Preciso de uma porta, um lugar de cor diferente.
Desta curva perfeita entre teu pescoço e ombro,
Com um cheiro que se assemelha ao café em familiaridade e naquela doce aptidão de pôr água na boca.
Olho ao redor: Tenho tudo ao meu alcance, mas nada me agrada. Vejo tanta gente, aposto que são interessantes. Lugares a ir, coisas a fazer, mas nada me agrada. Como uma criança mimada, só tenho um objeto de desejo. Uma ânsia contínua.
Fecho os olhos, em um lugar público. Devo parecer plácida, mas por dentro estou um caos. Repasso mentalmente teus cantos, tuas vértices, os ângulos da tua boca, tua pele.
Tudo em mim se mexe em um turbilhão disforme de lembranças de você.
Com meu olhar impávido, encaro um interlocutor aleatório. Nos detalhes de seus dedos, me lembro dos teus, que tanto adoro.
Você: Meu desejo, meu único beijo, meu pretexto, a tinta de meu texto...
Ponho as mãos na cabeça, atordoada.
-Está com dor de cabeça?
Estou com a cabeça na dor, penso. Paixão é dor, estrangulamento, falta de serenidade. De ar, de paz.
Para mim, ao menos, que não sei ser saudável.
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