segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Anotações sobre o rapaz

Ele sorri,
de modo quase paternalista.
Compreende o que eu nem disse com assustadora empatia,
e de repente faz-me sentir apenas uma menina

Ele é gentil com as palavras,
mesmo no momento de mágoa.
A arma mais cruel que ele já usou foi o próprio amor,
e sua sinceridade em dois tempos me desarma.

Ele tem um senso de justiça firme e inabalável,
e por isso sangra tanto quando essa parte dele é ferida.
Ele tem seus pontos soltos, suas pontas machucadas,
Mas nunca os usa como artifícios para vencer uma briga.

Ele torna os conceitos de vitória e derrota desnecessários.
Porque ele abre seu coração como um país,
Expõe todas cartas, os planos e os dados
E me faz sentir abrigada como eu sempre quis.

Ele é uma pessoa extraordinária vivendo como um sujeito comum.
Seu coração é recheado de toda a gentileza do mundo,
Mas sem perder a firmeza jamais: Ele é o tipo de rapaz
Que olha nos olhos, diz o que pensa e não se esconde jamais.

E por isso o ar ao redor dele é leve como uma brisa,
e os sorrisos correm soltos ao vê-lo, como se fosse o movimento natural dos lábios.
Não admira ele esteja sempre rodeado de pessoas.
Não admira seja bela a trilha que vêm deixando os seus passos.

Ele é doce e é calmo,
Mas ao mesmo tempo é forte e intenso.
E por isso passa um vento e tudo que quero é tê-lo inteiro.
Sua alma, sua mente e sua presença física nesse mundo,
fazem uma fórmula irresistível, que tornou-se o meu Tudo.

Ele me faz querer ser melhor, podar minhas ervas daninhas.
Praticar a cada dia a arte de domar minha natureza ferina,
Cuidar não por medo, mas por gratidão à sorte
De fazer esta linha prateada ter cruzado-se com a minha.

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