Quando eu digo que nossa realidade atual faz eu me sentir emocionalmente doente, acho que devo ao menos uma explicação. Veja bem... Eu me sinto literalmente absorta com a natural normalidade com a qual a maioria de nós acorda e passa seus dias em atividades habituais sem sentir ao menos uma centelha pulsante de repulsa pela situação robótica em que nos enquadramos.
Não, eu não estou falando do "Sistema", não especificamente, embora esteja intimamente atrelado à essência do "problema". Estudar, se esforçar e trabalhar, a meu ver, são precisos para quem pretende viver nessa formação social atual - o troco e a moeda - não vejo nenhum problema nisso. É uma questão de pesos e medidas, um contrato de compra e venda que firmamos (ou melhor que FIRMARAM por nós) em algum momento aí perdido no tempo. A formação teórica do Estado de Direito é linda, é simplesmente linda, sinto-me até emocionada em falar nela - sinceramente. Mas não. Definitivamente não é esse o problema.
Não parece estranho que ao passo que nossas Leis mais do que em qualquer momento na história ditam sobre liberdade, dignidade, segurança e igualdade - amoldando todos seus dispostivos para tentar alcançar estes objetivos - o nosso povo encontra-se mais e mais ausente da realidade por trás disso?
Realidade... Esse certamente é um conceito engraçado de ser discutido na atual formação de "VERDADES " múltiplas em que nós vivemos. Nosso jovem, nós, somos todos donos da verdade. Empenhar a verdade, a revolta e o sarcasmo sobre questões que sequer compreendemos, que absorvemos muito pouco através de meios eletrônicos, parece ter tornado-se a bandeira da nova geração.
O desuso da subjetividade, meus caros, é alarmante. O desuso da subjetividade é literalmente preocupante. Eu, diariamente, me sinto extremamente assustada em diversos momentos pela averiguação da quase cômica semelhança que nossos semelhantes porventura apresentam com robôs.
Sabe por que? porque o grito de guerra nunca foi tão alto. O jovem nunca clamou tanto por justiça como clama hoje em dia...NO FACEBOOK. Ele clama por algo que ele não entende, ele clama por algo que ele não idealizou, ele clama pois seu inconsciente coletivo o diz que é isso que deve fazer, porque ele viu na internet, porque um professor apresentou essa visão, porque ele OUVIU, não porque ele pensou. E olha que aí eu estou falando do jovem que ao menos digna-se em pseudo importar-se com isso.
No entanto, meus bens, eu sinto extremamente falta de pessoas que tenham chegado a essa conclusão por si mesmas. Eu sinto saudade do desenvolvimento mental, da elaboraçao de ideias que (eu prefiro acreditar que) existia outrora. Porque do jeito que as coisas estão, as ideias parecem vitrines vazias exibindo filmes antigos, repassando as mesmas histórias. Mas nisso tudo... onde estão as ideias novas? Onde está o pensamento além? Onde está aquilo que demonstra que ainda podemos pensar por nós mesmos, fazer SURGIR origem, não só ser espelho?
O grito de justiça que ecoa (em silêncio) é nulo, portanto. É inócuo. Sua existência é um elogio ao ridículo.
Me deprime como hoje em dia o jovem pensante é marginalizado, me deprime esta consciência pseudo-evoluída de que não adiante pensar, de que isso é hipocrisia, de que o "correto é ser sincero em relação a seu papel nulo no mundo", que o certo é se render.
Me DEPRIME que hoje em dia diz-se em alto em bom som, alegue-se, orgulhe-se:
"Eu sei que tais coisas são importantes, mas eu tenho preguiça ideológica."
É preocupante o alcance tenebroso que essa PREGUIÇA IDEOLÓGICA provocou no nosso jovem, na nossa vida, nessa preciosa dádiva da qual só dispomos aqui e agora e que graças a esta doença, está sendo desperdiçada em sua vertente mas transcedental, em sua vertente PENSANTE.
...
A culpa? A culpa não é nossa. A culpa não é dessa geração, não, não é.
A culpa é de uma tragédia friamente arquitetada por criaturas degradantes e degradadas em prol de seus próprios fins.
Calma, não estou falando de alienígenas e sim de algo bem pior chamado nossa própria raça humana. O VAZIO ideológico que se instaurou soberano sobre nossas cabeças, alimentado pela preguiça a qual fomos acostumados desde pequenininhos por cores brilhantes e inutilidades necessárias é arquitetura fantástica (no sentido literal da coisa) imposta com intuito de supressão de nossa capacidade cognitiva, de nossa capacidade de questionar, de gerar, de crescer?
Palmas, governantes. Realmente foi um trabalho de mestre.
Cabe aqui esclarecer que me refiro a um instante específico na história, precisamente (sendo até precisa demais, talvez) ao momento histórico onde houve o que gosto de chamar de O grande crime. Ocorre, meus caros, que houve um momento em nosso país, aqui mesmo, no Querido Brasil, onde a intelectualidade, artes e cultura estavam desenvolvendo-se como nunca. O jovem era militante porque o jovem estava revoltado com o que se opunha ao dever ser. O jovem sentia fervilhar a chama de fazer justiça e não só buscava distrair-se pois seu seriado favorito estava em hiatus.
A chama da razão começava a apontar para a capacidade humana, começava a dizer: "Ei, meu caro. Você pode fazer isso."
Houve isso e então houve a tragédia. Um genocídio mental e intelectual imposto pelo regime do terror que CONDICIONOU a massa social à simples, pura e PERIGOSÍSSIMA ideia de que é perigoso pensar.
E isso mudou tudo.
Até hoje.
Pois a partir daí passaram a nos mudar e moldar desde a raiz, desde nossa primeira ida à escola, desde o discurso e sistema a que somos academicamente e escolarmente submetidos, desde os comerciais que assistimos na TV em nosso tempo livre, desde a impossibilidade de adquirirmos livros e a memória histórica que nossos ascendentes nos transmitem mesmo que inconscientemente. Desde todo o jorro infindável de necessidades falsas que nos são apresentadas como verdadeiras, muitas vezes fruto de real e intensivo estudo mental, o que, meus caros!, é extremamente assustador.
Então não. Não podemos ser responsabilizados (ao menos integralmente) por este quadro. Por este crime.
...
Eu lamento do fundo do meu coração o que aconteceu com o nosso país e acredito que vocês (vocês? alguém aguentou até o fim desse texto maçante?) sabem exatamente do que eu estou falando quando me refiro a todo esse processo histórico.
Se bem que... Eu também não sei se foi bem assim, como posso saber? Mas espero que tenha sido. Porque por mais trágico que possa parecer este ceifamento, me parece mais trágico ainda pensar que tudo sempre foi assim, como apresenta-se hoje.
E pensar que já houve algum dia essa erupção intelectual torna possível obter esperança de alcançá-la novamente, por mais que pareçamos estar caminhando em direção ao seu extremo oposto: O maior inimigo do caminho à obtenção de um conhecimento é a falsa ideia de já se o possui.
É isso.
Hoje eu vou fazer algo muito atípico de mim e pedir, pela primeira vez desde que criei este blog, que quem ler este texto, comente. Por favor, acrescente sua ideia a essa ideia. Estou curiosa.
Um abraço.
(F)
(F)
Meu Deus!! O_0
ResponderExcluirAinda bem que você postou esse texto!
Eu realmente gostei muito de ler algo escrito por você sobre essas questões.. eu já sabia que seria bom, mas mesmo assim me surpreendeu.. Bom, mas deixando um pouco os elogios de lado, você mesma disse que quer que seja acrescentado alguma coisa, então vamos lá: eu concordo com praticamente td, só não sei se esse momento histório que você se refere realmente existiu, em que "a intelectualidade, artes e cultura estavam desenvolvendo-se como nunca", tenho minhas dúvidas.. as vezes tenho a impressão, por exemplo, que a maioria desses jovens militantes talvez estivessem só seguindo uma 'modinha', e não pq realmente eram bem informados, pensantes.. Claro, não quero tirar o mérito dos poucos que realmente lutaram, pensaram diferente e tentaram mudar alguma coisa!
Mas compartilho da sua esperança, afinal seria muito difícil sobreviver sem ela.. é a esperança que faz com que continuemos tentando..
Pra finalizar, o texto é cheio de frases boas, mas uma que gostei bastante foi:
"O maior inimigo do caminho à obtenção de um conhecimento é a falsa ideia de já se o possui."
é isso.
Bjão.
Nossa, que comentário enorme *-* Que bom que tu gosto. E é, realmente, pra ser sincera nem eu tenho certeza se esse momento, existiu. Eu prefiro acreditar que as coisas estavam assim antes da entrada da ditadura (tem até um livro sobre isso parece, acho que é "1964" o nome.) Mas como tu disse, é necessário ter essa esperança para sobreviver e ela aumenta em mim quando eu vejo que tem mais pessoas que se importam com essas coisas *---*
ExcluirAlgo que de certa forma exemplifica o contexto dessa nova era, é o que aconteceu no início do ano, com o possível adventos do "Sopa" e do "Pipa", que se seguiram de diversos manifestos, dentre eles os ataques em nome da anonymous(não sei se é assim que se escreve), acompanhadas pelo que você mesma colocou como "manifestos pelo Facebook". Em resumo, não dá nem pra dizer que houve uma mudança de valores, até pq, defender o direito de baixar séries e músicas a vontade (que até que é legal), é irrelevante, já que existem outros problemas no mundo, e não surgem esses movimentos organizados, da mesma forma que o primeiro para tomar a frente e reivindicar. Existem sim pessoas preocupadas com o que realmente importa, mas acontece é que a influência do sistema é mais forte, e estes lutadores de redes sociais, como vc disse, não podem ser responsabilizados por este quadro...
ResponderExcluirExato. Até esses manifestos contra essas leis tomaram moldes de iniciativa social (e me incluo nessa, porque também fiz parte da crítica), mas se pararmos para ver bem, foi só proveniente de desejo egoísta de continuarmos fazer o que bem entendermos. Nem a pirataria nem a anti está certa em minha opinião, porque a monopolização de indústria musical do jeito que se apresentaria se as leis fossem aprovadas também seria daninha. Acho que deveria haver uma diversificação na possibilidade de compra ou coisa assim, mas isso já é outra história...
ExcluirEu acho que o conflito - apesar de ser inerente à interação social - poderia ser amenizado, caso nos responsabilizássemos mais uns pelos outros. Mas isso dependeria de um mundo, que até então não existe. Por isso ultimamente tenho considerado uma quase-utopia tratar sobre causas sociais.
ResponderExcluirUma pena dizer isto, porém o que é esperança? - Uma forma de dizer que deveríamos estar fazendo algo e ainda assim nada fazemos? Ou quem sabe um escape qualquer para um amontoado de erros históricos, que recaem sobre nós? Eu sinceramente acho... Ou melhor, percebo o quanto sou mais medíocre do que a maioria das pessoas que considero medíocres. E sabe por quê? Porque aparentemente eu conquistei uma consciência ampla a respeito da insensatez humana.
Para te falar a verdade, talvez só nos reste mesmo transformar as nossas próprias ações, sem esperar que os outros entendam a importância disso. Sem julgar, classificando "justos" e "injustos" e o que a isto se assemelhe.
Cansei.
Mas, apesar de tudo, eu fico satisfeito de vê-la em prol desta causa também. Sermos quase-utópicos não significa que não podemos ser quase-utópicos com dignidade.
Um abraço, Kristal.
Tudo começa de um lugar, meu caro. Olhando bem, propagar ideias já é o começo da atitude porque incita mudança interna em quem lê. Mas realmente, é só o começo. Só não deixe a autocrítica atrapalhar o processo, se estivermos sempre julgando nossas atitudes a respeito de tudo, não conseguiremos dar continuidade. Todos erram e todas as atitudes tem fontes duvidosas. De um modo ou de outro, prossigamos. (:
ResponderExcluirUm abraço.
Não sei. Todo mundo em tese já ouviu ideias brilhantes como "Não faça ao próximo aquilo que..." - O resto com certeza você sabe. Ou "Ame ao próximo assim..." - Ibidem.
ResponderExcluirE são ideias maisquecristãs, são ideias de moralidade - algo ao mesmo tempo ético e humano, por incrível que pareça. Entretanto, permanecem no plano das ideias.
Por isso eu disse que "talvez só nos reste mesmo transformar as nossas próprias ações, sem esperar que os outros entendam a importância disso. Sem julgar, classificando "justos" e "injustos" e o que a isto se assemelhe."
Consciência não se impõe. É algo que cada um deveria buscar, mas que filosofia ou poesia nenhuma traz à tona, caso os indivíduos não estejam preparados para isto.
Um abraço.
haha É, Thalisson, mas não acho que devemos julgar as ideias por serem cristãs ou não, afinal, querendo ou não a doutrina cristã trouxe ideias incríveis (posteriormente distorcidas, infelizmente). E não se esqueça: Só permanecem no plano das ideias por alguns, por outros já foram executadas. Temos grandes exemplos. Não acho condenável falar ou discutir sobre essas coisas e a busca individual de cada um cabe a cada um buscar, não cabe aos outros ficar julgando isso.
ResponderExcluirOutro abraço, menino.
A muito que não comento mais nada aqui. Apenas leio ocasionalmente por pura curiosidade. Mas tenho problemas em rejeitar pedidos.
ResponderExcluirEntão. O que posso dizer? Utopias são sempre interessantes já tive as minhas. Distopias também são igualmente interessantes e também já experimentei destas. Obviamente foram frutos do meu ocasional otimismo sonhador ou de um pessimismo sustentado nos consecutivos massacres, genocídios, injustiças e ouvir a fala do que já foi humano um dia, ou pelo menos deveria ter sido, e hoje não passa de uma carcaça atemporal.
O estado. As leis. A economia. Os sistemas existem unicamente como ferramentas e como tal elas são possuem moral. Esse aspecto é inerente ao homem e suas construções fantasiosas sobre o sofrimento alheio e as observações egocêntricas sobre o seu próprio. Servem para proteger classes dominantes, garantir o funcionamento, satisfação e sobrevivência das classes baixas.
E isso é um ciclo histórico. O homem, enquanto especie, sempre esteve alienado pelos seus prazeres, medos, crenças e incertezas depositando todas suas fichas em uma garantia imaginaria de um futuro melhor, de um amor nascido das entranhas de hordas e lideres. Reis, Papas, Estatuas, Imperadores, Messias, Marcas, Brands, Moedas, Cartolas, Deuses, Totens e demais parafernálias imbuem e se sustentam em ideologias que carregam a esperança humana para um futuro melhor, este talvez até promissor mas é o sonho certo pelos meios errados. As ferramentas sempre estiveram ai, os humanos que nunca as usaram por nobre causa.
Antes do Little Boy e Fatman o valor da vida no japão era um. Coreanos e Chineses eram escravos, seja construindo ou sendo estupradas. Mas entre as chamas radioativas, moribundos e andarilhos, igualmente devorados pelos vermes e de todas as classes, e em meio a turbulência o valor da vida ganhou nova forma, mas não perdurou. Assim como os Hutu massacraram os Tutsis em Ruanda por mera questões politicas e assim Marido matou Mulher, Amigo matou o Próximo até que os rios ficassem vermelhos e transbordassem de corpos.
É tudo apenas um ciclo. Ideologia são ferramentas, mas o homem que a usa a define. Escravidão é uma ideologia, Liberdade também, mas em meio as turbulências ambas podem ser a mesmo e a diferença é apenas o sistema econômico a qual servem.
O Amor ao próximo foi crucificado. A salvadora da França foi queimada. Aqueles que lutaram por um sonho baleados e enterrados. Mártires que são lembrados, mas seus sonhos perderam forma em meio a instituições, leis, governantes perpetrando apenas a demagogia. E o povo? as vitimas ? Elas esquecem, como hoje a mulher esquece do quanto lutou para deixar de ser um mero troféu de boa esposa para o marido, para se tornar um tipo de troféu mais rentável. > continua
Subjetividade? Ela existe nos moldes culturais. Existe nas modelações de comportamento decorrente de grupos. De uma argamassa ideológica e relativista onde a norma é o prazer e a liberdade consumir.
ResponderExcluirA esperança de uma utopia futura é o eterno sonho a ser perseguido por uma pequena parcela de intelectualidade, que em minha opinião nunca existiu como uma força intencionalmente positiva, porque sempre foi uma mera ferramenta.
Pessoalmente vejo a corrupção devorar a todos e a moral quando envolve dinheiro e ideologias de nada serve. Há pai de fulano que é funcionário publico e vai ganhar aumento, tem a mãe de joana com cargo prometido se figurão corrupto vencer. O meu poder como cidadão apto é o voto, transmissão de conhecimento e possíveis realidade, já que a realidade é efêmera e nunca absoluta, pois já estou cansado das ideologias e seus intelectuais que teimam a se reduzirem a alguns autores se negando a fazer como estes e pensarem o mundo e não o que foi dito sobre ele.
Não se pode forçar o sofrimento do saber a quem deseja as certezas e a simplicidade da ignorância.
Enfim, desculpe o texto enorme, mas gostei da discussão do texto o suficiente para uma opinião e talvez dialogo.
Aproposito acho que você ia gostar de ler 1984 (George orwell) mas gosto de fazer um paralelo com O Admirável Novo Mundo do Aldous Huxley.
E se tiver gosto pra animações. http://www.youtube.com/watch?v=3PXHeKuBzPY
Seu comentário é excelente e apresenta perfeitamente todos os motivos para se adotar um pessimismo ferrenho. Eu compreendo bem que a natureza humana de certo modo aponta sempre para a corrupção. Somos a única espécie essencialmente predadora e isso muda tudo, em todas as esferas. Os sistemas político, judiciário, social e moral são totalmente deturpados e sempre o foram, em alguma instância, passando ocasionalmente por ciclos onde uma massa menor intelectual apresentou ideias de cunho revolucionário, muito embora, muitas vezes motivada por motivos egoísticos. O ser humano, como nós o conhecemos, é, de fato, essencialmente egoísta. É natural, é normal, é o esperado. Mas não é só isso, creio que não. Acredito na transcendentalidade da mente humana em relação ao pouco que conhecemos para crer que realmente é só isso. Trata-se de um aprofundamento maior, a busca por uma alma, essência, talvez? Ou meramente a mente, já que nos é tão desconhecida. Ocorre que tudo, na humanidade, começa e termina no ser humano. Na humanidade, não no mundo. Embora o "mundo" seja vítima do câncer que nos tornamos. Então todos esses problemas políticos e sociais - corrupção, poder, dinheiro - nada existe por si só, não existe um Sistema com vida própria, tudo o que existe são pessoas. Já me confrontaram várias vezes propondo que de nada adianta uma revolução externa sem uma revolução interna. - É verdade, mas enquanto essa não pode ser promovida, algo tem de ser feito no âmbito externo. Claro, não pudemos mudar a mente de ninguém, mas o Ghandi sabia o que dizia com “Devemos ser a mudança que queremos ver.” Não trata-se de utopia e sim meramente empatia. Não estou atrás de uma mudança global e sim de uma mudança individual que acredite ou não, repercute mais do que imaginamos. É claro que é muito fácil, com dados históricos, assumir que a humanidade não presta e jamais prestará. Condenar como hipocrisia qualquer tentativa vã de ver as coisas diferentes. Mas acredito em fatos: Se é assim, devemos nos render. Se é assim, o caminho é aceitar a barbárie e fazermos parte dela (mais ainda do que já fazemos). Então não, acho que não. Creio que exista outro caminho e se eu estiver só perdendo meu tempo, qual o problema afinal, já que seria eu somente uma humana bárbara? (:
ResponderExcluir(Obrigada pelas indicações, vou mesmo atrás.)
E quanto à subjetividade, concordo com você sob ela estar moldada culturalmente. Esse é o problema. (Problema, talvez?) Mas a origem não é essa, creio. E é isso que remete à possibilidade de mudança; A desvinculação da cultura baseada na crença de uma essência. Mas aí já entra no campo do existencialismo, então vou deixar para outro texto. (:
ExcluirBem. Não sei se nas minhas afirmações está o pessimismo. Talvez até esteja, mas geralmente vejo como apenas uma visão mais realista.
ExcluirOcasionalmente alguém me fala " O ser humano age como um animal" / "O ser humano esta acima dos demais animais por ser inteligente" / "O ser humano é pior que um animal porque tem consciência e ainda assim é agressivo e etc".
Mas raramente escuto alguém falando "O ser humano é um animal, mas que luta constantemente para ir além de ser um animal".
Quanto a busca pelo transcendental. Eu rejeito completamente essa noção, ainda mais quando se baseia em noções como "A essência, A alma" e não é por ser ateu, não radical deixo claro, e sim porque esses conceitos e noções sempre estiveram cravejados na cultura, mente e subjetividade humana. Os resultados nunca variaram além do esperado, como você já citou.
Até Robespierre na revolução francesa tentou parir uma deusa do conhecimento e que no fim a ideia do individuo cívico terminou em uma guilhotina e em um novo imperador. Mas digo isso sem obviamente denegrir a importância dos direitos civis.
Nietzsche me apresentou a noção do super homem, de um homem não coletivo, individualista, mas nobre e de uma moral verdadeira, que mesmo não podendo ser chamado de bom não se utiliza de joguetes lógicos, demagogia ou da religião para justificar sua existência e diluir responsabilidades. Um homem que da condições aos outros de também serem homens e não de sub-humanos que sobrevivem da caridade e piedade alheia.
Mas sinceramente passei a pensar que não é por ser humano que tenho direitos, é por ter direitos que posso ser humano, então é difícil esperar humanidade de alguém que sempre esteve "preso" em noções que dão prioridade a aquilo que é de inerência animal e de certezas ilógicas. O comportamento humano é algo estudado e não desconhecido somente complexo por temos que relevar toda uma gama de probabilidades. Desconhecidos são as organizações que estruturam a loucura, as vezes essa é até considerada uma desestrutura.
Enquanto empatia concordo perfeitamente com você, mas isso requere que sempre o caminho mais difícil seja escolhido e não é somente por uma ideologia, mas para preservar o que nos ou lhe é de valor. Resumindo é como essa poesia de Shelley *o marido da escritora de Frankenstien*
"Sofrer aflições cujo a esperança pensa ser infinita
Perdoar injustiças mais sombrias que a morte ou noite
Desafiar o poder, o qual parece onipotente.
Amar, e suportar, esperar, até que a esperança crie
De sua própria ruína aquilo que contempla
Não para mudar, para duvidar ou se arrepender
Isso, como sua gloria, Titan! é ser
Bondoso, Grandioso e alegre, belo e livre
Isso é por si Vida, Alegria, Império e Vitoria"
Shelley
Original
""To suffer woes which Hope thinks infinite;
To forgive wrongs darker than Death or Night;
To defy Power, which seems Omnipotent;
To love, and bear; to hope, till Hope creates
From its own wreck the thing it contemplates;
Neither to change nor falter nor repent;
This, like thy glory, Titan! is to be
Good, great and joyous, beautiful and free;
This is alone Life, Joy, Empire and Victory."
Shelley.
Mas nesse caso vou estar falando de mim e não da humanidade, do que me é ser humano e não do que é ser humano de fato. Talvez ser empático tenha um que de ser utópico no final das contas.
Alias sinto falta desse tipo de conversas e até conversar mais sobre isso. Então espero ler seu próximo texto, comentar também claro, e quando terminar de ler os livros ou ver a animação provavelmente adoraria discutir sobre o que achou ou o que pensou sobre.
Estou há quase três semanas tentando pensar num comentário/mensagem extremamente longo(a) e digno deste genial post.
ResponderExcluirNa minha mente, discorro sobre "a resposta para a vida o universo e tudo mais" (desculpa, é que eu acabei de comprar O Guia dos Mochileiros 6 e não resisto a fazer referências aos anteriores), mas a verdade é que uma das poucas coisas que posso adicionar é que me lembra uma mistura de Clube da Luta com 1984, adicionando uma pitada de A Origem:
"Qual o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Uma ideia. Resistente... altamente contagiosa. Uma vez que a ideia tomou conta do cérebro é praticamente impossível erradicá-la. Uma ideia completamente formada - completamente entendida - essa fica; bem ali em algum lugar."
Já leu esses livros? Em especial, 1984? Eu senti uma parte de mim morrer quando fechei a última página. O Sr. Orwell realmente me abala.
E Tyler Durden nos alerta:
"Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste."
"Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Grande Guerra. Nem uma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é a guerra espiritual... nossa Grande Depressão é nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e deuses do cinema, e estrelas do rock. Mas nós não somos."
Nossa, isso é Behaviorismo na sua melhor forma. Delicioso, amargo, inefável.
Tenho minha dose de idiossincrasias sobre subjetividade... Muito arraigada à minha (futura) profissão...
Enquanto isso, te pergunto: o que você estuda/trabalha?
Bons sonhos, Kristal.
Até sempre.
Inicialmente, muito obrigada pelo comentário interessantíssimo (: Eu não li/assisti 1984 nem o Clube da luta mas agora definitivamente o farei! Quanto a "A origem", eu vi sim, e por uma grande coincidência (embora eu não acredite na existência dessas danadinhas), ontem mesmo enviei a um amigo a seguinte citação deste filme:
Excluir"Uma ideia é como um vírus. Resistente. Altamente contagioso. A menor semente de uma ideia pode crescer para definir ou destruir você. As menores ideias como... 'Seu mundo não é real'. Um simples pensamento que muda tudo."
É bastante interessante a abordagem da "ideia" da obra, muito embora creio que também tenha percebido que os conceitos psicanalíticos de "sonho" foram um pouquinho deturpados para propósitos cinematográficos... De todo mundo, não pode-se ter tudo e eu ainda fico fascinada de tentar entender a relação ideia x mente.
Agora deixa eu te perguntar, esta última citação é de qual das obras? Muito interessante essa ideia de "Crise espiritual", é como dizem "a doença da nossa geração é a depressão". Seria uma prévia do "apocalipse" humano? haha, vou tentar me encurtar porque já deve ter percebido, se me deixar fico falando aqui pra sempre.
Mas que é assustador como o tal do behavorismo está presente nas nossas existências, é. Não acha?
Eu estudo Direito, por mais estranho que isso possa parecer, embora possua outras paixões como a filosofia e a psicologia. Trabalho estagiando em Direito também. E você? Meu palpite é de Direito à Psicologia, pesando mais para o segundo, não sei...
Ótimos sonhos para você, meu caro. Que Sandman te leve a belas paisagens.
:)
E o comentário ficou longo. Não consigo resistir à minha necessidade de colocar citações.
ResponderExcluirEnfim... Bons sonhos!
Boa noite, Kristal! (-:
ResponderExcluir"A noite abre sua lapela. O nome da criança era" Não me lembro como continua a música. Espero que tudo esteja perfeito, magnífico, maravilhoso e mágico contigo.
Amo A Origem. Estou com um sério problema de distanciamento, pois emprestei o meu bebê.
A última citação também foi de Clube da Luta. Coincidência ou não (embora também não acredite nelas. "Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino..."), ao procurar alguns livros, me bati com a minha copia de Clube da Luta e não evitei um sorriso. Lindo. Filme e livro são diferentes, ambos belíssimos ao seu próprio jeito.
Se for uma prévia do Apocalipse, espero que seja um Apocalipse Zumbi. Seria extremamente deprimente se fosse um simples meteoro ou cegueira coletiva. Mas o Gaiman nos alerta sobre isso: "O mundo está sempre terminando para alguém. Quanto tempo nós temos? Cem anos ou muito, muito menos até o fim dos nossos dias..." Amo esta citação. Este livro.
Behaviorismo é tão deliciosamente pertuquietante (essa deve ser minha segunda palavra preferida). :D É uma pena que haja tão pouco campo de trabalho no Brasil...
Seu palpite foi certeiro: estudo Psi (ainda sou calouro. Bico.) e amo cada pequeno aspecto desta ciência que não é ciência (menos o preço dos livros. Isso eu não amo mesmo.)
Talvez, com muita sorte, a partir do ano que vem, eu curse Psicologia e Filosofia. Amo os dois.
Espero que Morpheus te embale com os mais doces sonhos hoje e sempre.
Até breve, Kristal