terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ela encarava o vidro da larga parede de vidro. Encarava os transeuntes alienados de sua existência, do lado de fora do estabelecimento. Os carros que buzinavam, um bando de pássaros sem muito equilíbrio, as árvores estáticas devido ao calor.
E com ele, o que faria?
Se perguntou.
O que faria com ele?
A pergunta era retórica, ao passo que encarava todo o ambiente sem qualquer irresignação. Afinal, estava de corpo, mente e alma, completamente dominada por aquele sentimento. Sua racionalidade não tinha desaparecido, não, nada disso. Ela estava ali, contemplando cética a vida do lado de fora daquela cafeteria. E ceticamente, tinha a consciência límpida de que estava completamente entregue àquele amor. Era uma entrega calma e tranquila, sem muito rebuliço pois não havia absolutamente nada a ser feito contra ela. Qualquer dano que lhe abatesse proveniente daquela entrega era desde então, inevitável, mesmo que previsível. Pois não sabia ser infiel a seus sentimentos. E todos eles eram do amor mais absoluto que podia existir.
E o que faria com isso? O que faria com ele?
Ora, uma voz respondeu dentro de si. Amá-lo. Amá-lo com todas as suas forças, pois é para isso que ele foi feito. Ele nasceu neste mundo, estava certa, para ser amado. Para ter derramado sobre si, centelhas de carinho e acolhimento, pois ele todo era amor e tudo o que emanava vinha translúcido e gentil. Ele era isso, amor e felicidade. E tudo que ela podia e iria fazer, era amá-lo incondicionalmente, com o mesmo amor que ele trazia ao mundo com o simples fato de existir.

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