domingo, 3 de junho de 2012

Desabafo da água

Eu quis ser chuva para tocar a rua.
Para tocar uma linda canção para você.
Quis sentir o gosto do asfalto. Sem ouro, bronze ou salto alto.
Quis dar um salto bem alto para poder te ver.
Tentei ser boneca, mas não deu muito certo. Olhei tudo muito de perto para tentar entender
Mas nada se faz fácil, o caminho nunca é correto. Então caí no asfalto e para o boeiro fui escorrer.
Eu quis ser chuva para ver a lua. Tocar suas beiradas com as beiras das minhas mãos.
Mas minhas mãos não tinham esmalte e não me deixaram entrar na nave. Fui bater lá em marte, ver se podiam me receber.
Quis andar à pé, quis ser mais nua. Não queria ser tua nem queria te ter.
Eu quis ser mágoa, mas choveu minha chuva. Inundei minha rua, corri para te ver.
Mas não era mais a hora e eu não entendi o trajeto. Chorei no aeroporto, morri sem nem nascer.
Eu quis ser um pouco chuva, quis tocar um violino. Tentei até ser menino, tentei viver sem crescer.
Fui de um extremo a outro. Busquei fé até no esgoto. Mas minh' alma malcriada nunca quis me obedecer.
Eu tentei ser só chuva, eu tentei ser tua.
Mas sou tempestade demais para em mim mesma caber.


-


But no, i can't touch you
'cause my hands are broken
and my soul was stolen
by a gentle thief
who got in my sheets
and took all my shoes
left me cold and alone
in the afternoon.

So no, i can't rain
Not in your parade
'cause i'm just not ready
this is not the case.
So i'll do you a favor
and go earlier home
'cause i don't want you
to see my darken soul.

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