Tanta coisa a aprender. Tanta coisa a entender...
Obsessão.
Minha mente é doente, isto não me é novidade.
Meus dentes mastigam a carne dos sentimentos alheios, alimentando uma fome incontrolável, que nunca cessa.
Eu acordei hoje e o sol me chamou para dançar sob sua luz, em um palco completamente deserto.
Estou em autocombustão...
E não sei que máscara devo usar.
Tenho muitas de mim em meu corpo e elas frequentemente dialogam.
Não pense que eu minto. Não, não, te dou o presente óbvio de nunca fingir-me à ti. Apenas mudo de ideia tão rapidamente...
Nosso sangue... Você não repara nisso? Nosso sangue está correndo a 220km/s o tempo todo, a todos os tempos e em todas as conjugações. Nossa matéria se renova, se reproduz, se purifica. Cada segundo é um novo acordar em nós mesmos, é um bando de água gelada no dia mais frio do mês março.
E aí, no meio dessa furiosa maldade, dessa curiosa natureza,
A obsessão...
Ela consome os pensamentos.
É uma pulsão, segundo a professora de psicologia.
Uma necessidade física, uma fixação psíquica.
Um desejo. Um instinto fabricado por nossa problemática psiquê.
Uma escolha.
(Mas não terei eu misturado todos os conceitos?)
Almejar tuas mãos, dedos longos. Pernas esguias esticando-se sob os jeans, teus braços pálidos de sangue salpicado, com a pele se esticando sob os músculos.
Uma visão tão atrativa, tão degustativa são seus ossos formatando-se sob os cotovelos e clavícula... Teus olhos loucos.
Arrepiar ante o pensamento de tua boca vermelha e tuas costas largas. Tua cintura lânguida e tua pele alva.
Desculpe-me senhor. Não, eu não o conheço.
És apenas um objeto.
Não me leve a mal, leve ao pé da letra.
Minhas intenções construo sozinha. Seria um autoincesto?
Jogo sobre ti minha fixação órfã de causalidade...
Deslocando impulsos sabe-se lá de onde oriundos.
Vendo nos padrões de teus poros uma pintura surreal, atrativa e luminosa.
Isso alimenta meus nervos quando estou longe de ti. - The longing.
Alimenta-me ao tempo em que me deixa refém.
Minha quimera me toma em suas garras, e em um adorável causo de Síndrome de Estocolmo,
Almejo por ti.
Quando me aproximo, porém, quando tu me sorris...
Quando pega em meu braço, derrama palavras, anseia ante meu olhar...
Quando vê-me tão cândida, me admira tão iludido. Tua frieza reformulando-se em admiração...
Minha expressão transfigura-se em tédio.
Meu sorriso polido traz algo de sinistro, isso eu sei - Você não seria o primeiro ou décimo a me dizer.
Meus olhos baixam, com a típica ausência de brilho,
E em nada me comove teu esforço.
Me impaciento em meus sapatos, querendo me distanciar de você, assassino do meu desejo.
Com licença, importa-se em parar de sujar meu objeto, com sua indigestível humanidade?
Ando então para longe, para as ruas de meus demônios, nas avenidas de minhas mal-resolvidas e indigestas fixações...
Lá, sozinha em silêncio, e por alguns momentos sem figuras ilustrativas, ponho as mãos nos bolsos e saboreio o gosto do ar.
O gosto deste ar verossímil e pelo menos por segundos, carregado da tranquilidade real do vazio.
E então a verdade, brutalmente polida com a indiferença do universo sobre nossas sensações: Tudo é transitório.
Eu, você,
Essa vontade louca de pele encostar em pele,
A curiosidade,
E até o esquecimento, arrisco dizer.
Mas então, deixo ir a racionalização,
Esta sempre bem-vinda estraga prazeres.
E me deixo ancorar por uma nova fixação...
Volto a andar, um meio-riso conformado no rosto.
Que caminho amargo este que eu escolhi.
Ameiiiiiiii!!!! Perfect!!! Um dos melhores textos que já li!! Aliás, o melhor texto que já li!!
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