Você me pede para
Ajustar minha perspectiva
Me pede quase implorando
Exasperado pela minha imobilidade
O que você não sabe
(Graças a Deus)
É que no quadro da minha visão
Tudo o que o horizonte alcança
É o medo
É ele que me paralisa
E revira
Minhas entranhas
Sedentas
Pela cura
Da crença de não ser amada.
Você vê perigo em cada esquina
As arestas do seu olho
São vermelhas
De tanto que identificam
Possíveis chances de desastre
Chacina
Em cada rotineira atividade
O risco
Do imprevisto
Te imobiliza
Não fascina
E entra em mim
Ao reverso
Como excesso
Como inércia
Como o avesso
Do meu zelo
Como ódio
E desespero
O que nos une
Tenebroso elo
É o medo.
Eu vejo perigo
Em cada esquina.
Vejo a chance
Oportunidade
De mudança
E brevidade
O descuidado
O desamor
O abandono
Ante a mínima oportunidade
Vejo no gesto
Ou no olhar
Vejo na ausência
Vejo na rotina
Ou no imprevisto
Vejo naquilo e nisto
Na imaginação
Sequer preciso de fundamentação
Ou coisas reais
Minha visão é voraz
Devora toda e qualquer chance
de Paz.
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