quinta-feira, 7 de maio de 2026

Seu céu, meu mar

 Aqui você tem 18 anos de inventário da minha vida.
Minha vida.
O que você vai fazer com minha vida?
Além de ter curiosidade e ressentimento.
Eu aproveito, com um prazer passageiro, esses instantes de curiosidade.
Coisa rápida, passageira. Só dura enquanto dura a idade.
Enquanto dura a beleza.
E o fascínio da disparidade
Entre uma mente potente e um coração louco.
Não foi sempre esta minha dualidade?
Se eu causo fascínio em seu repertório rouco
É só pelo poder encantador do contraste.

Eu entendo, talvez demais
Que o que sentem por mim nunca é amor.
Curiosidade, desafio
E outras formas de ardor.
Eles passam, como passa o frio
Diante da mais eficiente fonte de calor.
Ninguém quer aclarar o que é sombrio
É na sombra que sobrevive o esplendor.
Não serei eu a quebrar sua imagem
De mil contos de uma belíssima miragem.

Mas caso queira se aprofundar
Largar o encanto, botar os pés no mar
Em um dia de maio, posso te mostrar
Quando a chuva cai e o tempo não é frio
Quando estamos bobos e risonhos do abril
Quando não tenho nada a provar e tudo a surpreender
Nessa disposição de espírito, talvez possa te enternecer
Com algo além da imagem, da miragem
Algo além da perfeição que sua mente criou e na qual me aprisionou
Algo que eu posso dar, algo real a se amar

Mas até alguém chegar
Que não queira meu céu, e sim meu (a)mar
Devo, per forza, continuar
A performar...
A performar... 


Nenhum comentário:

Postar um comentário