quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Por hoje não escreverei palavras sombrias

-Está aqui, tome. Isto é tudo.
Ela entregou-lhe. Entregou-se.
E pensar que dissera uma vez,
"You don't want the truth, the truth is boring."
Mas a verdade era tudo que tinha agora,
e pela primeira vez quis entregar-lhe a alguém.

Desnudou-se de suas máscaras,
De suas palavras.
De seus textos,
De seus medos.

Desnudou-se do cimento e da argila que moldara ao redor de si mesma pelos anos.

"Tome, isto é seu."

E ao fazê-lo - mal sabia que podia, de tanto que isto estava distante, não achava que existia - sentiu-se livre. Suas palavras correspondiam a seus atos, suas expressões a suas sensações. Suas vontades eram praticadas em liberdade. E ela toda era um tornado de emoções.

Ele recebeu isto com um sorriso, e ela viu a alma dele naquela curva labial.

Ele recebeu e abraçou tudo que ela tinha,

Ele entregou-lhe, como era de praxe da sua alma pura, tudo o que possuía.

Eles andaram em uma linha tênue, não sabiam por quanto tempo. Equilibravam-se na corda bamba, de mãos dadas e com sorrisos.

Mas nada disso era um problema, porque em silêncio ambos falaram:

"Com você, eu pulo nesse precipício."

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