segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Video Games

(Ao som de https://www.youtube.com/watch?v=cE6wxDqdOV0 )

Tirava-lhe o vestido cor de rosa em uma tarde azul.
A camada azulada se estendia pela janela entreaberta do quarto, calma como a música.
Serena como o contato entre suas mãos.

Sorria-lhe às vezes, quando se distraia sem perceber, e diziam-se todas as coisas de amor. Dizia-lhe também no ouvido, quando estavam em um local lotado e ninguém os via. E então ela o olhava e segurava sua mão com a firmeza de quem tem certeza.

Quando passaram por "Ela", aquela que o tinha feito sofrer, ela teve vontade de abraçar-lhe pela cintura, dizendo em silêncio que jamais iria fazer-lhe chorar. E ele agradeceria com um de seus beijos tão ternos como uma música doce, dando-lhe doses de conforto e acolhimento com sua paz.

E então a sós e longe do mundo, seguravam um nas costas do outro, olhando-se: encarando um o mundo do outro. E de repente a música encaixava-se: Em suas tardes preguiçosas, de risadas fáceis assistindo televisão ou jogando videogames*. Em suas brincadeiras e danças, ouvindo músicas e fazendo-se rir. Realizando sonhos infantis e quase esquecidos. Sujando-se de tinta, de cócegas, de rimas. Dizendo um ao outro, com a naturalidade do silêncio: "Você pode ser você mesmo comigo.", e compreendendo o verdadeiro sentido da liberdade.
Em suas conversas longas, sobre temas antigos que às vezes a faziam chorar. Em suas tardes eternas, encarando um ao outro, sussurrando juras de amor. Entrelaçando as mãos. Sentindo na pele o gosto concreto do amor. Perdendo-se no que parecia uma montanha russa de sensações incríveis, desabrochando umas após as outras, como flores de um galho até então morto, acendendo ante a mais fantástica primavera já sonhada.

Encaravam um ao outro, as mãos envolvendo-se mutuamente. Os olhos café de ambos, como o café que adocicava com seu amargo suas noites na faculdade.
E eram um, então.
E o mundo agora, definitivamente,
Era um lugar fantástico para se viver.

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