Eu planejo a minha partida dessa cidade, dessa vida, de mim mesma.
Planejo silenciosamente e penso que 33 anos talvez seja uma boa idade para ressuscitar.
Eu vejo diante de mim um objetivo claro agora - Sei que chegou a hora. Vejo o destino para onde minha mente se direciona: É hora de ir embora.
Nessa cidade vivi todas as coisas que ela podia me oferecer. Os mesmos rostos que me fizeram sorrir são os mesmos que quero esquecer. Não tenho mais nenhuma intenção que me ligue às raízes desse sertão. Não tenho mais vergonha ou receio de fazer esta declaração.
Eu vou para um lugar onde posso ser estranha e desconhecida. Vou concretizar meus desejos de mistério, de brotar uma segunda vida. Vou em busca da minha personalidade verdadeira, da liberdade de estar sozinha. Vou embora. Não volto. Sorrio com a expectativa.
Vou viver uma vida nova, em que eu finalmente seja eu mesma. Não pretendo me reinventar, só me livrar do que me mantém presa. Não lamento a partida, não sinto nem a sombra da despedida. A menina que amava o passado - feita de histórias e nostalgia - fica para trás agora. Junto com meus ressentimentos, com as lembranças, e os lamentos. Tudo escorre com o passar das horas. Tudo deixo e vou embora.
Meus planos estão traçados. O futuro me energiza.
Vivo como se aqui já fosse o passado. Contando os minutos para essa nova vida.
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