Obsessão
Rainha do elogio
Diante do mais unidimensional dos objetos
Consegue obstruir seu vazio
Construindo desejáveis castelos
Que ninguém fora eu jamais viu
É frio
O procedimento que tento fazer
Agarro à lógica e evidência
Dessa vez não posso me perder
Não quero me embrenhar nas sensações
Que minha mente procura me mostrar
Nem mesmo me enrolar nas ficções
Que a ausência de freio fez desatar
Mas por um momento, talvez
Numa noite de vento
No escuro do seu carro
Em uma mesa diante da chuva
Diante do mais inocente dos estímulos
Talvez eu possa brincar de ser tua
Quem sabe nesse dia atípico
Eu deixe sua voz tomar meus tímpanos
E o grave feroz ressoar com potência
Eu deixe sua barba escura tocar meu queixo
E me provocar a mais obscura das aquiescências
E um sorriso tão prosaico
Seguido de palavras meramente textuais
Me fazerem sorrir ou sentir
Mais uma dose de coisas irreais
Mais um gole no teu copo e nos teus lábios
Brincadeira dos mentirosos e salafrários
Comédia dupla a interpretar
Até a meia noite
Deixo o teatro continuar.
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