(Breve conto sobre um Cappucino)
(O)
Faz calor, intenso. Faz calor, inspirador. Ela me inspira, por favor. Com suas palavras, armas tácitas, com a maciez de sua apaticidade. Ela inspira ao fundir-se ao tudo justamente por não ser nada. E é amável. É amável o modo como significa tudo o que vê, como molda e transforma até, por si, tornar-se também uma mera significação. É encorajador e forte e portanto transborda. Seu nada transborda em mim, e ao nadar assim me transporta: adorável a tinta que sua folha branca me fornece. E entre seus cabelos, seus quadris, suas pressões, me guarnece. Possesso me vejo vítima do nunca mais; Aliás,
(A)
de tintas brancas o construí. Logo vi. Era do tipo que procura as estrelas, que vira o chinelo. Que fica por perto; Não quis. Virei de lado e virei a página, prendi minhas pernas contra suas costas pálidas: "É ela". Não me convenceu pois eu vi em seu olhar o místico passageiro dos que hão de se superar. Convencida, então, quis ser capítulo. Entediado, portanto, ele quis ser escrito. Um acordo.
Que saudade,
que saudade do místico impossível. Do impreciso sabor das limpas bolhas de sabão. Do domingo à tarde, de brincar lá fora, de desenhar o vento, porque tudo é possível.
Impossível.
Improvável que sua visão seja tão alterada assim:
Olho, não me conformo. Te odiando, peço teu colo.
E penso,
Sim,
Querubim,
Vai ter fim.
Eu não entendi o significado das parênteses, me explica, por afavor!?
ResponderExcluirO (O) é para indicar que o primeiro eu lírico é um personagem masculino, e a partir do (A) é uma personagem feminina.
ResponderExcluir:3