Quando eu estou triste, não quero conversar com ninguém.
Eu ando triste esses dias. Não sei se é só cansaço.
Paro e me vejo perguntando se eu sou mesmo parecida com o que acham todas as pessoas que não me amaram.
Todas essas pessoas que, de algum modo, agora parecem ser felizes.
Se é verdade que eu não sou livre o suficiente, solta o suficiente. Perfeitamente misturada com a matéria vaporosa ao meu redor. Como um confete do ambiente. Um riso fácil.
Eu acho que, de fato, eu não sou assim.
Eu tenho uma sombra escura no coração, que me aperta por todas as dores vividas. Eu sinto ressentimento, rancor e até ódio. Por todas as vezes que não me protegi. Minhas fantasias são cenários obscuros e não reluzentes. E os momentos em que eu me sinto mais feliz - aquela felicidade plena e tranquila, como um líquido denso e delicioso - são quando estou sozinha.
Eu gostaria, de verdade, de me livrar de todo o ressentimento. De me libertar da ferida da não aceitação. De não me importar - faz tanto sentido racionalmente, por que não posso me sentir assim?
Gostaria de ignorar o fato de que as melhores coisas em mim já foram - e talvez não só uma vez - banalizadas ao limite do descarte.
Às vezes eu sinto que possuo coisas preciosas. Puras e misteriosas. Que em meu jeito, possuo uma beleza única e particular. Mas hoje simplesmente não é um desses dias. Talvez eu só esteja cansada.
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