terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Leve-me à igreja*
A minha vontade...
-À vontade.
Responda para mim.
Não me negue nada.
Não desvie o olhar,
Ou segure minhas mãos.
Não me peça para desacelerar,
Se eu estiver indo muito rápido*
Este é meu país
Esta é minha refeição.
Estes fios de cabelo,
São onde emaranho meus dedos,
Os teus ossos sobressalentes,
Onde apoio minhas pernas,
Suas costas pálidas,
De veias sempre saltadas,
De pintas marrons esparsas
São onde enterro meus dentes.
Não me peça para parar,
Mesmo quando machucar.
Não, não me peça para parar de sugar o seu sangue.
Esta é minha casa,
O único lugar onde durmo,
O único lugar que descanso,
Que aceito como túmulo.
Teu pescoço de sangue latejante,
É onde sugo com todo meu ímpeto,
Tua boca carnuda e doce,
Teu sorriso de menino.
Tuas mãos de dedos longos,
ágeis e habilidosos.
Cada curva do teu corpo,
Cada um dos teus poros.
Aqui é meu templo,
É onde finco minha existência.
É onde derramo minhas mágoas,
Minha fúria e inocência.
É onde deposito meu carinho,
Onde monto o meu ninho,
A cada tarde e noite intensa.
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