Pequenos cantos da decepção familiares,
Meus inferninhos particulares.
Hoje é um daqueles dias de cão,
Em que o céu pesa como algodão molhado sob nossas costas.
Eu escolho meus fantasmas, cuidadosamente.
Com os dedos os aponto, lambuzando suas pontas,
Com o doce de suas derrotas.
Eu degusto desse gosto, lambendo a ponta dos dedos, com delicado desgosto;
Revisitando o amargo por vezes.
Me torturando um pouco mais.
Me faz tão bem fazer tão mal:
"So unimpressed but so in awe",
Eu não mudei nem um pouco afinal.
Tenho meus personagens,
Minhas lágrimas na manga,
Minhas frases manjadas,
Meu refúgio nessa cama.
Me afogo em um travesseiro,
Aspirando profundamente o desespero,
Ou num corpo derradeiro,
Que me traz escape passageiro.
Fazendo rimas ruins,
Sempre as mesmas imagens.
Compondo uma sinfonia desafinada,
Nas retinas de vossas miragens.
(Intimamente,
anseio tudo que não presta.
Me regozijo com as imagens,
De dentes afiados em minhas pernas.
Vejo anjos em seres selvagens,
Pinturas clássicas em velhas telas.
Iludo um pouco a todos,
Iludindo a mim mesma.
Apenas na busca manjada,
Daquela velha certeza...)
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