Hoje eu fiquei muito triste e chocada depois de ingressar numa maratona obsessiva de leitura sobre a morte das abelhas. Eu já sabia que as abelhas estavam morrendo, tem a tal frase do Einsten e tudo, mas sempre é chocante me deparar com o quanto nossa espécie é idiota. Me parece tão absurdo que uma só espécie, a humana, consiga fazer tanto dano ao meio que a cerca. Nós vivemos de maneira irresponsável e inconsequente, limitando todo o plano da existência aos simplórios anos que estamos neste planeta. Nossas preocupações são ínfimas e efêmeras e quando muito, vinculamos nossa atenção para determinadas causas específicas e ainda é fazendo esforço. Não parece desesperador que o ser humano seja uma criatura que se sente tão desvinculada do próprio ecossistema?
Tudo isso é tão óbvio que já é até supérfluo falar, eu sei, mas mesmo assim me choca quanto eu percebo a amplitude dos danos causados somente pelo nosso "não fazer nada". Um "não fazer nada" que na verdade é fazer muita coisa. É achar que estamos somente nos comunicando por aparelhos móveis, usando desodorantes, bebendo certas substâncias sem percebermos o verdadeiro significado disso. Eu acho que o verdadeiro problema da nossa espécie, atualmente, é que não olhamos para a origem ou significado das coisas. Fazemos muitas coisas somente devido ao costume cultural sem questionarmos situação por situação, elemento por elemento, atitude por atitude. Vivemos escravos de consciências coletivas alheias.
É difícil ver um sentido em toda essa caminhada terrena quando olho para as coisas assim. Sinto como se seja lá o que estou fazendo neste mundo, não está certo. É como se faltasse algo essencial, um cordão umbilical com a natureza, que foi cortado no momento em que me tornei essa espécie predadora absurda. E o mais patético de tudo isso é que não obstante toda essa falação, prossigo da mesma maneira. Pior ainda é saber que talvez, mesmo que eu mudasse, a esta altura o dano já deve ser irreversível. Alguns já sabem que eu não tenho uma visão religiosa ou espiritual específica, jamais tive. Mas existe uma ideia que me foi passada e que até hoje é uma das únicas convicções que eu carrego: Eu vejo o planeta como se fosse um organismo. Uma só entidade, como um corpo dividido em sistemas, órgãos e células. De certo modo, no "dever ser", tudo iria contribuir para a evolução e manutenção. Sapos comeriam moscas, moscas comeriam alguma coisa (eu não sei nada sobre cadeia alimentar), e embora isso pareça cruel de início, é o ciclo natural das coisas. No entanto, um determinado contingente de células, a nossa espécie, sabe-se lá porque motivo começou a crescer (em vários aspectos) desregradamente até tornar-se daninha e nociva.
Nossa espécie é a única capaz de matar por crueldade. De ferir por crueldade. Nada de território, fome ou acasalamento. "Sem motivo". Isso entre muitas outras coisas. Nós passamos a acreditar que o mundo é nosso cenário, a nosso dispôr e não que somos mera peça de seu quebra cabeça. A "maldita espada da razão." (E mais uma vez terei de parafrasear um amigo meu em sua alegoria): "Seria como se a razão fosse uma espada com uma lâmina muito afiada. Que ao passo que é usada pelo homem em seu benefício, corta a ele mesmo no processo." Se bem que eu não sei se é a razão em si que está destruindo o homem (e tudo que o cerca) ou somente o mal uso desta. Mas não seria esta natureza humana egoísta um próprio desdobramento da razão? Eu não sei. Eu só sei que é assim que vejo as coisas: Somos o tumor do mundo. Um contingente de células que se desenvolveu desordenamente e começou a fazer mal a seu receptáculo. E sinceramente, eu acho que devíamos todos morrer.
Essa é minha primeira e principal angústia e talvez a verdadeira causa dessa minha irritante eterna crise existencial que prejudica todos os setores da minha vida.
Quanto à ideia do planeta-organismo, ela não é minha. Ela, assim como muitos dos pensamentos que hoje em dia trago, fora fruto de reflexões propiciadas por uma mesma obra de ficção: Pasme, um desenho japonês. Isso mesmo, gente. O nome é "Eath Girl Arjuna" e sinceramente, mesmo o tendo visto há quase 10 anos atrás, creio que até hoje foi a obra mais fascinante que assisti e que mais mudou minha visão de mundo. Vou recomendá-la a vocês e deixar um trechinho aqui do youtube de um episódio. Ignorem a dublagem em japonês (ou alemão?) e as partes desnecessárias. Tudo que importa está do 00:40seg ao 01:00min. Como grande parte das obras sem apelação à massa e com conteúdo diferenciado, não é muito popular, por isso não consegui achar o momento específico que queria mostrar a vocês. É só algo a se pensar.
Bom, por hoje é isso. Um abraço a vocês e às abelhas (não literalmente, claro). Elas acabaram com minha noite, estas malditas.
Earth Girl Arjuna 00:40seg à 01:00min
(F)
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