É difícil para um lutar contra sua natureza.
Tento tomar precauções, planejar saídas de emergência. Preocupação com consequências de meus atos, dúvida razoável.
Não adianta.
Na hora H só quero devorar.
Soltar as correias e sentir o gosto do ar. Rir diante do desafio, do frio, do vazio. Misturar-me com suas expectativas, interpretar uma doce bailarina. E em seguida me desmontar em frente aos seus olhos horrorizados.
Sinto o cheiro.
É inocência.
A única coisa que me interessa em uma banal existência. São as sequelas de inocência que encontro pelo caminho.
Pegá-la em minhas mãos, acariciá-la, quase com carinho. Dar-lhe calor, estupor, quase-amor. Moldá-la a meu prazer e em seguida mastigá-la. Todas as coisas feitas com a decência da sincera indiferença, essa que nunca te machucará. Não há, nem haverá, para você, nada para desesperar. Nada para suprir ou preencher. Nada a esperar. É essa toda a promessa que posso te dar.
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