quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015

Abriu os olhos.
A claridade incomodava um pouco as pálpebras sonolentas, mas o aroma de sonho a convidava.
Encostada no parapeito de sua janela, a beira da praia vazia de feriado, e a manhã novinha com folhas voando à esmo traziam a perfeita imagem do novo ano.
O mundo a encarava com um sorriso afetuoso e as ondas que banhavam a beira da praia pareciam lhe dizer pequenos cumprimentos.

Era o mesmo lugar, nada mudara.
As paredes e chão, nos quais correra durante a infância.

Era o mesmo sol e ele nunca se atrasava.
Iluminava aquela manhã com os mesmos raios que ela sempre criticara.

Mas ela...

Seria a mesma?

Enquanto inspirava aquele ar nunca antes sentido, pensava que gostaria de escrever um texto. Mas com um pouco de embaraço, pensava também que só tinha um tema.
E embora essa âncora literária lhe mantivesse quase repetitiva,
Nunca tinha sido tão saboroso escrever.
Nunca fora tão realista.

Nesse momento passos se aproximaram da varanda. E ela sentiu dois braços a envolverem por trás.
O rosto com o aroma que ela amava afundou-se na curva de seu pescoço, dando-lhe um bom dia em beijo com gosto de café.

Quando ele a abraçou aconchegante, e passou a encarar aquele horizonte com ela,
ela percebeu que jamais seria a mesma novamente, porque agora não era mais incompleta.
Que com ele, com aquela pessoa extraordinária que por um presente do destino, escolhera ela para abraçar, mil portas se abriram para sabores de felicidade nunca antes imaginados.

Eram uma dupla, um par.

Naquela casa de sua memória, em sua música preferida - Em todos os tesouros nos quais ela deixou ele entrar. Tesouros de infância até então guardados em um baú, com teias de aranha, esquecidos. Ela abrira suas portas, recebera-o em seus braços e agora juntos naquele cenário, encaravam tudo os que os esperava:

O mundo inteiro.

(Mas por enquanto,
O ano novo.)

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