Estou sentada em um chão frio, meio familiar, meio hostil.
Me sentindo totalmente nua, despida da necessidade de agradar um público que não existe há muito tempo nesse espaço.
Existe uma liberdade gentil ao tentar ser ao menos um pouco sincera comigo mesma.
Em admitir uma solidão conformada.
Uma fragilidade inerente.
Toda a farsa da minha frieza.
Em relação a tudo e a todos.
Minha indiferença,
da qual já convenci tanta gente.
Meu sorriso propositalmente azedo.
Toda a dor óbvia disfarçada de maldade.
E um monte de mágoas.
De saudades de mim mesma.
Eu ainda sou aquela criança
Aquele monte de medos.
De palavras bestas.
Tentando mandar mensagens
Para uma luz no universo,
Que me acalente a alma,
Que me acalme o medo,
Que me desenfureça.
Eu tenho medo de mim mesma.
Das consequências da minha raiva,
Da minha dor que eu não entendo.
Da solidão em meio a tanta mágoa
Que eu não sei de onde veio.
Tentando me segurar
Nos meus osso frágeis
Uma gata magra disfarçada de raposa.
Quem se importa?
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