Olhando em seus olhos pedantes. Tão cheios de certezas precoces, precipitadas, fadadas a precipícios.
Olhos vivos e divertidos, zombando daqueles ao seu redor, como quem carrega em segredo um tesouro do conhecimento...
Mas isso não é verdade, é?
Me pergunto como é o ar aí de cima de toda essa prepotência. Seria rarefeito este raro efeito que dá?
Me pergunto se não sufoca um pouco, muito embora...
Eu já saiba a resposta:
Não agora.
Agora o ar tem gosto de carnaval, de festa todo dia, de maciez, de energia. Tem uma elétrica corrente entorpecente, essa droga que é acreditar que tanto se sabe.
Mas quando olho em seus olhos juvenis, proferindo essas verdades vis, cultuando a si mesmo como o Deus da religião absoluta, lamento.
Vejo em prospecção, olhos de um ancião. Recebendo a visita de três fantasmas...
Mas não serão três, serão mil. Serão todos que já se viu. Te importunando com desconstruções.
Vejo um arrependimento amargo, tristes realizações nos últimos segundos.
"A vida não é curta. Ela é longa",
é verdade.
Dá tempo de acumular muita vaidade.
Dá tempo de destruir muita beleza.
Mas que pena, que desperdício...
Alguém que um dia foi um criança com tanta beleza,
parecendo até um filho da natureza,
e gozando de uma sorte que hoje joga fora...
Nesse túnel da inflexibilidade, da verdade inabalável...
Visando ver uma claridade irremediável!
Mas existe túnel mais escuro?
Ora, o que é isso. Talvez só impressões de uma mente omissa,
Mas parto apenas de uma premissa...
No tocante a você,
Não é a primeira vez que prevejo o futuro.
Cara Kristal...
ResponderExcluirPor que escrevemos?
Porque se não o fizéssemos, as pedras o fariam.
É mais ou menos ou nada disso que diz num trecho de um livro que eu odeio amar e amo odiar.
A verdade é que aquele trecho fala de uma necessidade vital que nos acomete que, se não saciada, sucumbiríamos a ela e ela teria de encontrar outros escapes, outra passagem para o mundo.
A necessidade de escrever...
Talvez não seja o mesmo em todos os casos, mas no que me toca, a letargia mental que me acomete em momentos de calmaria literária (que talvez seja apenas uma lassidão motivada pelo cansaço de tanto sentir), às vezes faz com que eu pense que tudo o que valia a pena ser escrito já o foi, por outros e com maior maestria do que eu seria capaz.
Mas a necessidade permanece..
Daí eu venho aqui e reconheço nessas linhas que você escreve ora com fogo, ora com prata, ora com qualquer coisa de indefinível, aquela mesma... chama, alimentada, estou certo, por um universo de diferenças, mas irmanada a algo (de que me orgulho muito supor) que se parece com o que também vejo em mim.
Sei que você sabe que é uma grande escritora, Kristal e talvez não seja necessário que eu o diga num elogio que parece tão superficial. Mas é vital que eu diga que você é vital! É importante que escreva, porque assim lembra a outros que te lêem de o porquê escrevemos, embora nossos motivos sejam díspares.
Desculpe a impertinência do meu comentário kilométrico, pois não estou comentando o quê você escreveu, mas o que isso evoca...
.
Arrisca-se que escreve.
Arrisca-se quem lê (e entende certo ou errado).
Arrisca-se quem comenta.
Mas às vezes, em ambos os casos, o risco compensa...
Caro Luiz,
ExcluirSempre fico abobalhada com seus comentários, tamanha a beleza das imagens mentais que me passam.
Quando falar de chama e prata, me dá até inspiração para escrever haha
Fico feliz e me sinto acalentada ao encontrar identificação, e as suas palavras constantemente me passam essa sensação, pois transmitem sensações tão minhas que é bastante reconfortante vê-las emanando de outra pessoa.
Agradeço pelo seu delicado elogio e pelas reflexões que seu comentário provocou.
Ademais, que livro é este ao qual se refere? Fiquei curiosa.
Um grande abraço e obrigada pela visita :)