sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

I couldn't help be bored. Guess it can be stressfull to be adored.

-Eu sou a pessoa mais entediante.
Respondeu ela. Sorriso gentil, vazio.
Ele não podia acreditar.
Não tinha nada, nem aquela afirmação, que soasse entediante.
Mas existia um mundo interno que ele não conhecia, do qual não se aproximava.
A sombra de um rosto, sob o rosto.
Sob a camada de loucura, selvageria, sensualidade e impulsividade.
Havia a camada do sorriso oco, riso seco, gentileza vazia. Vácuo.
E atrás disso, havia outra coisa mais.
Seria talvez o tédio?
As pessoas confundiam com mistério.

Ela observou, curiosidade e previsibilidade.
Sentia a vida escorrendo pelas próprias veias, a textura do lençol tocando a pele. O suor, o gosto, o cheiro.
A experiência que seu paladar tocava, apreciava. Extraía em uma operação extrema, detalhista.
Cavando um poço em busca de um mineral precioso.
Encontrando o oco do espelho. O escuro. O reflexo. O vazio.

O grito mudo desperado no subtexto da sua beleza.

E ao mesmo tempo, a segurança da invulnerabilidade.

A verdade, ao ser dita, diz que ela gostava do poder. E o tinha.
É engraçado que não costumasse a escrever sobre isso.
Tão afeita às coisas frágeis e sua descrição.
À expressar, com clareza, sua própria vulnerabilidade.

Nem parecia que sabia que era aquela mulher.
Aquela que controlava o ambiente com um mínimo gesto.
Que gerava modulação na corrente de ar com o ensaio de um movimento.
Ela sentia o poder fluir dela como um curso natural na maior parte dos ambientes.
Quando ela sorria, eles sorriam.
Quando elogiava, eles choravam.
Acessava o íntimo das pessoas com a naturalidade de quem opera um mecanismo conhecido.
Olhar distraído e preciso.
E gostava.
Saber que fascinava era um gentil elogio. Mas que também a entediava.
Era tão fácil. Tão... natural.
Separar a parte pura do ser animal.
No final das contas, todo mundo era igual.

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