sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Etílico (Ou "Para onde foram suas asas, anjo?")

Inócuas tentativas de me balear
Mas minha mente é uma guerrilha.
A pólvora sinto na língua,
E a saudade chora à míngua.

Não estou aqui, isto é só uma carcaça
E teu beijo esses dias tem gosto de cachaça.
Passa rasgando com tuas palavras-navalha,
Me arranhando, tuas unhas debaixo de minha saia.

Tu segura meu cabelo e suga meu pescoço,
Derrama em mim todo teu desgosto
e me joga num canto sem carne, só osso.

Preciso dos teus maus tratos
Ofegar no teu assoalho
Enquanto te vejo amar putas na sala,
olhando em meus olhos, enquanto as rasga.
Sorrindo com tua boca de anjo canalha.

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