, para meus sentimentos e necessidades.

Só sei que sinto dor e preciso de amor sincero. Tenho medo de todos os riscos, ou de quem posso manter por perto. Minha insensibilidade se divide entre medo e fantasia. Queria ser forte. Queria ser fria.
Mas tenho um coração desperto, ferida exposta, a céu aberto. Está aqui para quem temperá-lo só um pouquinho. Minhas resistências faço só em texto.
Pessoalmente, ensaio o mais sincero carinho.

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