(Bruxelas, 2024, uma tarde. Eu fugia do que há de pior em mim. Eu encontrava o melhor de mim. Planeta Felicidade.)
A prece de todo final de tarde. Cores cósmicas, azul e rosa. Minha pequinez em frente a tudo.
Amor.
Surpresa e expectativa. Esperança no inesperado.
Coisas pequenas, simples, rotineiras, permeadas por tanto sentimento que transborda, não cabe, olha tudo ao meu redor e me deixa submersa.
Eu me lembro.
De cheiros e cores. De sons espontâneos. Da textura do abraço, do calor de um sentimento.
Tentativa e erro.
Olhos que parecem que a qualquer momento vão desaguar.
Amor, amor. O que mais?
Alívio, talvez. Que eu não mudei. Que a dor não levou o melhor de mim. Que eu ainda posso me emocionar com as cores do céu, o toque do frio, você.
Você.
Vocativo aberto, um lugar.
Uma insistente esperança de lhe preencher.
Parte II
Nostalgia, sentimento quente e terno, deixo me dominar.
Mas nostalgia com o futuro, não com o passado.
Saudade do que vou encontrar, da possibilidade.
Saudade e vontade. Um coração preparado para o inesperado.
Bem vestido, alcochoado, apto a receber a felicidade.
Para isso, me despeço de um antigo traço de personalidade. Me despeço do meu velho hábito, ser histórico feito de passado: escrevendo para viver uma segunda vez e dessa segunda ser mais palatável.
Escrevendo para dizer: meu tempo e amor não foram desperdiçados.
Rompo esta linha hoje.
Um dia nem quente, nem frio.
Para todos os efeitos, mais uma noite de abril.
Nostalgia do futuro é o que me preenche agora, um músculo de cada vez, percorre minhas veias e relaxa minha tez.
Chega da saudade. Não há espaço para o passado quando meus olhos estao inebriados pela possibilidade.
É o Planeta Felicidade.
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