Tô com saudade dele.
São 03:29 da manhã e ele está na casa dele, provavelmente deitado daquele jeito de barriga pra baixo e cabelo assanhado. Talvez com a cara um pouco inchada de chorar vendo Pequena Miss Sunshine e dessa gripe que o pegou de jeito. E eu tô aqui, com saudade dele.
Não brigamos e nem nos amamos pessoalmente hoje. Não é uma data especial para nosso namoro, nem ficamos o dia sem nos falar. Mas é o meio da madrugada, e tudo que olho ociosa me lembra dele. Tudo me dá vontade dele.
O bom dessa saudade é que é uma saudade gostosa. É uma saudade com pitada de felicidade porque tem sido tudo tão incrível. Então eu alimento essa ausência temporária com lembranças longínquas, mas principalmente com as mais recentes - cujo gosto ainda tenho na ponta da língua.
Alimento com o sorriso de menino dele que eu vi tantas vezes ontem. Com a gargalhada fácil que eu escuto no telefone. Com o abraço quente enquanto andamos e caminhamos tão juntinhos como se fôssemos um só.
Com esse mesmo abraço enquanto assistimos um filme no cinema, e mesmo super concentrado no filme ele me abraça com os dois braços e encosta a cabeça na minha.
Alimento com como ele me faz sorrir de graça, do vento, do nada. De como nossas piadas se completam em bobice e diversão. Em como ele se empolga (e eu também) discutindo quando discordamos, mas não esquecemos de interromper a discussão de minutos em minutos para rirmos de nós mesmos.
Alimento com o seu olhar de menino vendo brinquedos, que me deixa com um sorriso besta e vontade de ficar só ali, o observando por horas. O achando cada vez mais perfeito. E ao mesmo tempo, alimento com sua mão ousada em um banco traseiro de táxi ou com seu longo beijo delicioso - porque a boca dele tem o gosto mais incrível que já senti.
Alimento com nossos planos - já tão lindos. Seja para nossa primeira viagem, seja sobre como vamos lidar com o fato de Clint Eastwood ter morrido quando nossos filhos nascerem. E como é natural falar disso com ele e sonhar junto, sem deixar nem por um momento de sentir felicidade só em pensar nisso.
Alimento com o jeito como ele indefectivelmente se envergonha com elogios. E como ele diz que "isso é muito difícil" e eu não entendo bem por que, porque é tão fácil ver toda essa beleza nele que eu só queria contar um pouco para ele, assim, baixinho, para que quem sabe ele veja também.
Alimento ainda e talvez principalmente com seu olhar. O seu olhar emocionado quando eu digo para ele o quanto ele me mudou, o que ele fez por mim desde que chegou, como ele me salvou. Esse olhar, fixo nos meus olhos, corajoso como ele, e sensível como seu coração alimenta não só essa saudade, mas todos os minutos do meu dia. Me dá algo pelo que lutar, pelo que viver.
E é por isso que esse já é bem o décimo texto que escrevo sobre os pequenos detalhes dele, é por isso que esse texto flui tão fácil, é por isso que são 03:41 agora e eu não tenho ele comigo, e sim, sinto saudade, mas o sinto dentro de mim.
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