Ando em passos lentos pelo chão,
Encarando com melancolia os estilhaços do furacão.
Em um canto vejo pedaços de teus sorrisos,
Feridos e repartidos.
Meus ídolos caídos.
Vejo manchas vermelhas na parede,
Que foram jogadas por labaredas de fúria,
Vejo pedaços de promessas e sonhos,
Esquartejados em atos de loucura.
Andando um pouco mais, com essas pernas já fracas,
Vejo um movimento por baixo das cortinas:
Uma silhueta ofega devagar,
Está muito cansada e coberta de cinzas.
Me agacho ao seu lado, limpando a crosta monocromática,
Quase sem forças, piscam para mim duas pálpebras.
E com algum alívio as vejo piscar.
Com minha boca rubra, de sangue escorrendo
Pelos golpes levados e desferidos a contento,
Beijo esses dois receptáculos de meus sonhos.
E ao vê-las abrir, me mostrando teus olhos cansados,
Café do dia passado, insosso e amargo,
Aquela expressão taciturna do amor machucado...
Penso:
Como posso fazer para consertá-los?
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