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Eu vejo falhas nesta superfície tão plana que eu construí. Aqui, neste mar calmo, me fiz senhora de mim. Te fiz passado de nós. Os outros amores hoje são só complementos, a subtração é meramente artística, para fins literários. Está tudo bem, enfim.
(Porém,) eu vejo falhas nesta construção que, tão plana, ergui. Seria mais fácil, talvez, explorar estas rachaduras. Procurar a base das minhas rupturas. Mas são breves e esporádicas. São doces, não mais trágicas.
Sabe, eu andei recebendo críticas por escrever demais sobre amor. Mas o que, possivelmente, se poderia esperar de mim? Eu sou toda amor, é insuportável. Eu sou amor por todas as coisas, inclusive pelas que me machucam. Talvez por isso às vezes eu precise negá-lo com tanta força. Não sei administrar isso: Não cabe em mim, não caibo em mim (...)
Eu tenho plena consciência de quão daninha me tornei. O que aconteceu comigo foi tenebroso e assustador: Pular do ápice para o poço e vice-versa tantas vezes não tinha como passar ileso. A autodestruição... Bom, todo jogo perigoso tem seu preço. E o resultado desta roleta russa é que a arma apontou para uma parte de mim e atirou.
Oh-oh.
As coisas jamais voltarão a ser como antes. Assim como o choro, o grito também é livre e passível de morte natural. Porém eu continuarei amando intensamente. Mas ninguém mais precisa ouvir isso. De fato, parece que às vezes incomoda. Por isso, me deixe desaguar ao menos em textos. E se até isso desagradar... Bom, toda sala tem uma porta.
É, apesar de ser o tema mais manjado do universo literário, parece que alguém tem sempre algo interessante a acrescentar a respeito.
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