Mais uma vez eu vou embora
Depois de plantar outro horizonte de memórias.
Vou embora depois de gargalhadas altas, de correr na chuva, de criar um pequeno lar, de experimentar ser tua.
Vou embora depois de brigar e te botar pra fora, de te sentir me empurrar contra a porta, de desejo e vontade, de ficar bem à vontade, de esquecer que eu vou embora.
Depois de beijos no elevador, de passeios em roda gigante. Depois de ficar bêbada e boba, de pegar briga e chorar num rompante.
Vou depois de aprender suas cicatrizes, de me acostumar com a textura dos seus cabelos, de cheirar seu pescoço mil vezes, de ansiar pelos seus zelos.
Vou embora, não volto. Finjo que sim, e que não te adoro.
Vou depois de ter te mentido, de ter partido, de ter voltado e te enlouquecido. De te deixar triste, sedento, com o dedo em riste, ciumento.
Depois de segurar tua mão enquanto passeamos, de ser pega de surpresa por teus beijos, de sentir teu toque na minha coxa, de ficar toda roxa, de carícias e de amor.
Vou embora depois de te amaldiçoar. De dizer que você nunca mais ia me tocar. E depois implorar de saudades para que um sussurro te chamasse. De sentir o coração acelerar de ansiedade, as mãos tremerem de ciúmes, de ficar louca e livre e, sobretudo, tua.
Vou e levo um turbilhão, não sei se cabe em meu coração. Vou embora com uma pequena vida vivida, que muito em breve será esquecida. Vou embora e você nem sabe.
A dor de quem fica ainda é desconhecida
Estou vivendo a de quem parte.
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