sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

2026 (os anos novos)

Há dois anos eu estava em frangalhos.
Tudo estava se despedaçando, o chão sob meus pés.
Eu sentia toda a dor excruciante do abandono e indiferença. Sentia uma fome vital de recuperar minha mente, caos. Quando minhas tentativas de sobreviver mentalmente falharam, me senti em desespero. Aquela dor que aperta o peito, excruciante. Você não sabe mais onde vai caber tanta dor. Foi assim meu início de 2024.

Há um ano eu estava do outro lado do mundo. E ainda assim, eu estava sentindo dor.
Depois de achar que tinha superado, me reinventado, estava em outro espiral tão parecido, tão igual. Esperando por alguém. Uma mensagem, um sinal de atenção. Colocando em um estranho minha autoafirmação.
Eu estava, ironicamente, sozinha na multidão. Na forma mais glamourizada que já vivi de solidão.

Hoje eu estou sólida. Não estou exultante, mas estou minha, estou sóbria.
Me sinto vigilante. Coerente, satisfeita. Fazendo planos sem desespero. Questionando os impulsos da minha própria mente.
Estou em um lugar seguro e calmo pela primeira vez em tanto tempo.
Estou quase surpresa ao comparar o hoje com o passado, esses dias atuais, que pareciam tão banais. E descobrir que estou em paz.
Olhar para os anos atrás de mim, e ver como, com tanta dificuldade, atravessei as armadilhas repetitivas da minha mente e do desespero em busca do outro.
Estou presente. Estou contente.
Feliz ano novo.

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