Essas são as últimas lágrimas
As últimas
De um estoque que estava cheio
Transbordando
Implorando para implodir
É uma dor cansada, repetida
Cansativa em sua repetição
Não tem nada de novo nela
Nunca houve
Nem no primeiro pôr do sol
Em que segurei a sua mão.
Eu já pensei em tudo
Tudo, juro. Tudo.
Meu lado, o seu. O dos outros.
Pensei em tudo o que seria sua responsabilidade
Mas em que você nunca pensará
Pensei tanto que estou exaurida.
Sinto escorrer de mim a última centelha de vida
Fugitiva de um pesadelo insano
De uma armadilha.
Que idiota
Sofrendo tanto.
Tudo e de novo múltiplas vezes
Enquanto o outro lado flutua na indiferença
Não sei nem o que me dói mais
O desprezo ou a banalidade
O tempo perdido
A saudade
Do que começo a suspeitar que nunca existiu.
A burrice
Dos meus olhos que tanto viram.
Dói tudo.
Doem meus braços,
Minhas articulações
O vazio físico que suga meu peito.
Minha ausência e excesso de emoções
Alternadas em doses extremas
Como a mais doentia das mutações
Me fazendo adoecer em um choque térmico
Que só quero que acabe.
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