quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Estes arroubos

Estes arroubos me dominam vez ou outra
Penso em ligar-te, mandar uma mensagem. Algum sinal de que não sou tão indiferente quanto te fiz acreditar.
Manter um contato, te escutar em algo,
por mais repetitivo que seja.
Me pego ouvindo as músicas e desesperadamente pensando em você.
Engraçado.
Por vezes já fui totalmente insensível a qualquer estímulo seu.
Te beijando com volúpia apenas para me divertir às suas custas.
É incrível o que o tédio nos impulsiona a fazer.

Mas os sonhos, vez por outra...
Os sonhos me provocam arroubous.
E me provocam a memória do teu corpo.
Da tua pele pálida esticada sobre seus ossos,
Seus braços finos de mãos fantasmagóricas,
Sua risada alta, jogando a cabeça para trás.

Ah, estes arroubos.

Fazendo-me desejar-te.
Temo ter que te devorar, te matar em mim.
Temo não ser capaz de fugir do fantasma da sua presença atrás de mim.
Da sua sombra,
em uma projeção infinita em prospecção.

Acompanhando-me,
Alternando indiferença e arroubos,
estes arroubos...

Nos levam a querer o que nos faz mal,
nos desafiam a contrariar nossa razão
e as circunstâncias
e a lógica,
e ao mesmo tempo, de algum modo,
fazem sentido.

Porque são as coisas incontroláveis
são as coisas incontroláveis
são as coisas incontroláveis
Que nos dominam.

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