terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

I see what you did here...

Eu vejo o que você fez aqui...
Não poderia ser diferente. Tomei doses largas, em goles cheios. -
Te sequei.
o mesmo hábito ruim que tenho com garrafas de vinho, fiz disso droga.
Droga não era. Porque depois de um tempo
eu não podia mais te comprar num beco escuro da Madre Vilac.
Não poderia ser diferente. Eu vejo o que você fez aqui.
Passou por mim, passou depressa. Acenou e sorriu como quem se interessa.
Mas
que conversa,
não?
Te dei pão, pediu circo. Pediu asas, te dei ninho.
Suguei o que pude, criatura insalubre... Como pude confundir tua natureza?
Mas veja só o que eu fiz aqui (Que destreza!);
Hoje o vento está tufão. Tenho uma flor roxa sem nome entre os dedos,
teu cheiro controverso em meus cabelos, tua tatuagem em meu peito.
(E tudo dói.)
Tentei te amoldar a mim, onda furiosa!
Te engolir, tornando-me dona deste furacão
Tentei desvendar tua natureza curiosa.
Em vez disso sendo eu mudada e contornada por tua indefectível mão.
Que bobinha eu,
que bobinha.

Ora, ora...

Caro Tempo,

eu vejo o que você fez aqui.

2 comentários:

  1. gostei dessa frase " Pediu asas, te dei ninho."


    É tão legal reconhecer coisas da sua vida nos seus textos XD

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