A Tv ligada ressoa algumas vozes ou músicas um tanto familiares.
A atmosfera me traz um aroma adocicado e vegetal. Da janela do meu quarto, o corredor me traz feixes de luz que atravessam suas frestas.
São feixes cor de ouro, cor de luz e sol, trazendo aquelas familiares e minúsculas partículas de ar que se enfatizam em frente generoso foco de iluminação.
Estes feixes invadem meu quarto de nublado, fazendo reflexos nas paredes e nos lençóis e no rosto mais precioso desse planeta, do rapaz que descansa as pálpebras, deitado em meu colo.
Faço cachos em seus cabelos ondulados e olho para baixo, deixando escapar um sorriso.
Ele tem os olhos fechados, calmos, meditando um pré-dormir.
A luz que incide sobre seu rosto traz à tona o loiro de suas sobrancelhas, dos primeiros fios de cabelo das costeletas, que nascem claros como cabelos de anjo.
Uma corrente de ar traz uma lufada de cheiro de natureza e quando olhamos para frente, vemos pequenas pétalas vermelhas adentrando pela janela, vindo de uma robusta árvore de flores vermelhas que podemos ver através da janela, no corredor.
Ela estende-se por um perímetro indefinido, com seu grande tronco antigo, criando ramificações e raízes por todo o chão, adentrando no azulejo de maneira inexplicavelmente coerente.
Suas flores vermelhas contrastam com o ambiente parcialmente azulado, com os feixes de luz áureos, ilustrando com cores fortes e cálidas nosso inexplicável sonho.
(Todos os dias assim. Mais imagem, menos imagem. Todos os dias são um sonho.)
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