terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Indigestive

I am greedy.

Como minha refeição em porções fartas, largas, sem nunca guardar para depois.
Devoro vorazmente pois voraz também é o aperto no meu peito urgindo para ser preenchido. Cicatriz de nascença, marca arranhada no espelho da alma - não sujeita a consertos permanentes.
Como então de maneira voraz, quase inconsequente. Sem me preocupar com o inverno, formiga irresponsável sempre fui. Sem me preocupar com o mal estar que todo esse excesso pode causar depois.

Sou ambiciosa, é verdade, sou gananciosa.
Quero o sumo do sumo da poupa da fruta. A casca não é suficiente. Tampouco a pele ou a carne.
Quero adentrá-la. Rasgá-la delicadamente com os dentes. Com minha língua tocar o gosto de sua alma.
Entender sua essência, sua história e suas vicissitudes. Entender sua dor, seu prazer, seu amor e cada uma de suas necessidades aborrecidas as quais com tamanho prazer satisfaço a todas.

Quero estudá-la e em seguida devorá-la pois é o único jeito completo de compreender esta fruta - E seus decorrentes frutos - reprodutos de sua existência.

E o faço sem temor, o faço sem pudor. O faço verozmente. Gananciosamente.

Só não calculo,
a indigestão que vem depois.

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