Aquela casa pequena em uma rua que ninguém se importa em nossa cidade insignificante.
Todas as coisas do nosso passado são assim: pequenas, irrelevantes. Nada comparado a sua vida agora.
Tanta vida, tanto sentimento. Tanta infinitude nos preencheu em tardes insignificantes.
Será que você lembra?
Que cada acordo e plano era um mundo a ser desbravado.
Que cada conversa, risada e brincadeira enchia o quarto de sensação de sonho e infinitude?
Será que você lembra de tudo isso?
-
Todas as coisas existiram.
Elas foram enormes, infinitas, pioneiras e puras.
As coisas mais sinceras foram com vocês.
Aquelas fruto de amor, de obsessão, de desespero e de medo.
Todos os sentimentos na carne crua.
Aqueles sinceros, autênticos, lidos nos olhos.
Todas as coisas comigo foram assim, todas as coisas que existiam em mim.
Todo o amor que eu dei, as histórias que eu criei: pautadas na verdade e na adoração.
Uma adoração pelo presente, pela infinitude dos momentos.
Todas as minhas despedidas doeram como amputações: pedaços da minha carne sendo arrancados do meu coração.
Em cada um desses mundos, deixei um punhado de emoção.
Nunca nesse mundo existiu uma menina tão apaixonada.
Capaz de entregar tudo, de enlouquecer a si mesma e aos outros.
Capaz de quebrar cada uma das promessas que fez para si mesma, de abdicar da sanidade.
Guiada por impulsos, vontade e liberdade.
Todas essas histórias foram infinitas, imersas em sinceridade.
Em cada uma delas depositei esperanças de futuro
Sem saber que o presente
Era o limite da realidade.
Mas vivendo intensamente
Muito mais intensa que uma tempestade.
Devastando moinhos, quebrando limites, beirando a linha da insanidade.
E o quanto me entreguei, doei, apaixonei.
O quanto amaldiçoei, gritei, inconformei.
O quanto vivi, o quanto quis, o quanto fiz.
Todas as coisas que eu quis, eu fiz. E quão completamente.
No final de tudo isso
Eu não tenho arrependimentos
Só lembranças
Sorrisos delicados
Um pouco de passado
Que me faz rir,
Imensa e distante
Do extremo oposto de uma linha plana
Que acaba e recomeça,
Tornando-se uma coisa nova.
Eu sou a outra, enfim
Guardando com carinho
Mas distante da nostalgia
Todas as outras dentro de mim.
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